“O amor é o que carrega o mundo nas costas”, diz Erasmo Carlos, que se apresenta em SC

Ele retorna ao Estado depois de quatro anos para apresentações em Blumenau, no dia 20, e em Florianópolis, no dia 22, com um repertório que apresenta Amor É Isso, mas também clássicos da carreira

Erasmo Carlos
Erasmo Carlos (Foto: Cesar Valle/Divulgação)

A fama de mau que o consagrou não combina com o Erasmo Carlos de 77 anos, com mais de cinco décadas de carreira, que apresenta em Santa Catarina, na próxima semana, o disco Amor É Isso. O novo trabalho conta com poesias escritas por Erasmo ao longo de sete anos, e tem parcerias com músicos como Emicida, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Marcelo Camelo e Marisa Monte. Gerações se unem nas composições que têm como proposta, segundo o cantor, mostrar as mais variadas formas de amor. Para Erasmo, este sentimento é a principal força capaz de mudar o mundo.

Ele retorna ao Estado depois de quatro anos para apresentações em Blumenau, no dia 20, e em Florianópolis, no dia 22, com um repertório que apresenta Amor É Isso, mas também clássicos da carreira, como Sentado à Beira do Caminho. Erasmo não renega o passado, mas não tem um discurso saudosista. Fala do presente, comemora feitos – como a homenagem que receberá no Grammy Latino neste ano -, das investidas no cinema e na literatura, e diz ter vitalidade para fazer muito mais.

Vive o aqui, o agora, não faz projetos ambiciosos e mantém a humildade de um músico em início de carreira, que pretende, com suas canções, inspirar.

O que os catarinenses podem esperar dos shows em Blumenau e Florianópolis?

O show está indo muito bem pelo Brasil. A gente já estreou no Rio de Janeiro, em São Paulo, Aracaju, e a expectativa é ótima. É um trabalho muito feliz que eu tive, apoiado de amigos, dessa constelação linda que me cerquei, como Arnaldo Antunes. Se chama Amor É Isso. E a gente está na estrada por aí.

Esse disco tem grandes parcerias com Marisa Monte, Marcelo Camelo, Samuel Rosa, Emicida. Como foi essa escolha?

Eu quis falar de amor como conceito. Aquele amor maior, que encampa todos os amores. Aquele amor total, que é infinitamente elástico, que engloba todos os outros. O amor pelos pais, pela pessoa amada, pelos objetos, pela natureza, por Deus. Aquele amorzão que encampa os amores todos. E fiz isso em forma de poesia que eu escrevi para minha mulher (Fernanda) ao longo de sete anos. Foram 111 poesias, e pela primeira vez eu musiquei poemas em vez de fazer letras para música. Pedi ajuda dos meus amigos mais constantes, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Marcelo Camelo, e eles me ajudaram. Então, saiu Amor É Isso, que é o conceito deste disco novo.

 

Acredita que nesse momento que a gente vive no país, com tanto discurso de ódio e violência, é importante estar cantando o amor?

Acredito principalmente nisso. É uma necessidade. O amor é o que carrega o mundo nas costas, o amor é tudo, é a nossa vida. E é importante lembrar disso. Há pessoas que acumulam tanto ódio que se esquecem até do amor.

Você também está preparando um livro de poesias. O que podemos esperar?

Eu fiz algumas coisas com este disco, mas as outras poesias eu vou publicar no ano que vem. São pautadas pelo amor. O amor é o que rege minha vida.

Você receberá o Prêmio do Compositor Brasileiro, concedido pela União Brasileira dos Compositores (UBC), e será homenageado no Grammy Latino também este ano. Como recebe este reconhecimento ao seu trabalho?

É uma honra, fiquei feliz pra caramba. Um reconhecimento internacional me deixa muito contente, porque está atravessando fronteiras. E também tem o prêmio da União Brasileira dos Compositores que eu ganhei. Então estou o rei dos prêmios. Só dá eu.

Isso te motiva a fazer algo diferente, continuar na estrada, criando?

É bonito porque você recebe um incentivo. Por incrível que pareça, todos os artistas precisam de incentivo. Embora eu tenha uma carreira longa, tenha um monte de coisas lindas, maravilhosas que aconteceram na minha vida, sempre tem a concorrência, a disputa, aquela coisa toda. Aquilo de ter que fazer, ter que fazer. Quando você ganha uma coisa assim você pensa “opa, eu tô legal, tô vivo, tô na competição, tô fazendo e acontecendo”.

O cenário musical brasileiro mudou muito desde que você começou na música? Como avalia as mudanças?

Ah, meu bem, eu não sei. Nenhum artista sabe, ninguém sabe. As coisas estão acontecendo e a gente vai vivendo, vai dançando conforme a música. O sistema, a gente segue e vai vivendo. Ninguém sabe o que vai acontecer amanhã, quais vão ser os rumos da tecnologia. Ninguém sabe o que vai virar a internet, se é Deus ou o diabo. E as pessoas vão vivendo, vão atropelando tudo, vão deixando certos valores. Tudo faz parte do mistério da vida, desta aventura que é viver. E já que é assim pra todo mundo, não custa nada a gente viver bem intencionado, com muito amor, se possível com humor também, porque a gente enfrenta as coisas de uma forma bem mais digestiva.

Quem é o seu público hoje? Você percebe que tem formado novos fãs?

Eu noto que tem um novo público, principalmente pela movimentação das minhas redes sociais. Meu canal no Youtube, meu Facebook, Twitter, Instagram. Eu percebo a movimentação do público que acompanha minha vida nas plataformas digitais. Vejo o aumento crescente da execução dos meus discos, e atribuo isso às coisas que estou fazendo agora. Porque o jovem, a nova geração, gostando das coisas que eu faço agora, vai procurar saber o que eu fiz. E se gostarem do que eu fiz, eles assumem o antigo como se fosse novo. E aí gostam mais de mim. Então, eu ganhei um novo fã.

E tem ganhado novos fãs não só pela música. Em maio estreou no cinema o filme Paraíso Perdido e em novembro sai sua cinebiografia, Minha Fama de Mau, baseada no seu livro. No primeiro, a atuação parece muito natural. Foi isso mesmo? Como se preparou para viver o personagem?

Eu não sou ator, eu faço o papel que me pedem pra fazer. As pessoas gostam ou não gostam. Nessa brincadeira, eu já ganhei a Coruja de Ouro em 1972 pelo filme Os Machões, que fiz com Reginaldo Faria. Era o prêmio mais cobiçado da época, o Oscar do cinema brasileiro, era o Kikito daquele tempo. Sem ser ator eu ganhei um prêmio, então eu continuo brincando. Eu gosto, é um dos segmentos artísticos pelo qual eu tenho simpatia.

Sobre Minha Fama de Mau, você está acompanhando a produção? O que espera do filme?

Eu só escrevi o livro e vendemos os direitos. Não tenho participação nenhuma. Vou ver o filme junto com vocês. A surpresa que for pra você vai ser pra mim também.

Música, cinema, literatura. O que mais a gente pode esperar de Erasmo Carlos?

O que vier, o que surgir, você pode estar certa que vai ser feito sempre com muito amor, como tudo o que eu faço. Eu não costumo fazer muitos projetos, vou deixando a vida acontecer. O meu projeto é sempre estar em atividade. Eu sempre estou escrevendo, compondo, viajando, fazendo shows. Isso movimenta minha vida, me torna visível, e vai puxando outras coisas. As pessoas vão se lembrando de mim e me chamando para fazer novas coisas.

Você costuma vir a SC? Tem uma relação com o Estado?

Fazia uns três anos que não ia. Tem músico que tem família aí, o Rike Frainer, baterista, é de Indaial. Eu fui muito feliz aí nas vezes em que fui. Tenho recordações lindas, maravilhosas. Fiz o projeto Pixinguinha nos anos 1970 com As Frenéticas e Sergio Sampaio, fizemos vários shows em Blumenau, Florianópolis, e foram inesquecíveis.

Serviço

Erasmo Carlos em Santa Catarina

Em Blumenau, dia 20/9, às 20h30min
Em Florianópolis, dia 22/9, às 20h30min

Quanto: R$ 200. Em Blumenau, DESCONTO DE 50% PARA SÓCIO DO CLUBE NSC na compra do ingresso antecipado no site Portal Ticket. Em Florianópolis, DESCONTO DE 40% PARA SÓCIO DO CLUBE NSC na compra do ingresso antecipado no site Portal Ticket.

Onde: Teatro Carlos Gomes (Rua Quinze de Novembro, 1.181 – Centro, Blumenau)
Teatro Ademir Rosa – CIC (Florianópolis)