Referência a Damares e homenagem a Jean Wyllys: veja novo clipe de Daniela Mercury e Caetano Veloso

"Abra a porta desse armário, que não tem censura pra me segurar", dizem os dois na letra do novo hit

daniela mercury
"Vai de rosa ou vai de azul?": letra da música lembra fala polêmica da ministra Damares. Foto: Reprodução/YouTube

Não faltou polêmica no novo videoclipe de Daniela Mercury, Proibido o Carnaval, divulgado nesta terça-feira (5) no YouTube. Cantada em parceria com Caetano Veloso, a canção que clama pelo fim da censura no cotidiano – principalmente no Carnaval – já teve mais de 400 mil visualizações em menos de 24 horas após ser publicada.

Há referência às declarações controversas da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, de que meninos deveriam usar azul e meninas rosa. Na letra, os dois falam das duas cores e tratam de liberdade sexual com trechos como “Abra a porta desse armário/ Que não tem censura pra me segurar” e “Minh’alma não tem roupinha/ Minh’alma não tem caixinha/ Minh’alma só tem asinha”.

A produção ainda homenageia o deputado federal eleito pelo PSOL Jean Wyllys, que decidiu abrir mão do cargo e sair do país por causa de ameaças de morte contra ele e sua família. Ao final do vídeo, aparece a mensagem: “Dedico este videoclipe ao meu amigo amado e incansável guerreiro Jean Wyllys. Estamos te esperando de volta: o Carnaval não está proibido! Axé!!!”.

Confira o videoclipe de “Proibido o Carnaval”

Rainha só tem uma

Ainda em ritmo de polêmica, Daniela Mercury foi defendida pelos fãs na última segunda-feira (4) em um show em Salvador. Durante o intervalo entre duas canções, o público entoou “Uma, uma, uma, rainha só tem uma”. A reação foi vista como uma resposta às acusações de apropriação cultural contra a cantora, feitas por Larissa Luz.

Em uma apresentação em 26 de janeiro, Luz fez uma crítica para a “branquitude em geral”, segundo suas próprias palavras:

— Está na hora de parar de usar um discurso que não é seu para lucrar. Está na hora de parar de usar um lugar de fala que não é seu para ganhar. Porque preto de alma não existe! O Brasil é um país que mata, é um país que humilha, é um país que condena a cor da pele e não a cor da alma! Quem é preto é preto. Quem não é não é.

Muitos viram o desabafo como uma desaprovação direta à canção Pantera Negra Deusa, de Mercury, cheia de referências ao filme Pantera Negra, da Marvel. A baiana não se posicionou sobre e o caso, nem fez comentários durante a apresentação em que os fãs se manifestaram.

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