“Pais-escavadeira”: uma geração ainda mais superprotetora com os filhos

O resultado são crianças com pouca autonomia e nenhuma capacidade de lidar com os problemas do dia a dia. Impacientes, impertinentes, autoritários

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Faz algum tempo, alguém inventou o termo “pais-helicóptero” para descrever a geração de pais que fica o tempo todo espiando por cima do ombro dos filhos adolescentes para ver o que eles estavam fazendo. Mais ou menos nesta época aumentava a violência urbana, as drogas eram uma preocupação e começavam a aparecer dezenas de novos livros sobre criação de filhos, botando ainda mais pressão para que os pais estivessem o tempo todo por perto. Esta foi a primeira geração que permitia aos filhos dormir na cama dos pais, a primeira geração que tinha participação obrigatória na escola dos filhos, a primeira geração que tinha poder de compra para substituir sua ausência com presentes.

Os “pais-helicóptero” do passado deram espaço para uma geração ainda mais superprotetora. Os pais de hoje em dia são chamados pelos especialistas de “bulldozer parents”, ou “pais-escavadeira”. Vão tirando da frente dos filhos qualquer coisa que os possa incomodar. Outro apelido desta geração: “concierge parents”, mais ou menos como “pais-mordomos”, sempre dispostos a fazer tudo pelos filhos o tempo todo.

O resultado são crianças com pouca autonomia e nenhuma capacidade de lidar com os problemas do dia a dia. Impacientes, impertinentes, autoritários. A criança nunca tem culpa por uma nota ruim, é o professor que o está perseguindo; a escola está sempre errada; os amiguinhos não estão à altura. Não é surpresa, os pequenos passam a não respeitar os pais. A superproteção vira direito adquirido e os filhos passam a destratar, desrespeitar, exigir a realização de tarefas e, muitas vezes, xingar os pais na frente de outras pessoas.

Talvez nossa tendência a mimar seja fruto de nossas próprias carências. Aumentamos a dose de carinho, mas esquecemos de manter as doses de firmeza. Uma criança só cresce completa quando tem amor e limites. Dá trabalho explicar, contrariar, frustrar. Dói mais na gente do que neles. Mas é fundamental para que a criança desenvolva tolerância à frustração, paciência, respeito ao próximo. O conflito dentro de casa prepara para os conflitos mais sérios, fora de casa. Amar é ensinar com dedicação e paciência, com didática e explicação. Obviamente, erraremos em alguma área, assim como nossos pais erraram também. E a próxima geração de pais, em alguns anos, terá algum outro apelido esquisito.

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