Corrida, meditação, diário: o que fazer para se acalmar

O que você faz para manter a calma? Divida com a gente sua experiência

corrida
Foto: Diorgenes Pandini/Diário Catarinense

Na segunda vez desde que comecei a correr, estava na Avenida Beira-Mar Norte, em Floripa, repetindo pra mim mesma que aquilo não iria durar. Era uma bobagem que eu tinha inventado e quanto mais os meus pulmões sofriam pela falta de ar, sentia que nada fazia sentido e que a minha existência naquele momento era apenas para cumprir protocolo. Parei, respirei e voltei.

Na chegada, meu instrutor, Leonardo Aguiar, me ofereceu água e disse algo que talvez ele não tenha dimensão do quanto foi importante e necessário: “você conseguiu”.

Isso foi em janeiro de 2016. A corrida que comecei pensando em emagrecer se tornou um recurso importante pra recomeçar (aliado à terapia. Obrigada, Patrícia). Honestamente, até então, não acreditava ser possível simplesmente usar alguma ferramenta como exercício ou meditação, por exemplo, pra me acalmar e tratar uma dor emocional.

Carregada de arrogância, achando que sabia tudo sobre mim mesma (e com histórico de sedentarismo), não foi fácil respirar ritmado, pensar na postura, estar em silêncio contando o tempo e dependendo completamente do meu esforço. Exercício físico é um pouco chato, sim, depende de rotina e dedicação, mas faz bem.

Pequenas vitórias e diário

Encontrar maneiras pra se acalmar é parte de um processo de autoconhecimento. É disso que se trata esse texto, afinal. Tem quem não curta fazer exercícios e prefira ver uma série ou simplesmente conversar, cada um tem uma maneira de lidar com a tristeza, ansiedade e angústia. Mas é sempre útil pensar em novas formas ainda mais eficientes.

Se conversar faz o seu estilo, importante lembrar que ter amigos em quem confiar por si só já é um motivo para agradecer por estarmos vivos. Já pensou nisso? Aqui na redação do Diário Catarinense e Hora de Santa Catarina, recebemos uma caixa com cartas de Desafios Comportamentais, escritos por André Barbosa, que se tornaram um recurso que tem ajudado muito.

Todos os dias, eu e um pequeno grupo de colegas, paramos cinco minutos pra ler uma das cartinhas. Elas trazem dicas para o dia e a de hoje, que aproveito o leitor a convidar a fazer, foi valorizar pequenas vitórias do dia. Já virou um ritual e há todo tipo de discussão em torno do desafio do dia. Há, inclusive, espaço para o ceticismo, afinal, a autoajuda se tornou um filão rentável no mercado. Estamos soterrados por tantas mensagens de positividade que não estranho a repulsa de alguns.

Bom, mas a cartinha diz que valorizar as pequenas vitórias da vida “funciona como uma ginástica cerebral, fazendo com que nosso sistema psíquico prepare o ambiente (conexões neuronais) para termos mais sucesso em nossos objetivos e querermos mais. Isso melhora inclusive o foco e a atenção”. Ela condiz com mais um exercício que tenho praticado.

Todas as noites, escrevo um parágrafo sobre o que me fez bem no dia, o que me fez mal e o que aprendi. Além de uma análise do que é positivo e negativo, ainda ajuda a refletir sobre as reações e emoções. É uma ótima forma de dimensionar as emoções e acontecimentos. Muitas vezes, algo parece horrível, aí você escreve e vê que é uma bobagem.

Meditação

Depois disso, separo um tempo para meditar. Faço tudo do meu jeito sem me cobrar muito. Normalmente, sento com a coluna ereta, na cama mesmo (às vezes com um gato no colo). Coloco fones de ouvido e ouço o áudio de uma meditação guiada indicado para o momento que estou vivendo. Por exemplo, se estou triste, ouço algo pra transformar emoções. E assim vai. O sono melhora muito porque só o fato de parar e ficar de olhos fechados cuidando da respiração ajuda a relaxar.

Não vou dizer que não tenho meus momentos de surto. Eles ainda aparecem, mas procuro meios de me afetar por eles e nem quem está à minha volta. Falar, conversar, descobri há pouco tempo, está entre as melhores maneiras de destruir os pequenos monstros que surgem DO NADA na minha cabeça. Aos poucos, a gente respira e vai.

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