Ontem você disse amanhã: o que você deixou para depois, mas acabou nunca fazendo?

Na vida, temos à disposição várias fugas, e até ferramentas que nos estimulam ao artificial

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Essa semana parei para pensar nas habilidades que, definitivamente, quero desenvolver. Tive uma insônia de metas, refletindo sobre o que seria essencial, do que tenho sentido falta, e cheguei à conclusão de que quero voltar para o inglês para dar aquela afiada na conversação, mas principalmente na escrita – nunca fui muito boa em inglês escrito. Como quero fazer alguns cursos em faculdades fora do Brasil, preciso, possivelmente, do certificado de proficiência – então tenho que ficar boa falando, lendo, ouvindo e escrevendo em inglês.

Daí fiquei pensando: “Por que será que falo direitinho, escuto e entendo, mas não escrevo tão bem?!”. Tive que confessar que sempre me deu preguiça de pensar no texto em inglês. Era sequestrada pelo “deixa pra lá, depois eu vejo”, “um dia eu aprendo”, e ia no Google tradutor e resolvia o assunto. Nas aulas, pedia aos professores para pular essa parte da aula: “Vamos para a conversa logo”.

Tenho para mim que fiz isso na minha vida, algumas vezes. Quis esconder de mim mesma que não sabia ou, sem forças para aceitar o não saber – remediava artificialmente a minha ignorância, com a “ajuda” de cada Google tradutor – acreditando que uma vida integral concebe os atalhos, quando a gente sabe que a porta da felicidade é bem estreita.

Na vida, temos à disposição várias fugas, e até ferramentas que nos estimulam ao artificial. Quando preciso fugir de mim, desço para a cozinha e como alguma coisa doce e, vez ou outra, acabo por roer as minhas unhas. Isso ao invés de meditar ou respirar. Se não me coloco para refletir com a ajuda do meu trabalho e de gente que me estimula o sentimento e o pensar, gastaria bem mais no cartão, talvez acharia sentido em beber, jogar ou usar alguma droga. Tenho melhorado, mas ainda passo algum tempo no Instagram – em coma. Preciso de mais ajuda. Mas ajuda para o transitar em minha própria sombra, no caminho da verdadeira integridade sem respostas fáceis ou milagres não merecidos.

Chega uma hora que a gente deseja aquele curso fora, o relacionamento amoroso mesmo, quer a saúde em dia e até um carinho por si, desconhecido. Não rejeito o poder da Neosaldina para a minha dor de cabeça, mas por quanto tempo vou remediar sem avaliar porque sinto essa dor que me acompanha? Quando vai ser o dia do “um dia eu faço isso ou aquilo”?

Tem uma frase da Nike que diz “ontem você disse amanhã” – tradução do título, e vez ou outra ela me persegue. É o tipo de coisa que merece um quadro como precaução para anti-enrolação.

Peguei o telefone e mandei mensagem para o André – que é um superempresário que tem escolas de inglês, barbearias e o site altamente visitável chamado Mentores Online – onde há também uma entrevista comigo, certamente minha preferida – e disse: preciso de ajuda. E logo mais, no início de março, me organizarei para aprender, de verdade, muita coisa que enrolei até agora.

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