“O que eu posso oferecer é a leveza”, diz Silva, que faz 1° show em Floripa

O cantor, compositor e multi-instrumentista traz para a Capital catarinense a turnê de lançamento de seu sexto álbum de estúdio, Brasileiro

Silva em Florianópolis
Foto: Wilmore Oliveira/Divulgação

Silva, artista em ascensão no cenário da MPB, se apresenta pela primeira vez em Florianópolis nesta quinta-feira, dia 11 de outubro. O show será no Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura, e os ingressos estão à venda. Sócio do Clube NSC tem 30% de desconto para conhecer um dos nomes mais importantes da nova geração da música brasileira.

O cantor, compositor e multi-instrumentista traz para a Capital catarinense a turnê de lançamento de seu sexto álbum de estúdio, Brasileiro, que tem o hit Fica Tudo Bem, gravado ao lado de Anitta, e a faixa A Cor É Rosa.

Ele ficou conhecido em 2016 ao lançar o álbum Silva Canta Marisa, com sucessos da cantora brasileira além da inédita Noturna, com participação da própria Marisa Monte nos vocais e na composição.

Nesta entrevista por telefone, ele falou sobre o novo trabalho, as parcerias e a opção por canções de amor. Confira:

Como será o show em Floripa?

É a primeira vez na cidade. Eu estou muito ansioso, de verdade. Muita gente me pede para tocar em Floripa desde que lancei meu primeiro álbum, em 2012, e finalmente vou poder. Nesse show, como está sendo a maior turnê que já fiz, em termos de quantidade de apresentações e lugares, eu fiz um apanhado da minha carreira. Tem músicas de todos os discos, mas as que mais conversam com as canções de agora. Foi um trabalho um pouco difícil, porque já é o quinto disco. Foi difícil deixar tantas músicas de fora. Mas ficou um repertório bem legal.

O disco Brasileiro é considerado um projeto mais maduro, de consolidação do trabalho. Você vê dessa forma?

Eu acredito que sim. Pode ter alguma relação com o fato de eu ter feito 30 anos agora, essa idade deixa a gente mais seguro. Tem uma coisa que eu até tenho falado em show: “gente, o que eu aconselho vocês é que façam terapia”. Porque é uma coisa que eu comecei a fazer quando iniciei minha carreira e vi que não ia ser moleza. Até hoje não parei, e isso me fez ficar mais seguro, fazer as coisas gostando de mim, do que faço. E isso passa no show, nas músicas que estou fazendo, no disco. Também nunca me dediquei tanto quanto estou me dedicando agora. Teve um momento, uns quatro anos atrás, que eu percebi que estava gastando mais tempo postando foto no Instagram do que tocando. A gente vive num mundo que gera isso. E o violão, o piano, as coisas que eu mais amo, que são o mais importante, estavam ficando de lado. Acho que amadureci, que estou cantando melhor, tocando melhor, compondo também. É um caminho que eu estou ralando e querendo crescer. É resultado disso.

Você é citado como um dos grandes nomes da nova MPB. Concorda com isso? Como você vê este gênero musical?

Acho que esse rótulo não limita tanto. Eu não gosto quando ele diz até onde você pode chegar. E eu acho que a música que eu faço é mais aberta, tem refrão, as letras não são difíceis, não precisa de dicionário para entender. São músicas superdemocráticas. E eu gosto disso, gosto de fazer músicas que as pessoas fiquem na cabeça. Fazer parte da nova geração da MPB é uma honra porque eu me vejo assim, fazendo música brasileira, mas eu não gosto de me limitar. É por isso que tem Anitta no meu disco.

Chamam atenção essas parcerias. Tem de Arnaldo Antunes a Anitta no novo álbum. Como foi feita esta escolha?

Sempre gostei de uma coisa que eu ouvi um cara falar uma vez num evento de música no Japão, em 2014. Eles levavam pessoas para dar palestras, e tinha o baterista do Miles Davis, tinha um cara que fazia arranjo de cordas para o Michael Jackson, e falou, começou a mostrar coisas. E esse exemplo me deixou louco, porque eu via como tinha gente no mundo inteiro que trabalhava duro, querendo fazer obras de arte. Uma coisa que eu ouvi que ficou na minha cabeça era a importância do elemento surpresa. Se as pessoas forem comprar meu disco sabendo exatamente o que esperar de mim, é uma coisa chata. É uma repetição de si mesmo, sem se arriscar, tentar mudar, aprender, evoluir. Eu gosto de me desafiar. Eu encaro a música como uma coisa muito importante. Não é trilha sonora para ser um cara famosinho na internet. E a Anitta veio nesse tom. Eu sempre admirei, lógico, sempre achei ela muito inteligente, assustadoramente inteligente. E pude comprovar isso. Ela é uma menina de 25 anos completamente focada no que está fazendo 24 horas por dia. Acho que nem beber ela bebe. Eu já venho pensando em fazer parceria com gente do “meu meio”, mandei coisas para as pessoas, levam dois meses para responder. E eu comecei a ficar um pouco cansado. E a Anitta foi assim: nem amigo em comum a gente tinha, a gravadora conseguiu para mim o e-mail da produção dela e mandei a música na cara de pau mesmo, dizendo que acharia muito legal ela cantar comigo. Ela me mandou uma direct no Instagram no dia seguinte dizendo que amou a música, falando para fazer clipe, pedindo meu telefone. E eu fiquei empolgado com essa coisa dela. É por isso que ela está conquistando tantas coisas. Para mim foi uma lição boa também, de encarar isso com bastante afinco. E isso está levando meu trabalho para outras pessoas.

Você também compôs Palavras no Corpo, gravada por Gal Costa. Já compôs essa música pensando nela?

Sim. Essa foi a primeira vez que eu compus por encomenda. Pediram uma música minha, me mandaram um poema do Omar Salomão, e pediram para eu escrever uma melodia em cima de uma letra. Me dava medo. Mas eu gostei muito do poema, achei muito bonito. Eu já tinha tocado com a Gal em 2015, ensaiei com ela um mês. E ela falava que era muito fã da Amy Winehouse. Eu achava incrível. Uma mulher tão importante para a música do mundo todo, que é a Gal, falando da Amy. Então quis fazer uma música meio soul. Me deixou muito feliz, muito emocionado, quando eu ouvi a Gal cantar. Estou tocando ela no show, gostando muito de cantar. Foi um prazer gigante.

Seu disco cantando Marisa Monte também foi um grande sucesso. Como vê a repercussão? Músicas deste disco estarão no seu repertório aqui?

Eu não posso me livrar dele! Foi importante para mim em vários aspectos. Foi maravilhoso para minha carreira. Quando eu lancei, tinha amigos da música que diziam “sério que você vai fazer?”, por homenagear a Marisa, que está na ativa. O conceito de homenagem está muito ultrapassado. Não precisa fazer isso quando a pessoa morre ou está perto de morrer. Eu a homenageei porque ela influenciou minha vida toda. Meus pais tinham disco dela em casa, depois eu comecei a comprar, virei fã. Foi muito importante para mim. As músicas que eu gravei me emocionam, e ela tem uma coisa única, que foi fazer uma música pop muito brasileira. As pessoas na época dela tinham uma coisa de harmonia brasileira, mas de estética muito gringa. Eu pensava “como essa mulher consegue ser tão cool e pop e brasileira?”. Esse trabalho foi crescendo muito mais que imaginei. Era para ser uma apresentação de TV, acabou virando um show. Virei amigo dela, a gente acabou ficando muito próximo, uma coisa que eu não tinha com nenhum outro músico, de sair de Vitória só para ir lá ficar com ela um dia, compor junto. Para mim, foi muito importante. Tem outra faixa etária chegando no show, até cabecinha branca chegando.

Você vê uma importância social e política de se cantar o amor?

Muito. Cada um contribui da forma que pode. Para brigar comigo, tem que se esforçar muito. Eu detesto briga. Mas eu tenho amigos músicos que são o contrário de mim, que estão na linha de frente da militância, e são bons nisso. Conseguem conviver com discursos mais agressivos. Eu já não gosto, brigar me deixa mal. E eu acho que o que eu posso oferecer para as pessoas é a leveza. Eu sou um cara tranquilo, minhas músicas são leves. É um momento difícil, e você vir com uma leveza e falar de amor, e é importante também. Faz as pessoas refletirem. Eu sei que parece um discurso romântico, mas a gente tem que fazer esse esforço. É fácil você abraçar a tristeza e se conformar com esse momento ruim, mas a alegria é a prova dos 9. Principalmente nesse momento que a gente está vivendo, tão polarizado. O amor é uma coisa que nunca vai sair de moda, nunca vai ficar brega. E o desamor também. Por isso a gente tem que falar de amor. É isso que eu tenho a oferecer. É importante, sim, militar, falar sobre esse momento difícil, mas é preciso propor coisas. A gente está vivendo um mundo muito individualista, tem aquela bolha, e isso pode deixar a gente muito frio. O amor tem uma função importantíssima até do ponto de vista político. Cantar sobre o amor ajuda as pessoas a serem mais sensíveis, mais humanas.

Serviço

Silva – Brasileiro

Dia 11/10, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa – CIC (Avenida Governador Irineu Bornhausen, 5.600,
Agronômica, Florianópolis)
Quanto: A partir de R$ 112. Desconto de 30% para sócio do clube NSC e acompanhante na compra do ingresso antecipado na loja Blueticket.

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