Pablo Rossi fala sobre rótulo de menino prodígio e papel social da música

Aos 30 anos pianista catarinense é destaque hoje na série Pequenos Grandes Talentos, na NSC TV

Foto Diórgenes Pandini/Diário Catarinense

Quem é catarinense acompanha a trajetória desse talento da música desde muito pequenininho. Natural de São José, o pianista Pablo Rossi ganhou seu primeiro concurso com sete anos de idade. Aos 11 gravou o primeiro CD e aos 13 estreou nacionalmente como o mais jovem solista a tocar à frente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Aos 17 se mudou para a Rússia, onde completou sua formação musical no Conservatório Tchaikovsky de Moscou.

Atualmente Pablo mora em Nova York, onde cursa seu segundo mestrado na Mannes School of Music, mas viaja o mundo fazendo concertos. Na última semana ele esteve em Florianópolis. Veio para uma apresentação única no Teatro do CIC e o lançamento do documentário Pequenos Grandes Talentos, criado e produzido pela TVi em parceria com a NSC TV e que destaca a trajetória de 11 personalidades nascidas em Santa Catarina.

Como foi assistir à sua própria história no documentário?
Eu fiquei nervosíssimo! Assisti ao lado dos meus pais, que são testemunhas de toda essa caminhada, e fiquei mais nervoso do que ao tocar no Carnegie Hall, por exemplo. É quase uma psicanálise da sua vida. O trabalho é excepcional, foi muito bem contado, com criatividade, uma sensibilidade enorme, fiquei muito emocionado, só tenho a agradecer.

Quem te motivou a estudar piano?
Meus pais, os dois sempre gostaram de música, especialmente de música clássica. Eu e o Juan, meu irmão que é violinista e tocou no concerto comigo essa semana, desenvolvemos o gosto pela música desde muito cedo, como costume, tradição. O Juan se formou na Áustria e mora há anos em São Paulo.

A gente vê muitas crianças prodígio em diferentes áreas que depois acabam não seguindo na profissão. Qual o segredo?
Essa coisa de prodígio é muito complicada. Um rótulo que só quem recebe consegue entender o que é ter essa responsabilidade. Muitas vezes é difícil você se desfazer disso porque você conquista coisas e apresenta um trabalho de adulto, mas tem aquela vontade de ser criança. Quando perde esse encanto tem que se readaptar. E uma coisa que ninguém fala é que você é muito mais cobrado que seus próprios colegas da mesma geração. Você tem que fazer mais. Acho que uma das coisas positivas para mim foi ter ido morar em Moscou, onde o foco era disciplina, formação e estudo.

Foto Diórgenes Pandini/Diário Catarinense

O piano ainda é um instrumento pouco acessível para a maioria da população brasileira. Como é isso nos outros países?
Acho que está mudando muito. No começo do século XX o Brasil era o país que mais tinha pianos no mundo. Temos uma tradição de piano, temos pianistas fantásticos e precisamos pensar como resgatar isso. No caso de Moscou vem da origem soviética, com uma educação muito forte. Lá era comum que toda casa tivesse um piano, às vezes em apartamentos cubículos havia um piano de calda, é uma questão de cultura. Então eu vejo que meu papel de artista é dar esse acesso às pessoas, através de concertos populares. Aqui em Florianópolis a gente sempre chama as crianças de comunidades para as apresentações.

Como você vê esse papel social do músico?
Eu vejo que o papel do artista hoje é totalmente diferente do que era 10 anos atrás. Hoje precisa ter um viés social, saber o impacto que ele pode ter na sociedade. Cada país tem um perfil. Nos Estados Unidos está muito forte a defesa do meio ambiente, preservação, os artistas fazem muita coisa em prol disso. Aqui no Brasil uma instituição me convidou para fazer um concerto naquele mar de lama de Mariana, pra gente chamar a atenção para a causa através da arte. Acho que o artista tem essa função, passar uma mensagem através do entretenimento. Você toca para o público. Esse é o meu maior objetivo, que as pessoas saiam do meu concerto tocadas, aquilo mexe com o sentimento e vai influenciar de alguma maneira. Essa é a verdadeira vocação do artista.

Assista ao vídeo com a entrevista:

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