Não pode! Não sou desses pais que permite que as crianças desenhem na parede de casa

Foto Divulgação

Me ocorreu contar aqui sobre aquela vez em que os conselhos que dei para minha filha pequena se voltaram contra mim. Perceba: não sou desses pais que permite que as crianças desenhem na parede de casa. Sei que existem estes pais, moderninhos e criativos, que acham que é importante a criança se expressar. Também acho, mas não na parede do nosso apartamento.

Permito que durmam sem tomar banho, por vezes; permito que não comam toda a comida que está no prato (meu trauma de infância); permito que comam frutas antes do almoço, arruinando seu apetite; mas não permito que desenhem na parede, nem no sofá, nem nos armários, nem na roupa, nem na mochila. “Não pode riscar!”, eu sempre disse, desde que eram pequenas.

Pois bem, um dia fui chamado para palestrar em um evento ao lado de uma grande personalidade internacional, Steve Wozniak, o programador que ao lado de Steve Jobs fundou a Apple, a empresa que faz o iPhone e os lindos computadores Macintosh. Desde que comprei meu primeiro computador da Apple, em 2008, parcelado em doze vezes na Americanas.com, sou fascinado pelo bom gosto da empresa. Estar em um evento com Steve Wozniak foi, portanto, uma honra.

Horas antes do evento a organização me informou que, além da minha palestra, gostariam que eu ficasse no palco por mais alguns minutos, realizando uma entrevista com Wozniak e conduzindo as perguntas da platéia. Imaginem minha honra: além de palestrar antes do meu ídolo poderia conversar com ele por mais de uma hora em cima do palco. Sei que a memória nos prega peças mas gosto de imaginar que ele admirou meu inglês fluído, riu de uma ou outra observação que fiz de improviso e gostaria de me reencontrar. Imagino que esteja agora em algum lugar da Califórnia pensando como foi agradável aquele dia ao lado daquele brasileiro barbudo.

Depois que saímos do palco ainda tivemos a chance de conversar nos bastidores e, ciente de que me arrependeria se não o fizesse, ofereci meu notebook da Apple para que ele autografasse. “No problem”, disse meu amigo célebre. E escreveu: “Woz”, com uma caneta vermelha. Imaginem minha emoção, meu computador agora tinha um autógrafo do criador de uma das mais valiosas empresas de tecnologia do mundo.

Cheguei em casa radiante, deixei o computador em cima da mesa da sala e fui para o banho. “Que grande dia”, pensei, ainda ensaboando o cabelo. Enquanto colocava o pijama pensei que seria prudente colocar algum tipo de proteção no autógrafo, para que o tempo não apagasse esta valiosa recordação. Fui até o computador e lá estava minha filha pequena, lambendo o dedo indicador e esfregando-o contra a assinatura. “Não pode riscá”, dizia ela enquanto apagava o autógrafo. “Não pode riscá”, ela dizia.