Loco por Vino: os vinhos mais badalados do mundo e a famosa Classificação de 1855

Loco por Vino
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A Classificação de 1855 é um ranking de qualidade de produtores de vinhos sendo divididos em Premier crus, Deuxième cru, Troisième cru, Quatrième cru e Cinquième cru, tendo os Premier o topo da categoria. Estipulada em 1855, contendo basicamente vinhos da região de Médoc – com exceção do chateau Haut-Brion que fica em Grave – esta classificação concede respeito mundial a cinco Chateaux, que elevam os preços de suas garrafas ao de marcas de grife.

Enfim, dentro dos milhares produtores de Bordeaux, os que estão na lista devem seguir regras restritas para continuar nela. Os que ficaram de fora criaram uma segunda classificação chamada Cru Bourgeois, onde muitos dos vinhos já deveriam estar na intocável classificação de 1855 pela excelente qualidade.

Abaixo dos Cru Bourgeois existem específicas apelações que não são classificadas e recebem no rótulo apenas “Médoc”, “cotes de Blaye” ou “Pontesac” de acordo com a região.

Em 2006 uma nova classificação foi anunciada. Produtores locais que não se encaixam nas classificações mais exigentes podem cair na “Crus Artisans” onde os vinhos giram em torno de 7 a 12 dólares.

Logo temos os vinhos genéricos que levam no rótulo, Bordeaux e Bordeaux superior. São vinhos considerados de baixa qualidade comparados às outras classificações, porém cobrem 50% da produção de Bordeaux, sendo o mais famoso Mouton Cadet, com valores em torno de 8 dólares a garrafa.

Bordeaux possui 57 apelações que servem de base na hora da escolha do consumidor. Porém, algumas regiões como Pomerol fogem desta loucura e possuem apenas AOC, uma denominaçãoo de origem geográfica, como Appelation Pomerol Controlée.

Dos Chateaux visitados em Médoc, tivemos o prazer de visitar os Premières Grand Crus, Margaux, Latour e Mouton-Rothschild. Lafite só se consegue hora para visitação ligando com seis meses de antecedência.

O que mais nos orgulha foi a visita em Latour, pois é destinada exclusivamente para profissionais do vinho.

Lá provamos 3 vinhos, sendo que o Premier Grand Cru, Grand Vin de Chateau Latour,não custa menos que 800 Euros a garrafa.

Em Bordeaux é comum o uso de tampa de vidro nos primeiros meses de barril, permitindo que o vinho libere todo o gás que ainda produz. Esta tampa também é utilizada devido à facilidade de abrir e fechar o barril, já que nos primeiros meses este deve ser completado frequentemente com vinho, pois a evaporação e a absorção da madeira diminuem consideravelmente o volume.

A seguir fotos do processo de racking, no Chateau Mouton Rothschild, onde os barris são esvaziados para limpeza. Este processo também permite clarificar o vinho, separando os sedimentos. Eles utilizam uma vela para verificar quando todo o sedimento já saiu do barril restando apenas o vinho “limpo”, onde então é transferido a outro barril vazio.

Um Chateau que nos impressionou tanto pela beleza quanto pela técnica foi Cos d’Estournel. O mais interessante foi ver como fazem tudo através de gravidade.
No processo de misturar o vinho para ter contato com as cascas, notamos que a maioria das vinícolas usam bombas de sucção e mangueiras, retirando o vinho da parte de baixo do barril e jogando para a parte de cima, onde está a camada de sedimentos. Porém, em Estournel eles usam estes elevadores tanque, que coletam o vinho do barril e levam para a parte de cima sem a força de bombas, tentando preservar o vinho ao máximo.

Finalizando Bordeaux, ficou clara como a diferença de Terroir, o solo de cada Chateau, o processo de produção, a escolha do blend, e, é claro, o clima de cada Vintage alteram o produto final.

Provamos coisas espetaculares e completamente diferentes, principalmente entre o lado direito de Bordeaux (Pomerol e Saint-Émilion) onde encontramos mais Merlot no Blend e o lado esquerdo (Saint-Estephe, Paulliac, Saint-Julien e Margaux) que carrega mais Cabernet Sauvignon, com Blends de até 98% Cabernet.

Próxima parada Chateaunef Du Pape, não sem antes passar e provar os famosos queijos de Roquefort.
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