Dia do abraço: não existe maior poder no mundo do que o de fazer o outro sentir-se amado

Foto Elena Shumilova, Divulgação

O que marca nossa vida, no final das contas, são as tradições que mantemos com os nossos e conosco. Lá no futuro, com o olhar para trás da nossa estrada, as marcas formadas por nossos hábitos serão nosso legado mais duradouro.

Gravando um vídeo com meus sobrinhos, perguntei para eles o que eles mais gostavam de nossa convivência e caí em mim num susto muito gostoso porque a resposta foi: “as nossas tradições!”.

Desde a barriga eu sempre pratiquei um tipo bem humorado de “lavagem cerebral”: “Quem é a melhor Tia do mundo? É a Titia Vá”. Nossa família toda já sabe que não existe outra resposta para a mesma pergunta, e sempre damos um sorriso de lado quando eu digo: “Quem acertar a resposta para essa pergunta ganha…” – daí meus sobrinhos nem esperam que eu termine a frase e dizem: “Titia Vá”. Qualquer coisa “do mundo” é a Titia Vá. É muito divertido.

Minha mãe um dia me disse que a cota mínima de abraços diários para reenergizar e passar amor é o número de 12 abraços. Ela vinha e me abraçava: Um, dois, três, quatro…doze – me apertando carinhosamente em cada um. Quando eu vi, passei isso para eles – mas ao invés de 12, damos 20 abraços – para um extra “cabalístico” de 8 – caso o dia demande mais.

Nos damos 20 abraços, eu dou um beijo na testa e digo que amo muito, eles dizem que amam mais… aquela história toda de muito mimo e fofura. No fim, é maravilhoso perceber que dois minutos de abraços são capazes de demonstrar anos de entrega e afeto.

Tenho um mestre que faz absoluta questão de estar com os filhos sempre que pode, mas que há uma agenda inegociável de encontro exclusivo dele com os filhos, que é no Dia dos Pais. Faz tanto sentido para mim. Um momento de exclusividade, de foco de atenção pleno, que aprofunda, marca, torna íntimo – cada vez mais.

Engraçado que penso sempre que, se eu tiver mais de um filho, também vou querer um momento só meu com um, depois um momento só meu com o outro – sem largar mão de nós três juntos, e nós 4 em família, com o Ricardo. Também, lógico, um momento só meu e dele, para dar umas bitocas e lembrar que antes de nos tornarmos pais já éramos namorados para sempre. Cada relação precisa do seu dia e do seu momento e, principalmente, de suas tradições.

Acabo de voltar do centro com a minha mãe. Fomos em minha consulta médica juntas e na saída ela disse: “Vamos na ótica rapidinho? Vi um óculos que eu gostei”. Não lembro da última vez que minha mãe comprou um óculos sem que eu estivesse com ela. Eu provo junto, bato foto do óculos no rosto dela, fazemos nossa votação, óculos escolhido… e lá se vão anos de ótica – e também de idas até Balneário Camboriú, que ela ama, marcando parte de tudo o que a gente sempre vive juntas. Porque certamente não existirá nada em mim sem as tradições que ela imprimiu em minha vida e em nossa família, que são lembradas e são marcantes desde sempre.

Tem uma linguagem do amor que é o “tempo de qualidade” – quando a gente se dedica exclusivamente ao outro, naquilo que ele ama fazer. Certamente é a linguagem da minha mãe, e de muitos de nós. Sinto que não existe maior poder no mundo do que o de fazer o outro sentir-se amado a sua maneira. E eu me sinto tão feliz por isso.

Quais são as tradições, os 20 abraços, e a ótica de cada uma das relações mais importantes para nós? O que podemos fazer hoje para criar hábitos que serão o nosso mais verdadeiro legado?

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