Pergunte a uma criança: o que é o amor?

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“É o que faz você sorrir quando você está cansado”, respondeu uma criança de quatro anos. Crianças respondem de forma espontânea, não caem no lugar comum adulto. Uma pessoa crescida, cheia de clichês, responderia que é um sentimento profundo que nos faz querer estar perto de outras pessoas. Mas é um resposta pré-pronta.

Crianças tentam explicar o mundo que vêem elaborando respostas melhores, autênticas. “Quando alguém ama você a maneira como ela fala seu nome é diferente. Você sabe que seu nome está seguro na boca dela”, disse uma, de sete anos. Você sabe que está seguro na boca dela.

“Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e bebe um golinho antes de lhe dar, pra saber se está realmente bom”. “Amor é quando você diz a alguém que gosta da camisa dele, então ele a usa todos os dias”. “Amor é quando seu cachorro lambe sua cara mesmo depois de você deixá-lo sozinho em casa o dia inteiro”. “Amor é quando você beija o tempo todo. Então, quando você cansa de beijar, você ainda quer estar junto da pessoa pra conversar mais. Minha mãe e meu pai são assim”.

O amor nunca é bruto. O amor não agride. O amor é paciente, tem sempre mais cinco minutos. Toma cafés demorados. Aceita ligações. Tem tempo para papo furado. Dorme abraçado, agradecido. O amor não se deixa pra depois. “Você não deveria dizer “eu te amo” a menos que seja verdade. Mas se for, você deveria dizer o tempo todo. As pessoas esquecem”.

O amor se cultiva e quando está maduro se distribui. O amor é mais forte do que aquilo que é anti-amor. Ele opera em silêncio. Ele é contagioso. “Eu sei que minha irmã mais velha me ama porque ela me dá todas as roupas velhas dela e tem que sair pra comprar roupas novas”, disse uma menina de quatro anos. O amor é sem vergonha.

Há uma coisa que nós adultos sabemos mais do que crianças. Que a vida não é pra sempre. Que nossos corpos envelhecem. Que nossos filhos crescerão. Precisamos ser românticos. Acreditar que nossa vida, nossos minutos aqui são valiosos demais pra serem perdidos. Que a vida deve ser preenchida com amor. Que, talvez, seja o sentido de estarmos aqui. E que tudo o que precisamos saber já sabíamos, quando éramos crianças.

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