Mostra competitiva Longas Ficção do FAM apresenta filmes de seis países

El Rio. Foto Divulgação

Seis longas-metragens concorrem pela primeira vez na Mostra Longas Ficção Mercosul do FAM 2019, que até esta edição exibia somente filmes convidados. Os filmes foram selecionados entre mais de 100 inscritos. Apenas uma das produções é brasileira e a mostra ao todo envolve seis países. Questões ambientais são panos de fundo da maioria dos filmes, assim como gênero e conflitos familiares, a expectativa de autodescoberta e reconstrução de laços. As sessões serão no CineShow, no Beiramar Shopping.

Cenizas, de Juan Sebastian Jacome, uma coprodução Equador/Uruguai, filme exibido no Festival do Rio 2018, se passa nos Andes Equatorianos, onde um vulcão inativo dá sinais que vai entrar em erupção. Na região vive Caridad, que não fala com seu pai desde que ele abandonou a família. Diante da ameaça do desastre com o vulcão, ela procura pelo pai e os dois se veem diante de antigos e novos conflitos. Este é o segundo longa do diretor equatoriano, depois de Ruta de la Luna (2012).

El Río, de Juan Pablo Richter, da Bolívia, tem como cenário o Rio Mamoré, a fronteira natural com o Brasil, na bacia do Amazonas, região onde o desmatamento cresce. A história também trata de reencontro entre pais e filhos. Sebastián, de 16 anos, de La Paz, vai morar com o pai que o abandonou quando criança. O pai, um pecuarista e madeireiro, vive com uma mulher muito mais jovem que ele, e repete comportamentos machistas naturalizados, num lugar onde a violência com as mulheres é uma constante. Sebastián acaba por se apaixonar pela mulher do pai, ao mesmo tempo em que o desmatamento o angustia e que uma amiga de escola o ajuda a entender o mundo feminino.

Em meio à monocultura de soja na zona rural de Entre Ríos, na Argentina, uma menina adoece por causa dos agrotóxicos na lavoura. Na trama do filme El Rocio, de Emiliano Grieco, a mãe Sara é orientada por um médico a ir a Buenos Aires em busca de tratamento da filha Olívia. Sem recursos para a viagem, ela recorre a um traficante e aceita servir de mula para transportar drogas até a capital. Este é o terceiro longa do diretor Grieco, o anterior, La Huella en la Niebla (2014), ganhou o prêmio de melhor ficção do TIFF Torino Film Festival, na Itália.

O outro representante argentino, Yo Niña, de Natural Arpajou, é o único dirigido por uma mulher. Primeiro longa desta premiada diretora de curtas-metragens, é baseado em episódios e personagens de sua infância. Narra a história da menina Armonía, de 6 anos, que vive com os pais, um casal avesso à sociedade contemporânea, em uma cabana sem nenhuma estrutura, na paisagem impressionante e rude da Patagônia argentina. Nem tudo se revela tão idílico, e a menina tem que lidar com o isolamento e problemas de autoestima, e pra isso pede ajuda aos marcianos. Um incidente faz com que tenham que deixar a Patagônia e ir para a cidade. A pequena protagonista Huenu Paz Paredes, que não tinha experiências como atriz e vivia no interior, numa casa sem televisão, foi escolhida entre 600 meninas. O filme fez parte do 14ª Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo em julho.

Mais um filme tem uma protagonista menina, porém adolescente, o road movie intimista Niña Errante, de Rubén Mendoza. Quatro meias-irmãs se conhecem após a morte do pai. Ángela, de 12 anos, vivia com o pai, e não conheceu a mãe, que morreu no parto. Para não ser entregue aos cuidados do Estado, as mais velhas decidem levá-la para uma tia. Para isso, as quatro atravessam o país. Na jornada, enquanto compartilham quartos de hotéis, Angela vai reconhecer em si mesma e em cada uma de suas irmãs a feminilidade, a sensualidade e o desafio de ser mulher na Colômbia. Entre os prêmios, recebeu os de melhor filme de ficção do Festival de Cine Colombiano de Nova Iorque 2019, melhor atriz coadjuvante (Carolina Ramírez) do Festival de Málaga/Espanha 2019 e o Prêmio Únete da ONU no Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana, Cuba, 2018. Foi indicado como melhor filme colombiano no Cartagena Film Festival de 2019.

Pacarrete, de Allan Deberton, é o representante brasileiro na mostra e também trata das autodescobertas femininas, mas numa idade madura. O filme do Ceará vai estrear no Brasil no 47º Festival de Gramado, em agosto. Na história, Pacarrete (que significa margarida em francês), é uma bailarina clássica que retorna à sua cidade no interior, Russas, depois de uma carreira em Fortaleza. Em vez de admiração, conhece o desprezo da população e passa a ser considerada a louca da cidade. O filme tem como protagonista a atriz paraibana Marcélia Cartaxo (A História da Eternidade, A Hora da Estrela) e discute sonhos, loucura e velhice. A estreia mundial do filme foi no Shanghai International Film Festival, o mais importante da Ásia. O elenco tem também as atrizes Zezita Matos (Onde Nascem os Fortes), Soia Lira (Central do Brasil), João Miguel (Estômago) e Débora Ingrid (A História da Eternidade). O diretor Allan Deberton é também produtor e roteirista do filme. Dirigiu os premiados Doce de Côco, O Melhor Amigo e Os Olhos de Arthur.

O FAM 2019 é organizado pela Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais.

Os ingressos já estão à venda no site do CineShow e na bilheteria do cinema.

 

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