Mulheres são as mais afetadas por incontinência urinária

Público feminino representa 75% dos casos, que já atingem 45% das mulheres acima dos 40 anos no País

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Cada vez mais a incontinência urinária vem se tornando um problema de saúde pública, que compromete muito mais do que questões físicas. Ela abala principalmente o bem-estar emocional, psicológico e social dos portadores, atrapalha e até impede uma rotina de exercícios físicos e também afeta a atividade sexual. Um espirro, um esforço para carregar algo pesado, correr, pular  ou até uma longa fila de banheiro podem se transformar em momentos constrangedores de escape de urina.

O público feminino é o mais afetado pela doença: representa 75% dos casos, que já atingem 45% das mulheres acima dos 40 anos no País, segundo pesquisa conduzida pelo Hospital Sírio Libanês, sendo que entre as pessoas com idade superior a 60 anos, de 30 a 60% têm o problema, com destaque para as mulheres, mais predispostas à disfunção do que os homens.

A ginecologista e obstetra Luísa Guedes de Oliveira, que atua em ginecologia regenerativa, conta que atualmente há tratamentos mais modernos, com eficácia e minimamente invasivos para o retorno do controle miccional, evitando em muitos casos uma cirurgia. A Sociedade Brasileira de Urologia estima que mais de 10 milhões de brasileiros sofrem com o problema. Os dados internacionais indicam que a perda involuntária de urina está presente na vida de 1 em cada 25 pessoas no mundo.

— A falta de conhecimento e o tabu de ir em busca de ajuda médica é a maior barreira para o tratamento — aponta a médica.

Segundo ela, muitas pessoas, sobretudo as mulheres, acreditam que a incontinência urinária é algo normal, que muitas vezes faz parte do processo de envelhecimento, quando há queda de produção hormonal (o que afeta o sistema urinário) e também em decorrência das gestações.

— Por conta dessa cultura equivocada, são as mulheres que mais sofrem por falta de conhecimento dos tratamentos — explica a médica.

— Apesar de ser um problema comum, não pode ser considerado normal. A condição pode acontecer em qualquer fase da vida, e em todos os níveis sociais e econômicos, mas hoje é possível devolver a qualidade de vida ao paciente com procedimentos minimamente invasivos, com ajuda da tecnologia — explica.

Diretora sul da Associação Brasileira de Ginecologia Regenerativa e pioneira em Santa Catarina na aplicação de técnicas como laser e radiofrequência na ginecologia, Dra Luísa Guedes, juntamente com o urologista Dr Henrique Rocha, estão utilizando em seus pacientes um tratamento inovador para a incontinência urinária, de uma maneira muito prática, sem dor e sem incômodo. Seus pacientes – homens ou mulheres – sentam em uma cadeira, de roupa mesmo, para sessões de 28 minutos cada. A cadeira emite ondas eletromagnéticas de alta intensidade que fazem contrações da musculatura pélvica.

— Ela gera estímulos na musculatura pélvica profunda e proporciona milhares de  contrações nestes 28 minutos, ou seja, a pessoa fica sentada e reforça a musculatura para tratar a incontinência urinária ou até algumas disfunções sexuais — ressalta Dra Luísa.

— É um potente tratamento e pode ser coadjuvante da fisioterapia — explica a médica ginegologista.

O urologista Henrique Peres Rocha também está utilizando a cadeira para tratar homens com problemas de incontinência urinária ou disfunções sexuais, que podem ocorrer principalmente após a cirurgia de próstata. Em tratamentos cirúrgicos para a próstata, em alguns casos de câncer ou hiperplasia prostática, pode ocorrer incontinência urinária ou disfunção sexual, que podem ser temporárias ou permanentes.

— Assim como na utilização nas mulheres, a cadeira promove a educação neuromuscular do assoalho pélvico melhorando e trazendo uma recuperação mais rápida destes problemas — finaliza o urologista.

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