Cuide do peso do seu cão: obesidade pode provocar consequências graves como diminuição da longevidade

Zara perdeu 16 quilos e faz exercícios diariamente. Foto: Omar Freitas

Cães acima do peso podem até parecer fofinhos, mas para manter a saúde e aumentar a longevidade, os animais precisam estar com os ponteiros da balança no lugar certo. A obesidade dos pets pode trazer problemas graves como doenças de pele, ortopédicas, câncer, inflamação crônica e alterações metabólicas.

– As consequências da obesidade são diversas, mas a mais importante é a diminuição da longevidade. Animais vivem menos quando são obesos – alerta Manuela Marques, médica veterinária especializada em nutrição animal.

O excesso de gordura costuma estar acompanhado de problemas articulares e de resistência à insulina – que pode resultar em pancreatite.

– Além disso, prejudica a realização de exames de imagem e o acesso às veias. Ou seja, fazer o diagnóstico de outras doenças no animal obeso é mais difícil – completa.

O fator social também fica prejudicado, pois o animal não consegue brincar, cansa rápido e acaba isolado dos outros pets.

Zara, uma labrador de 10 anos, é um exemplo das consequências do excesso de peso: a coluna tinha vários “bicos de papagaio”, o que desencadeou um problema no nervo óptico, chamado síndrome de Horner. Além disso, ela não tinha ânimo para nada, e o fôlego era mínimo. Ao procurar um local para a peluda se exercitar, a tutora, Bruna Gross, ficou surpresa:

– Como ela estava muito em casa, busquei um local para ela praticar exercícios, não para emagrecer. Quando fizemos a consulta com o fisioterapeuta, ele disse que a Zara estava muito pesada, com 46 quilos.

O peso parecido com o de uma criança na faixa dos 12 anos foi resultado de uma alimentação desregrada, à base de ração e petiscos de dar água na boca: pão de queijo, pipoca e até sorvete de morango. A labrador conseguiu perder cinco quilos frequentando um spa duas vezes por semana, mas o processo estagnou.

– A Zara chegou ao meu consultório com score 9 de composição corporal, o valor mais alto da tabela, mesmo já tendo perdido cinco quilos. Isso mostrou que ela estava obesa. Após um longo tratamento, ela ainda tem um sobrepeso leve – diz Manuela, que prescreveu uma dieta rigorosa com porções restritas de ração e petiscos como legumes no vapor.

Com 16 quilos a menos, a cachorra esbanja fôlego e vai todos os dias para o spa ou caminha na esteira em casa em dias de chuva ou feriados.

Como escolher a ração

A médica veterinária Gabriella Massia Cabreira aconselha que os donos invistam em boas rações. Há, inclusive, produtos das chamadas linhas terapêuticas, com características específicas para nutrir adequadamente cães idosos ou que sofrem de obesidade e outros problemas de saúde. Ela recomenda que sejam seguidas as orientações do veterinário e que a porção seja oferecida em etapas para o animal, não uma vez ao dia.

– Rotina alimentar é boa para a gente quando quer perder peso. Para os bichos, também vale. Um cão gordinho e ansioso, se comer mais vezes ao dia, vai pedir menos – diz.

Outro ponto é o fato de a obesidade nem sempre estar relacionada unicamente ao tipo de alimentação e à atividade física do animal. Há problemas de saúde, como hipotireoidismo e diabetes, causados por aumento de peso. Por isso, a importância de uma consulta para, antes de adotar uma dieta rigorosa e sem critérios, avaliar o quadro geral de saúde.

Manuela reforça que cada faixa etária exige cuidados específicos. Filhotes, por exemplo, precisam de mais calorias, pois estão em fase de desenvolvimento. É necessário bastante gordura, proteína e cálcio. Cães adultos saudáveis não precisam de cuidados muito rigorosos na composição do alimento. Já os idosos devem comer um alimento “melhorado”, com adição de antioxidantes, redução de fósforo, probióticos, prebióticos e outras substâncias importantes.

Faixas etárias dos cães

(raças pequenas)

  • Filhote: até 1 ano
  • Adulto: 1 a 6 anos
  • Idoso: 7 em diante

Alimentação natural

Adeptos da alimentação caseira devem levar o cão a um médico veterinário para suplementar vitaminas. Manuela Marques Fischer lembra que é difícil variar muito um cardápio a ponto de oferecer todos os nutrientes essenciais para os animais. Portanto, a suplementação é obrigatória.
Ao preparar os alimentos, é bom não esquecer o sal – eles precisam de sódio – e fugir dos temperos como cebola e alho, não metabolizados pelos peludos. Petiscos como chocolates e outros doces são proibidos. Troque os lanchinhos por cenoura baby, abobrinha, chuchu ou bergamota e banana.

Atividades físicas ajudam os cachorros a manter o peso. Foto: Mitchell Orr

Gabriella chama a atenção para uma fruta muito consumida nesta época do ano e, por vezes, compartilhada com os pets: a uva. Apesar de saborosa e saudável para humanos, ela pode comprometer a função renal de cachorros. Então, nada de dividir os cachos com os mascotes da casa.

Essa interação à mesa também pode ser prejudicial em situações pontuais. No churrasco em família, quem resiste às carinhas de pidões ao pé da mesa? Pois é, a sobra do almoço pode comprometer a semana dos animais.

– Osso demais endurece as fezes, o que pode provocar obstruções e traz o risco de intoxicação alimentar. É a consulta clássica depois de um domingo de churrasco – diz.

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