Conselhos: Use filtro solar e não peça favor a ninguém

Se conselho fosse bom...

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Dizem que, se conselho fosse bom, não era dado, era vendido – mas, se eu fosse dar apenas um conselho a alguém, eu diria: não peça favor. É sério. Seja para amigo, colega de trabalho, familiar, namorado/a – não peça. Mesmo que o tal favor fosse fazer sua vida muito, muito mais fácil. Mesmo que você esteja precisando bastante.

É que, pensando bem (e tirando raras exceções), ninguém curte muito fazer favor, vai. Vou olhar para o próprio umbigo para dar exemplo, para mostrar que eu não estou me excluindo desse lote: eu absolutamente não me importo de dar carona (e geralmente ofereço!) quando sei que alguém está indo para o mesmo lado que eu (até fico feliz, porque eu sei que tenho um grande número de caronas a pagar para o universo); mas acho meio chato quando alguém chega do nada e fala “você pode me levar até tal lugar?” – basicamente porque, se o lugar ficar ruim para mim, meio longe de onde eu vou, eu vou me sentir a pior pessoa em negar; aí não nego e, bom, me atraso porque fui levar a pessoa sei lá onde. Se eu abro um pacote de bolachas ou uma caixinha de chicletes, ofereço para os amigos sem dor no coração – mas morro de ódio quando compro um bombom e a pessoa me pede um pedaço. Um pedaço é metade do bombom! Quando pedem dinheiro emprestado, então, é de chorar. E quando começam a pedir o mesmo favor todo dia? Aí já não parece mais favor, parece obrigação. Limites, gente.

A questão é que, normalmente, pedir aquele favorzinho não parece nada demais – e muitas, muitas vezes, não é mesmo: você pede algo para alguém, a pessoa não faz, e você fica pensando “poxa, mas o que é que custava?”. Nada. Provavelmente, não custava nada. Mas a pessoa podia estar ocupada, podia estar sem tempo, podia estar sem vontade, pode simplesmente ter esquecido. Eu sei que parece um pensamento amargo, mas, a não ser que a pessoa seja muito sua amiga, você não vai ser prioridade. A pessoa vai lembrar depois, ou vai inventar uma desculpa qualquer para explicar que, que triste, “não deu, desculpa”. E você lá, com cara de trouxa por ter esperado uma ajuda que não veio.

Confesso que o estalo de escrever esse texto me veio quando eu falhei em seguir meu próprio conselho e pedi um favor a uma colega de trabalho – que, bom, não fez muita questão de me ajudar. E, sabe, ela nem ia precisar fazer algo super esdrúxulo. Claro que eu fiquei com raiva. Claro que me irritei. Mas, no fundo, no fundo, eu sei que ela não é obrigada a nada. A atitude não foi a mais simpática do mundo, mas, bem, ela devia ter outras prioridades. Outros interesses. Fazer o quê?

Foi até bom – não fiquei com favor pra devolver, e me lembrei do meu próprio conselho: não peça favor. A ajuda vai vir naturalmente quando a outra pessoa for sua amiga de verdade, quando se importar com você, quando quiser tirar um tempinho do dia dela para fazer o seu dia um pouco mais fácil ou mais feliz – e sem você precisar pedir. Aí a situação não fica chata pra ninguém. Porque, como eu escrevi aqui, ninguém é obrigado a nada.

Nem eu vou ser, quando minha colega vier pedir favor. Não é questão de vingança escorpiana, não – imagina. Só estou querendo dar uma lição prática do conselho que eu dei nesse texto. Será que ela vai ler?

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