Na Odontologia atual, “função” e “estética” andam sempre juntas

Sabe aquela história de que o “cliente sempre tem razão”? Na Odontologia não funciona bem assim

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Por Dra. Joana Rottgers – CRO-SC 16205

Em toda a história da humanidade a estética proporcionou sentimentos de aprovação e desaprovação social. Não é a toa que, mesmo diante da crise econômica que o Brasil vem atravessando, o mercado de estética não tem sido tão abalado quanto o comércio de produtos de outros setores da economia.

Mas você já parou para pensar que o que é considerado belo para mim pode não ser para você? E que, mesmo o que é considerado bonito universalmente pode não ser tão universal assim?

Por exemplo: em nosso país a ideia de sorriso perfeito é, em geral, um sorriso branco e bem alinhado, enquanto no Japão é considerado atraente “entortar” os caninos para que dessa forma o sorriso fique desalinhado e com uma aparência mais jovial. E sabe aquele espacinho entre os dentes superiores que não é visto com bons olhos pela maioria das pessoas? Em algumas culturas é considerado sinal de beleza e fertilidade. Inclusive existem diversas modelos pelo mundo que utilizaram os seus diastemas, nome dado a esse espaçamento entre os dentes, para alavancar suas carreiras.

A busca cada vez maior por tratamentos estéticos causou mudanças significativas na prática da Odontologia. Hoje em dia, “função” e “estética” andam sempre juntas, não se pode falar de uma e esquecer da outra.

Para se ter uma ideia do crescimento da procura por tratamentos para “embelezar” o sorriso, dados da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética revelam um crescimento de até 300% na busca por esses procedimentos entre os anos de 2014 e 2015. Estima-se que apenas em São Paulo são aplicadas 28,5 mil lentes de contato por mês.

Será que isso é ruim? De maneira alguma. Os procedimentos estéticos, em geral, contribuem para uma melhora na autoestima, na autoconfiança, nas relações interpessoais. E, quando bem equilibrados, com uma função adequada, trazem apenas benefícios aos indivíduos.

E na hora de fazer um procedimento estético, o que o paciente desejar deve ser realizado a qualquer custo?

Sabe aquela história de que o “cliente sempre tem razão”? Na Odontologia não funciona bem assim. O cirurgião dentista trabalha sobretudo, com saúde, e ele vai te orientar o quão brancos, grandes e “retinhos” os seus dentes podem ficar, sem perder o aspecto de naturalidade. Ele vai procurar o melhor jeito de realizar estes procedimentos, desde que isso não influencie de maneira negativa na sua saúde e função bucal.

Em alguns casos o paciente percebe que há algum aspecto desagradável em seu sorriso, mas não é capaz de pontuar o que realmente o incomoda. Cabe também ao profissional da Odontologia aplicar o seu conhecimento na elaboração de uma composição dental cientificamente adequada. Ao mesmo tempo, ele deve ponderar sobre os elementos envolvidos em cada padrão estético individual, para dessa forma alcançar um sorriso mais harmônico. Não se pode agir unicamente em função da vaidade dos pacientes. O grande desafio da estética em Odontologia está ligado ao equilíbrio e a subjetividade do que é ou não estético. Todos querem um sorriso bonito, mas, no final, a beleza está nos olhos de quem vê.

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