“Os artistas não são os pedófilos. O hiato que existe é a falta de educação”, diz Bruna Linzmeyer, em passagem por Florianópolis

Bruna Lizmeyer – Foto Darline Santos

A atriz  Bruna Linzmeyer  não tem medo de falar o que pensa e nem de dar sua opinião sobre assuntos que vão de machismo e censura a falsos moralismos. Com uma lucidez que até surpreende — se pensarmos que ela tem apenas 24 anos —, a catarinense de Corupá fez uma breve passagem por Florianópolis para participar de um evento de moda na noite desta quinta-feira e conversou rapidamente com a Versar sobre trabalho, o desfecho de sua personagem de A Força do Querer, a última novela das nove, e intolerância.

Quais seus novos projetos?
Viajo essa semana para o Festival de Roma, com O Filme Da Minha Vida, de Selton Mello. Fico uns dias lá, por enquanto esse é meu trabalho. Tiro uns dias de férias também. Depois volto para Corupá para descansar, comer a comida da vó. E no ano que vem tenho alguns filmes para lançar, O Grande Circo Místico, do Cacá Diegues, O Banquete, da Daniela Thomas, Partiu Paraguai do Daniel Lieff… E as outras coisas ainda não posso contar, mas alguma coisa deve chegar logo, logo.

Você gostou do final da Cibele? (A personagem se casou com ela mesma no final e disse aos convidados da cerimônia que aprendeu a se amar)
Adorei, foi maravilhoso! É muito simbólico. Acho que o que essa cena representa que é o importante, é muito bonito. Esteticamente também foi lindo.

Como você acha que pode emprestar sua voz para chamar a atenção sobre esses casos recentes de censura e intolerância, principalmente no universo das artes?
Acho que existe uma onda de extrema-direita muito conservadora no mundo inteiro, isso não está acontecendo só no Brasil. A gente precisa estar atento. E uma coisa que venho conversando com as pessoas é que a grande tática é o diálogo, a escuta, a conversa. É claro que às vezes um pouco de pé na porta é importante para fazer a caminhada andar. Mas essa pessoa que está chamando a gente de pedófilo está certa, pois ela não quer que uma criança seja abusada por um adulto. Só que os artistas não são os pedófilos. O hiato que existe no meio disso tudo é a falta de educação, falta de informação, falta de estrutura de discurso. (A atriz se refere à recente polêmica envolvendo La Bête, do coreógrafo Wagner Schwartz no MAM, em São Paulo, que sofreu acusações de pedofilia após uma criança, acompanhada da mãe, tocar os pés do artista nu.)
A gente está com uma conversa bem pobre, não está nem conseguindo conversar e isso que me dá mais medo. O que a gente precisa é de amor, diálogo, escuta, para poder avançar e voltar a conversar. É preciso lembrar que temos que conversar com quem é diferente. Não é fácil. Mas a gente tem que conseguir, senão para onde a gente vai? Uma guerra.

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