Navy: o estilo que navega de geração em geração

A combinação branco com azul marinho, com toques de vermelho, é a mais comum

Pulseiras acervo, blazer Ammis, body Água de Coco para lojas Mariella, brincos Lize Acessórios e sandálias Antônia Handbags (Fotos: Dari Luiz/Divulgação)

O estilo náutico na moda é atemporal e praticamente qualquer pessoa, de qualquer idade, pode incorporar a aparência em seu dia a dia. São peças icônicas, que incluem casacos e blazers bem estruturados, blusas de malha com gola alta, sapatos e cintos de corda trançados, calças boca de sino, além das pulseiras com elos e as icônicas blusas listradas. A combinação branco com azul marinho, com toques de vermelho, é a mais comum. Não importa de que maneira você vai adotá-lo, mas pode ter certeza: é garantia de sucesso em qualquer estação!

Da marinha para a moda

O clássico uniforme azul marinho e branco listrado que conhecemos são originários da região costeira francesa da Bretanha. O traje dos oficiais da marinha francesa carrega 21 faixas horizontais, uma para cada uma das vitórias de Napoleão. O vestuário nasceu da funcionalidade: o decote reto permitia que os marinheiros se vestissem rapidamente para atender qualquer imprevisto à bordo.

Origem com Chanel

Quando Coco Chanel abriu sua primeira loja de roupas em 1913, na estância balnear de Deauville, na Normandia, introduziu na coleção várias peças vindas do figurino dos pescadores normandos, completamente reinventadas e adaptadas para a moda e para as mulheres.

Graças a sua irmã Antoinette e a tia Adrienne, que usaram os modelos pela cidade, a elegante inspiração náutica de Chanel tornou-se bastante atraente para moças bem vestidas, tanto dentro quanto fora da praia. Poucos anos depois, os modelos estavam nas páginas das Vogue britânica e americana.

Outra referência que Chanel reinventou foram os trajes dos marinheiros franceses. Desta vez, ela criou uma coleção com tema náutico, lá por 1917. Chanel favoreceu silhuetas masculinas para dar poder à sua clientela e foi fotografada ostentando uma blusa listrada, batizada de camiseta bretão, e um par de calças com pernas largas que chamou a atenção das mulheres da época. A alta sociedade logo se convenceu que a estilista estava no caminho certo. O shape rende ótimos looks até hoje.

Reinventado em várias épocas

Seja no vestido marinheiro criado por Mary Quant em 1967 ou por Yohji Yamamoto, que lançou uma versão do estilo exagerado para a primavera / verão de 2007, o visual foi visto várias e várias vezes na moda e até na decoração. Alguns designers captaram mais notavelmente o espírito da Marinha, como Vivienne Westwood, cujo pirata inspirou a coleção “World’s End”, em 1981, e John Paul Gaultier, que em muitas de suas coleções mostrou o fascínio pelo personagem infantil Popeye. Lembrando ainda que Ralph Lauren, cuja marca é um clássico chique americano, apoia fortemente a estética náutica.

Houve tantas reencarnações do estilo desde que as blusas listradas de Chanel se tornaram populares no início do século 20 que seria quase impossível mensurar aqui. Que seja eterno, então, pois eu amo muito!

Nos primórdios

Acreditem: os créditos do estilo náutico, segundo a história, vão para a rainha Vitória. Ela foi a primeira dama a experimentar, em um dos filhos, o estilo navy: em 1846, vestiu Albert Edward, Príncipe de Gales, de quatro anos de idade, em um terno de marinheiro para usar a bordo do Royal Yacht. Quando o menino apareceu diante do público, oficiais e marinheiros que estavam reunidos no convés para vê-lo o aplaudiram. O príncipe William usou uma cópia exata no casamento do príncipe André e da duquesa de York em 1986.

Mudando de assunto! Já estou de olho no inverno 2019

A cowgirl fashion: A moda se inspirou e olhou para os Estados Unidos nesta temporada. Vejo uma pitada do estilo country, com um olhar chique, aparecendo nas coleções e vitrines da próxima estação fria. As marcas deram ainda um novo tom para os detalhes das franjas, que fizeram toda a diferença e acrescentaram um ar de glamour nos looks que seguem o estilo.

Casacos acolchoados: O conforto produzindo volumes acolchoados em novas proporções apareceu na passarela de Alexander McQueen, um pouco mais clássico e discreto na Chanel e em formas híbridas e tecidos de alta tecnologia na Sacai. Ótima opção para o nosso inverno e para quem gosta de curtir um friozinho pela região Sul.

Ombros estilo 1980: A moda continua o seu caso de amor com a década de 1980, encarando os ombros com suas versões cada vez mais extremas e impensadamente exageradas. Quem vai encarar?

Parkas: Eu gosto muito e apareceram demais nas passarelas internacionais, oferecendo proteção contra o frio do inverno com níveis variados de excentricidade, desde montanhas de material superdimensionadas até versões leves e arejadas, cortadas em formas e tamanhos contemporâneos.

Peles falsas: Com boas causas, projetos de caridade e um simples desejo de proteger o planeta, a moda está ficando verde. A última luta? Uma manifestação a favor das peles falsas, liderada por Stella McCartney e acompanhada por Gucci, Givenchy, Calvin Klein, Ralph Lauren, Michael Kors e Filosofia de Lorenzo Serafini. Podem aderir que além de politicamente correto vai bombar no inverno!

Brilho intenso: As lantejoulas iluminaram as passarelas das últimas Fashion Weeks. Peças longas e cintilantes dominaram as coleções, desde macacões dos anos 1980 a elementos vistos nos clubes e boates vintage. Aposte! Com certeza você irá brilhar neste inverno.

Cachecóis e bandanas: De florais a padrões mais lisos, talvez pegando carona no estilo country, as estampas nos lenços e afins foram usadas e abusadas nas passarelas, realizando um certo flerte com o kitsch. Uma tendência de moda que talvez decole, saindo das convenções e estilos tradicionais e jogando o estilo ao vento, para um visual tão glamoroso quanto divertido.

Holograma: O denominador comum nas principais coleções de inverno trazem materiais ultra-refletivos e de alto brilho. Do deslumbrante ao holográfico, a aparência futurista deve ser intensa no inverno.

Tendência boudoir: Vestidos que parecem camisolas nas passarelas provaram, mais uma vez, que as roupas de dormir não estão restritas às noites de sono!

Animal print: Não adianta se desfazer dos looks com esta estampa do seu closet, eles vão e voltam e neste inverno chegam com força. A impressão felina continua a se destacar nas tendências do dia a dia e no glamour noturno.

Participaram deste editorial:

Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda:
Lise Crippa
Modelo: Lara Meneghel – Ford
Models SC
Fotos e tratamento de fotos:
Dari Luz
Produção de cena: Larissa Maldaner
Ajudante de produção: Luisa Lobato
Beleza: Larissa Maldaner
Agradecimento especial: Evandro e Graciele Parente e ao marinheiro Willian Pinheiro
Marcas e lojas participantes: Água de Coco, Ammis, Cheroy, Antonia Handbags, Carmen Steffens, Chanel, Hit Closet, Hermès, Lojas Mariella, Lize Acessórios, Mariana Pelegrini, Renata Ouro, Skazi, Tida, Vero Chapéu

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