Outubro, o mês que mudou minha vida

outubro rosa
Foto: Divulgação

O movimento Outubro Rosa começou nos Estados Unidos já em 1990 com ações isoladas em alguns estados e posteriormente, com a aprovação do Congresso Americano, se tornou o mês nacional americano de prevenção do câncer de mama.

O laço cor de rosa foi lançado pela Fundação Susan G. Komen for the Cure, distribuído e utilizado na primeira Corrida pela Cura datada desse ano de 1990 em Nova Iorque e que hoje ainda permanece como um dos grandes eventos do mês.

De lá para cá crescem o número de adeptos, de países, de eventos em prol único e exclusivamente da prevenção.

Se precisa de um mês? Para você se cuidar não, mas para que a sociedade seja mobilizada, orientada e repense em suas atitudes e sua saúde esse mês pode mudar o rumo de muitas vidas.

Eu já vivi em casa as dificuldades desse diagnóstico, há quase 9 anos minha mãe teve um câncer de mama, logo a minha mãe que é ginecologista e que para uma filha é sempre um soldado vestindo uma armadura e inatingível.

O mundo desabou, eu não morava em Florianópolis na época, estava recém começando a residência de Ginecologia e Obstetrícia e já dizia em bom tom que odiava Mastologia (a especialidade médica que se dedica ao estudo das mamas). Pensei em largar tudo, vir embora ficar do lado da minha mãe.

Lembro do dia do diagnóstico, ela mesma me ligou e disse: “Filha é mesmo um tumor, um carcinoma ductal”. Chorei e me perguntei inúmeras vezes – por que com ela Senhor? Por que com a nossa família? A resposta nunca veio e nunca virá. Porque sim, independente do estilo de vida que você adota você está sujeito a enfrentar essa doença.

No dia tentei me recompor, entrei no carro e fui em direção a universidade já que a minha mãe estava dando aula. Subi as escadas cabisbaixa e logo encontrei a Dra. Adriana, mastologista, também professora. Ela me no fundo dos olhos e disse: “Lu, agora é tratar e tudo ficará bem”.

Relembrando isso hoje eu confesso que cada palavra e cada pessoa exerceu papel fundamental na nossa vitória. Mas, a médica ou os médicos ( cirurgião plástico, oncologista, radioterapeuta) foram de extrema importância para que acreditássemos num final feliz. Eu sempre brinco que a ignorância é uma benção nesses casos porque você fica tentando achar porcentagem em cada estudo que lê ou paciente que atende e fica quase louco. Eu confesso também que mudei muito meu jeito de encarar as dificuldades e dores de cada paciente, minha capacidade de me colocar no lugar do outro e minha visão sobre o acompanhante dos pacientes. Tudo sempre tem o lado bom mesmo quando parece que você não enxerga nada pela frente.

Passamos os meses seguintes entre quimioterapia e radioterapia. Dias tristes, alguns difíceis, pouquíssimos dias de desanimo da minha mãe, vida praticamente normal e muitos dias felizes. Ela me ensinou que a confiança e a fé são armas poderosas para viver dia após dia. Mas confesso que me peguei chorando madrugadas inteiras por medo.

Comemoramos o fim do tratamento num carnaval daqueles para ficar na memória. Seguimos fazendo os nossos exames de rotina anualmente, cada ano é um chororô com os resultados normais. E sim, nós fazemos, porque acabei entrando para o grupo de risco e preciso fazer meus exames também, além de todos os outros de rotina.

Hoje, o Outubro Rosa para mim tem um sabor de vitória. Eu tenho minha mãe saudável, linda e feliz dividindo meus dias entre o consultório e nossa vida fora da Medicina. E não tem coisa melhor. O diagnóstico precoce ainda é a maior chance de cura dentro de um tratamento.

 

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Eu posso garantir que a tempestade quase sempre passa, o sol retorna e nasce cada dia mais lindo. Porque lá atrás, percebemos que o que vale é trazer sentido a vida orientando e iluminando outras vidas. É por isso, que a campanha adquire adeptos a cada dia, porque todos queremos ser sol para alguém.

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