A moda inspirada na leveza e na fluidez do balé

Vestido Roberto Santos, sapatilhas Capezio e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial

Para a coluna deste fim de semana, me inspirei na dança e na última coleção primavera/verão da Dior 2019. E como revelou a própria Maria Grazia, diretora criativa da marca, “a moda fala sobre o corpo, da mesma forma que a dança faz – é como música, é uma linguagem universal”.

A inspiração

Na coleção primavera/verão 2019 da Dior, desfilada no ano passado em Paris, sua diretora criativa, Maria Grazia, transformou a passarela em praticamente um palco. Loie Fuller, Pina Bausch e Isadora Duncan, grandes coreógrafas que marcaram época, ficariam encantadas com o mood apresentado por Grazia, uma obcecada por balé.

Para a coleção, a estilista substituiu o corpete preto, aquele que andamos vendo nos últimos editoriais de moda e copiado pelo mundo, e mostrou formas de tops translúcidos, transparentes e vestidos de jérsei de seda. Um look foi feito com 90 metros de tule, destacando uma linha de tecidos leves, em tons de degrade, pintado à mão e muito delicado. Um cachecol patchwork de seda, vestidos estilo chiton, estampa tie-dye, denim e ainda penas caleidoscópicas desfilaram na passarela.

Saltos de cunhas, que imitavam o movimento de um bailarino, sapatilhas e um elegante par de tênis que, embora construídos para serem de alto desempenho, provavelmente serão guardados para ocasiões muito mais especiais também se destacaram.

O tule na moda

Sapatilhas Capezio Profissional, saia de tule Movimento Moda Ballet, alças em ouro Dina Noebauer e top Ferné. Foto Dari Luz, especial

Poucas coisas incorporam mais a visão idealizada da feminilidade na cultura ocidental que uma saia de tule. Normalmente associadas às roupas de noiva e de bailarina, a qualidade fluída e transparente dessa rede fina e leve veio para servir como um símbolo das contradições associadas à feminilidade: delicada, mas forte; pura, mas sexy. O tule se tornou parte integrante de vestidos de noiva, vestidos de noite e lingeries. Já foi um tecido proibitivamente caro e luxuoso feito de seda, porém, com o tempo, tornou-se prontamente disponível para as massas – graças à introdução de fibras sintéticas mais baratas, como nylon, rayon e poliéster.

Os historiadores acreditam que, inicialmente, o tule foi meticulosamente feito à mão, usando métodos semelhantes à produção das rendas, por volta do ano 1700. O tecido moderno, também conhecido como bobbinet, foi produzido pela primeira vez depois que uma complexa máquina de tecelagem, que produziu eficientemente o modelo, foi patenteada em 1809.

Tornou-se um marco nas últimas temporadas, aparecendo nas passarelas da primavera de 2018 e 2019 de Saint Laurent, Moschino, Alexander McQueen, Oscar de la Renta, Simone Rocha, Preen e Delpozo, entre outros. Ganhou popularidade por várias razões: é um dos materiais mais comuns usados em vestidos de noite, especialmente depois que a “influencer” Grace Kelly usou uma saia de tule volumosa no filme de 1954, Janela Indiscreta. A leveza do tecido em camadas criou saias maciçamente largas que escondiam as pernas de uma mulher, enquanto acentuava sua cintura e busto.

Autodidata

Vestido Roberto Santos, sapatilhas Capezio e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial

Natural e morador de Santo Amaro da Imperatriz, Roberto Santos iniciou a carreira em 1998. Autodidata, domina todo o processo de criação e execução das suas roupas:
– Acredito que para assinar um belo vestido de festa é necessário dar a ele um padrão de qualidade e personalidade, desde a criação até o arremate final – diz.

Dono de uma mente inquieta, Roberto busca inspiração em tudo que vê, além de se inspirar em quatro grandes nomes da alta costura: Coco Chanel, Christian Dior, Elie Saab e Zuhair Murad. O estilista utiliza alguns métodos de trabalho criados por ele:
– Minha equipe de costureiras e bordadeiras aderiu ao meu padrão. Praticamente tiveram que deixar de lado os seus métodos próprios para se adaptarem ao meu – destaca, sem revelar o segredo e a fórmula.

Desenha desde os seis anos, contra a vontade do pai que era muito conservador. O ponto alto do seu trabalho são os bordados elaborados por ele, com técnicas de corte e costura feitas a sua forma e sem ter aprendido em cursos ou métodos tradicionais. Com uma equipe de 30 profissionais, o estilista trabalha também com alfaiataria masculina de alto nível.

Multifacetada

Vestido Regina Salomão para Strass Acessórios e Roupas, colar em citrino e ouro branco Dina Noebauer e sapatos Le Scarpin. Foto Dari Luz, especial

Dina Noebauer é de Imbituba e há 35 anos mora na Capital. Com formação em design e moda, costuma dizer que já nasceu com vontade de ser criadora.

– Quando eu tinha 15 anos pedi ao meu pai para me colocar em um curso de corte e costura. De quebra ganhei uma super máquina. Foi o meu presente de 15 – lembra.

Dina logo confeccionou o vestido de batismo da irmã e um tailleur para a mãe. Na joalheria, iniciou fazendo experiências com fios em cobre e madeira e aos 20 anos fez um curso de ourivesaria com o mestre Carlos Salem, de São Paulo. Depois vieram especializações em design de joias com a professora Claudio Petrela, além de gemologia. Sobre o que a inspira, Dina me contou que busca elementos na arquitetura, em viagens, na tecnologia e até mesmo em uma letras de músicas.

Hebe Camargo, Amauri Júnior, Vera Loyola – assim que surgiu como socialite emergente – e Jô Soares usaram peças assinadas pela design, que emplacou seu trabalho na Vogue Joias e Joias e Cia. Em 1999 ganhou o prêmio Brazil 500 anos, com um colar em citrino e ouro branco, inspirado nas obras de Juarez Machado. O colar está na imagem desta nota.

Tem ainda no currículo uma exposição em New York e algumas criações para novelas da Rede Globo, como Torre de Babel e Por Amor:

– Estou desenvolvendo uma nova coleção que será mostrada final deste ano em Paris e ainda algumas peças para uma fábrica de calçados – conclui.

Mia

Joias Dina Noebauer, vestido Carol Reginatto e sapatos Le Scarpin. Foto Dari Luz, especial

Maria Carolina Paixão Reginatto se formou em design de moda pela Udesc, em 2019, e apresentou a coleção Mia no Octa Fashion 2018. Os três vestidos fizeram parte do trabalho de conclusão do curso.

– Mia é para mulheres ambiciosas e que almejam o sucesso pessoal e profissional. Pensando nessa figura poderosa e nos desafios cada vez maiores no seu dia a dia, é importante ressaltar sua autonomia e independência em relação onde ela pode chegar – revela Carol.

É por meio de recortes e materiais que as peças destacam o corpo feminino. A coleção se coloca num papel de exaltar a mulher.

– É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta – lembra Carol, citando a frase de Simone de Beauvoir.

Salto alto

Vestido Marie Lafayette Day Wear, calçados Le Scarpin e joias Dina Noebauer. Foto Dari Luz, especial

A designer carioca, que reside em Floripa há seis anos, Vanessa Rouvier, é apaixonada pelos sapatos. E quem não é! Para criar sua marca, a Le Scarpin, uniu a veia empreendedora à curiosidade pelos materiais, acabamentos e técnicas manuais na sapataria. A marca é especializada em scarpins feitos à mão, com materiais nobres e design atemporal. O resultado são coleções limitadas, privilegiando a exclusividade e oferecendo um modelo único, com uma variação de cores precisa.

O processo de criação da Le Scarpin começa pelos traços que a designer idealiza para cada modelo e por meio de ilustração. Todo este processo ocorre antes de ganhar molde e passar pelos processos de corte e costura do couro. Em seguida, a peça é montada, colada, seca, recebe salto e finalmente “descansa”.

Todos os sapatos levam o nome de mulheres inspiradoras, que se identificam com o DNA da marca. O último modelo lançado foi o Penélope – de Penélope Cruz, que brinca com o duo de cores vermelho e rosa. A label também faz collabs com grandes nomes nacionais e internacionais.

A próxima parceria confirmada apresentará um scarpin coberto de paetês, assinado por Vanessa ao lado das irmãs Karen e Katiuscia, da Joulik. A Le Scarpin atende todo o Brasil e tem ponto de venda fixo em Nova Iorque. Por aqui, já vestiu os pés de celebridades como Thassia Naves, Bruna Marquezine, Sabrina Sato e Claudia Abreu.

Mais looks

Participaram deste editorial

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
Modelo: Milena Scheller – Elite Milão e DN Models
Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento: Bella Catarina Móveis
Marcas e lojas participantes: Atelier Roberto Santos, Carol Reginatto, Capezio Profissional, Closet Camila Fraga, Dina Noebauer Joias, Fernè, Le Scarpin, Movimento Moda Fitness Praia e Ballet, Marie Lafayette Day Wear, Regina Salomão, Strass Acessórios e Roupas.

Mais de Lise Crippa:
Jeans: a mais clássica das clássicas
Western: uma das fortes tendências na moda inverno 2019
Looks fluidos em tons pastel para um dia de outono