Menino autista de 5 anos faz sucesso como modelo nas redes sociais

Pedro Smith foi incentivado desde cedo pela mamãe Laryssa, que conta como a fotografia ajudou na comunicação com o filho

pedro smith
Foto Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Ele tem só cinco anos e já faz o maior sucesso como modelo nas redes sociais. Lindo e estiloso, Pedro Smith parece que nasceu para tirar fotos. Faz pose, carão, coloca a mão no bolso, tudo o que a mamãe Laryssa pede. É tanta fofura que o perfil do menino no Instagram tem quase 90 mil seguidores.

Laryssa conta que inicialmente a rede social era usada para compartilhar os looks do filho, que ela adorava montar mesmo durante a gestação, mas a popularidade aumentou muito depois que ela começou a falar abertamente sobre um fato que muita gente não imaginava: Pedro é autista. A descoberta veio quando ele tinha um ano e sete meses e mudou a vida da família. Laryssa, que era produtora de eventos, decidiu parar de trabalhar para acompanhar o filho nas terapias. Acabou encontrando na internet uma forma de compartilhar sua experiência, ganhar dinheiro e ainda se aproximar do filho, como conta nesta entrevista à Versar.

pedro smith
Foto Cristiano Estrela/Diário Catarinense

Como você percebeu que o Pedro era autista?
Foi percepção de mãe mesmo, de coisas que ele não fazia comparando com outras crianças da idade e resolvi procurar um neurologista. Eu sei que pode ser ruim comparar uma criança com a outra, porque nem todas têm o mesmo desenvolvimento, mas no caso do Pedro eram coisas bem notórias, principalmente a falta da fala, do balbuciar de bebê, ele era uma criança silenciosa.

A descoberta foi um baque?
Sim, a maioria das mães de autistas fala que o diagnóstico é um luto. Parece que aquele filho que você tinha antes do laudo morreu ali, ele não existe mais, e aí nasce outra criança, mas de certa forma você fica aliviada por entender tudo que ele não fazia ou fazia diferente.

É fácil fazer ele posar para as fotos?
A criança autista precisa de uma rotina e eu consegui inserir essa coisa da foto na nossa rotina. As próprias terapeutas falam que é uma terapia para o Pedro. O contato visual ele desenvolveu através da fotografia, do olha pra mim, olha pra câmera, foi algo natural que contribuiu para o desenvolvimento dele. E como eu incluí isso na nossa rotina para ele é muito natural.

O Pedro não tem comunicação verbal…
Não, ele nunca falou, mas eu sei quando ele não está gostando, o Pedro é muito expressivo pelo olhar, então eu compreendo o que ele quer e o que ele deseja através das expressões, das mãos.

pedro smith
Foto Cristiano Estrela/Diário Catarinense

O trabalho como modelo e digital influencer ajuda na socialização?
Sim, eu levo ele comigo a eventos e isso ajuda muito. Talvez se eu mantivesse ele só em casa ele não tivesse um vínculo tão grande com pessoas diferentes. O Pedro é uma criança que aprendeu a ser bem sociável através desse meio que a gente está incluído e eu levo ele para todos os lugares independente se vai ter música alta ou não, eu sempre levo para saber como ele vai reagir. Se ele não gostar do ambiente eu vou embora, mas eu sempre testo para saber, não sou aquela mãe bolha que evita tudo.

As redes sociais se tornaram a sua profissão?
Quando eu recebi o diagnóstico que ele era autista eu deixei de trabalhar porque preciso levá-lo todos os dias para as terapias e o desenvolvimento dele requer ainda muito estímulo em casa. As redes sociais surgiram como uma nova fonte de renda e ainda me ajudaram a tirar um pouco do foco no autismo, a me envolver com outras pessoas e viver algo diferente.

Recebe muitas mensagens de mães?
Muitas, nem dou conta de responder, muitas procuram ajuda, o autismo ainda é muito obscuro, mas eu sempre oriento a procurar um neurologista, um especialista, a primeira consulta do Pedro foi na rede pública e tem que correr atrás mesmo que o pediatra ou a escola nos oriente a esperar um pouco mais. A mãe sabe das limitações do filho e se desconfia é melhor procurar ajuda porque aí você não perde tempo no tratamento.

Qual é a maior dificuldade para uma mãe de autista?
Conseguir terapias públicas, as filas são gigantescas, o número de crianças diagnosticadas com autismo cresceu muito e se você quer um tratamento especializado tem que pagar.

O que sonha para o futuro do Pedro?
Eu prefiro viver o hoje. Uma mãe que tem um filho com deficiência passa a não criar muita expectativa para o futuro, então eu quero que meu filho se desenvolva hoje para amanhã quem sabe ele conseguir enfrentar o que vem lá na frente, mas eu prefiro não pensar, prefiro dar o meu máximo hoje para que ele possa se desenvolver.

Assista ao vídeo com a entrevista:

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