Por que tanta gente opta por largar tudo e viajar o mundo de Kombi?

Conheça histórias de catarinenses que fizeram esta opção e entenda por quê o veículo é o queridinho dos viajantes

Thiago e Melina Floriani (Foto: Renata Larroyd)

Já pensou em largar tudo e dar uma volta pelo mundo? A ideia tem motivado cada vez mais pessoas que decidem enfrentar a vida sem rotinas e, seja por desespero ou coragem, largam tudo para se aventurar nas estradas. Nos últimos anos, muitos catarinenses tomaram essa iniciativa.

— Pode ser por um sentimento de insatisfação com o que se tem ou a simples busca por algo novo, diferente. As motivações das pessoas são as mais distintas e depende também do momento que cada um está vivendo, seja momento na vida pessoal ou na carreira — observa a psicóloga Letícia Polli dos Anjos.

Para Melina Floriani e o marido, Thiago Floriani, a decisão de sair de Florianópolis e seguir viagem veio de um sonho em comum: morar na estrada.

— A ideia de largar tudo para iniciar essa aventura foi de certa forma tranquila e natural, pois já estava sendo amadurecida por anos. Acreditamos que, além de saber que muitas novas experiências estariam à nossa espera, distanciar-se de nossas vidas comuns por um tempo é dar a chance para outras interpretações e formas de enxergá-las, e, a partir disso, viver com corações e mentes ainda mais abertos — contou Melina.

Assim como Melina e Thiago, o casal Arthur Ferrari, de Floripa, e Kolja, da Alemanha, também colocou o pé na estrada e adotou o estilo de vida nômade.

— Eu já vivi alguns desafios grandes nessa vida, fui um tempo para China para fazer um trabalho voluntário, mudei do Brasil para Alemanha, fiquei um tempo pegando carona sem falar francês no Sul da França, sempre estive envolvido em algumas aventuras, mas pensei que queria fazer alguma coisa muito grande e decidi: quero dar uma volta ao mundo — relatou Arthur.

Arthur Ferrari, de Floripa, e o namorado Kolja Foto: @novonomade

O trajeto dessas duas viagens é diferente: enquanto o casal Floriani planejou passar por 12 países da América Central e da América do Norte, o casal nômade Arthur e Kolja incluiu a Ásia e Europa no projeto depois de uma temporada na América do Sul e América Central. Mas eles têm algo em comum: estão a bordo de uma Kombi.

Viajar de Kombi pelas estradas do mundo parece ser uma preferência, principalmente entre os brasileiros. Já contamos aqui na Versar a história do grupo de amigos de Canoinhas que percorreu seis países com o carro, falamos sobre o casal catarinense que fez uma expedição de Kombi pelo Uruguai, Argentina e Chile, e constantemente recebemos histórias tão aventureiras quanto estas, a maioria envolvendo uma Kombi. Foi então que nos perguntamos: o que é que a Kombi tem?

Preço e paixão: o que motiva essa escolha?

Os bancos não são de seda, nem os revestimentos de ouro, como os brincos e roupas da baiana de Dorival Caymmi. Então, o que faz a Kombi ser a queridinha dos viajantes? Para a viajante Melina, a explicação está além da paixão pelo estilo.

— Depois de comprar o nosso fusquinha 68, apelidado de Guerreiro, foi fácil decidir qual carro seria o responsável pela nossa aventura. A Kombi, a nossa Aventureira, é perfeita pra isso. Tem mecânica simples e universal, tem o espaço que precisamos, um ótimo custo benefício e, além de tudo isso, abre portas com sua simpatia.

A Aventureira é a Kombi do casal Floriani (Foto: Arquivo pessoal/ @giraffesontheroad)

Arthur tem uma explicação mais prática e financeira:

— Nós percebemos, por exemplo, que estávamos num lugar sensacional no Uruguai, mas as possibilidades de transporte público ao redor nos limitavam um pouco. Nós fizemos muita coisa de carona também, que é legal, mas não é muito nosso perfil de viajante. Além disso, nós planejamos a viagem sempre com datas muito travadas por causa do Airbnb e prazos para entrar e sair dos aluguéis. Foi aí que nós percebemos que morar dentro do carro iria facilitar. E com um orçamento muito baixo, a Kombi, no caso a Trudy, foi nossa melhor decisão.

A Trudy é a Kombi do casal nômade Arthur e Kolja (Foto: @novonomade)

Segundo o mecânico especialista em Kombi, Everton Lorival, que trabalha há cerca de 15 anos com o modelo da Volkswagen, economia não é a maior vantagem do carro que costuma andar entre 80 e 100 km/h, já que o consumo de combustível é muito parecido com outros carros mais modernos. Mas o carisma atrai.

— Normalmente colocam até nome nos carros e vai criando carinho. Todo mundo que passa cumprimenta, elogia o carro. Querendo ou não, é um carrinho simpático, né? Ela cativa. E dá para colocar colchão, é fácil de mexer. Então o que atrai é a praticidade mesmo. A maioria das pessoas que viajam com a Kombi em passeios longos investem para morar dentro e chegam a pagar até R$ 90 mil em reformas.

A Trudy e a Aventureira receberam reformas também, e todo esse processo é contado nas redes sociais e blogs de cada um: A Aventureira, do casal Floriani, passou por revisão mecânica, ganhou nova lataria e pintura, além de isolamento térmico, móveis e alterações da parte elétrica, enquanto a Trudy, dos nômades, foi inspirada em Kombi’s que encontraram na internet, além de terem acrescentado ideias próprias, como uma caixa d’água que funciona só com a força da gravidade.

Casal Floriani (Foto: Arquivo pessoal / @giraffesontheroad)

Independentemente dos custos, os dois casais afirmam que o importante é viver a experiência.

—  Fomos evoluindo aos poucos e descobrindo a nossa forma de viajar. Cada um tem a sua própria forma de viajar, e é importante que ela seja descoberta a partir das suas próprias experiências — finaliza Melina.

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