O professor não vai desaparecer

A perspectiva de pai e a ótica do educador estarão nas páginas de um livro

Foto: pixabay

Nos últimos cem anos, a forma como nos locomovemos foi transformada, a medicina evoluiu, o acesso à informação se multiplicou, novas profissões foram inventadas, mas a sala de aula continua muito parecida com o que era em 1919. É um ambiente que apresentou novidades teóricas (Montessori, Waldorf, Reggo Emilia, etc) e técnicas, como lousas interativas, uso de computadores e até óculos de realidade virtual nas instituições mais moderninhas. Mesmo assim, os locais de aprendizado urgem por transformações, já que o mundo todo foi transformado e a escola fez pequenas melhorias incrementais.

Partindo dessa urgência, eu e o extraordinário professor Gustavo Borba escrevemos o livro A Escola do Futuro, uma publicação de textos sobre o futuro da educação – eu, falando da perspectiva de pai, ele da ótica do educador, que será lançado nesta segunda-feira, dia 18.

O que achamos é que os ambientes de aprendizado serão mais diversos, as tecnologias impactarão os estudos, os professores terão que se reinventar, o conceito antigo de período de aprendizado não se aplicará em um mundo que muda tão rápido. Na sociedade moderna, o aprendizado deve ser constante. Será muito mais provável que o futuro seja de aprendizado incessante, o que reposiciona a figura do professor como um mentor que facilitará o aprendizado em diversas áreas para alunos de todas as faixas etárias. O professor não vai desaparecer, ele se tornará mais importante, mas terá que trabalhar com novas ferramentas tecnológicas. A Geração Z, nascida de 2000 pra cá, é a primeira geração da história que aprende qualquer coisa a qualquer hora, confortavelmente da tela que está no bolso de todos.

As previsões são de que a maioria das profissões que a Geração Z vai exercer ainda não foram inventadas. Portanto, o que ensinar para alunos que trabalharão em áreas que ainda desconhecemos? Segurança de sistemas? Aprendizado profundo de máquinas? Inteligência Artificial? Realidade Misturada? Tudo indica que as grandes habilidades a serem desenvolvidas na próxima geração devem ser habilidades tipicamente humanas: trabalho em grupo, empatia, inteligência emocional, criatividade, pensamento crítico, capacidade de adaptação. Aquelas coisas que a máquina não faz. Como disse o escritor Alvin Toffler: “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender, e reaprender”.

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