O minimalismo está de volta à moda nesta temporada

Prepare-se para abraçar as “coisas simples da vida”. Está de volta uma tendência forte durante os anos 1990, com cores pálidas e alfaiataria andrógina

Fotos Dari Luz, especial

Raramente passo por uma loja Max Mara, marca italiana símbolo de elegância e de uma alfaiataria impecável, sem, no mínimo, suspirar. Embora o glamour da alta costura e a excentricidade dos grandes desfiles me deixem deslumbrada, sou adepta da simplicidade e do estilo clássico. Quem diria que na adolescência admirei, e usei, as peças em cores berrantes do estilo new wave!

O tempo se encarregou de promover algumas mudanças, que me treinaram para um novo olhar sobre tudo o que é simples e que diz respeito à moda. Talvez seja um senso de organização, algo ligado à idade, ou uma consciência do ponto de vista: menos é mais. Formas estratégicas e elegantes, em tons monocromáticos, de preto ao branco, do nude ao cinza, são meu maior delírio fashion hoje em dia.

“Em plena sintonia com a consciência do momento e o espírito do tempo, a moda experimenta agora uma polarização inédita: maximalismo versus minimalismo. O novo embate se materializa como consequência, na vida real, do excesso de imagens, originais ou forjadas, da estética digital. E dá a medida exata da confusão estabelecida entre ser e parecer”, revelou recentemente Constanza Pascolato, em matéria escrita por ela.

Minimalismo

Sapato Melissa, bolsa de crochê Gianne Becker Handbags, colar Gabriela Faraco e look total cholet para strass acessórios e roupas

Já estou comemorando! O minimalismo está de volta à moda nesta temporada. Prepare-se para abraçar as “coisas simples da vida”. Foi uma tendência bem forte durante os anos 1990, com cores pálidas e alfaiataria andrógina. Algumas marcas de peso estão revisitando a sofisticação que definiu o estilo vindo daquela década, com novos diretores criativos de ponta à sua frente.

Jil Sander, Hugo Boss e Calvin Klein estão entre os mestres da moda minimalista. Jil Sander é uma estilista alemã que se tornou sinônimo deste tipo de design, com sua estética construída em torno da confiança tranquila, de roupas definidas por linhas limpas, formas inteligentes e a versatilidade de alfaiataria solta. E foi dela que busquei referências para produzir as fotos desta coluna.

Ao criar uma silhueta idêntica para homens e mulheres, as marcas procuram enfatizar o impacto das formas neutras em termos de gênero, um tema que o próprio Calvin Klein revisitou ao longo de sua carreira. Outras peças incluem ternos coloridos em tons suaves de azul, laranja e roxo, cortados com um ombro arredondado e quase acolchoado – um estilo visto em várias passarelas nesta temporada.

Sobre misturar e combinar

Sapato: melissa, vestido Regina Salomão para Strass Acessórios e Roupas, camisa AHA e jaqueta em matelassê Tommy para Strass, brincos e aneis Gabriela faraco

Muitos designers internacionais têm se sentido habilidosos para os trabalhos artesanais. No último ano, as passarelas mostraram alguns looks e acessórios com inspiração em colchas modernas, patchworks e, mais visivelmente, o crochê. A vibe parece que começou forte em 2017, quando Jonathan Anderson mostrou sua afinidade com as malhas da avó em seu desfile de moda masculina de outono.

Enquanto isso, Jeremy Scott criou vestidos coloridos para o Resort 2017. Esses designers deixaram claro que o crochê não é só para senhoras idosas e levaram a tendência da passarela para as ruas. O material é inusitado e extremamente experimental. É exatamente isso que os fashionistas amam! Combine uma peça de crochê com uma jaqueta de couro, ou um top de tricô.

De Floripa

Amo peças artesanais, principalmente quando são feitas por gente da terra. As duas bolsas de crochê desta coluna foram confeccionadas pela Gianne, da marca Gianne Becker Handbags. Há um ano no mercado, a designer faz os modelos sob encomenda, mas sempre tem algumas bolsas e clutchs prontas para a venda.

Gianne realiza trabalhos manuais desde os 13 anos e, em 2017, pegou carona na tendência do crochê moderno, viu uma bolsa do material e gostou. Incentivada pela irmã Gizelle, começou a vender:

– Minhas bolsas são feitas com fio de malha, um material que sobra da indústria têxtil. São ‘restinhos’ das roupas, então sempre têm as cores da estação e os materiais da moda e da hora – revela.

Futurismo

Sapato: melissa, vestido Natália Dias, bolsa Gianne Becker Handbags e brincos Gabriela Faraco

Inspirada em Asgardia, um projeto futurista de sociedade espacial pautada na igualdade e na pluralidade, a coleção MERGE, de Natália Dias – que se formou recentemente pelo curso de moda da Udesc. A coleção reflete sobre a união de realidades distintas que encontram num propósito comum o seu ponto de confluência: o anseio por uma vivência harmônica e pacífica.

Em uma atmosfera dual, shapes minimalistas se fundem à riqueza dos detalhes em formatos orgânicos. O fluido se alia ao estruturado e a transparência da organza de seda contrapõe os tecidos opacos como o neoprene, buscando nas divergências um conjunto consonante.

Sobre Asgardia, Natália explica que se trata de um grupo de cientistas e pessoas do ramo espacial que criou uma nação espacial, mas ainda estão em busca de reconhecimento da ONU. O que dificulta o reconhecimento é que eles não têm um território de fato, mas lançaram um satélite no espaço para garantir que, de alguma forma, algo de Asgardia já esteja por lá.

Matelassê

Brincos Gabriela faraco, casaco Moncler, camisa AHa, bolsa Gianne Becker Handbags, boné Gucci e calça Maria Filó

A palavra matelassê vem do conceito de origem francesa “matelasser“, que quer dizer “acolchoar”. A técnica foi criada por Robert Elsden, homenageado em 1745, pela Sociedade das Artes Manufaturas e Comércio por sua inovação. Acredita-se que Elsden tentou copiar o estilo de colchas artesanais encontradas no sul da França, cuja produção era feita à mão com quatro conjuntos de fios em teares.

Já Coco Chanel fez sua versão em 1955. Se tem como registro que foi inspirada nas roupas dos jóqueis. Christian Dior, em 1947, já tinha desenvolvido o seu shape clássico, tipo Cannage, inspirado numa cadeira usada no seu primeiro desfile, na loja da Avenue de Montaigne, em Paris.

Em 1992 Miucha Prada lançou a Miu Miu, grife mais jovem e acessível, “filha” da já existente Prada. O matelassê criado por Miucha foi o grande hit da vez, com formato criativo e inovador. Daí por diante a textura aparece direto nas coleções e em looks totais ou detalhes.

Já as bolsas…

Bolsa celine, camisa AHA, vestido Animale para Strass e colar Gabriela faraco

A tendência é exagerar com modelos sempre maiores e volumosos que o normal e que caracterizam sozinhos o seu visual. As maxi-bags são muito próximos das bolsas de viagem, em termos de conceitos e dimensões, e são consideradas verdadeiros acessórios fashion da vida cotidiana. Ideais se você é uma daquelas mulheres que quer levar tudo, mas tudo mesmo, dentro delas, ou se você gosta de se destacar na multidão.

Das dobradas da passarela de Phillip Lim, carregadas na mão rente ao quadril, às da Proenza Schouler, há versões floridas na Self-Portrait, de couro na Tibi e de referência náutica na Monse. Tudo para agradar às meninas que já estão convencidas de guardar por um tempo as suas minibolsas!

Participaram deste editorial

  • Produção executiva, produção, styling, pesquisa de moda: Lise Crippa
  • Modelo: Amanda Pickler/DN Models
  • Fotos e tratamento de fotos: Dari Luz
  • Produção de cena: Larissa Maldaner
  • Beleza: Larissa Maldaner
  • Agradecimento especial: Mercado Sehat – Jerônimo Coelho 308, centro e Fillippe de Simas
  • Marcas e lojas participantes: AHA, Animale, Celine, Cholet, Gabriela Faraco, Gianne Becker Handbags, Gucci, Maria Filó, Melissa, Moncler, Natália Dias, Strass Acessórios e Roupas, Regina Salomão, Tommy
Leia mais:
Básicas e versáteis: camisas brancas vão dos looks mais simples aos mais sofisticados
Verão com elegância: saiba como usar alfaiataria na moda masculina mesmo na época mais quente do ano