Conheça a fotógrafa de Florianópolis que foi precursora na fotografia newborn no Brasil

Paloma Schell, que mora em Florianópolis, foi precursora na fotografia newborn no Brasil e hoje viaja o mundo dando palestras

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Foto Paloma Schell/Divulgação

A paixão pela fotografia ela já tinha no DNA, mas foi a primeira gravidez que despertou em Paloma Schell o interesse por um tipo de ensaio que fazia sucesso em outros países e ainda “engatinhava” por aqui. Isso foi há 10 anos. Pioneira nos ensaios newborn no Brasil, a moradora de Florianópolis acumula no currículo mais de 700 recém-nascidos fotografados e a publicação de um livro técnico traduzido para cinco idiomas e comercializado em vários países.

Foi de Paloma também a ideia de criar um suporte específico para ser usado nas sessões e que hoje é vendido e utilizado por fotógrafos no mundo inteiro, com reserva de patente internacional. Formada em fotografia pela Univali, Paloma especializou-se com feras do newborn dos Estados Unidos, Canadá e Austrália e hoje é ela quem é convidada a dar cursos e palestras no exterior. Só para o ano que vem já fechou a agenda em cinco países. Nesta entrevista à Versar, ela falou sobre os cuidados para fotografar bebês tão pequenininhos e revelou alguns truques usados nos ensaios.

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Foto Leo Munhoz/Diário Catarinense
Como surgiu a paixão pela foto newborn?
Foi na minha primeira gravidez em 2008. Quando eu buscava o meu próprio book gestante descobri a fotografia newborn lá fora, no Brasil ainda não existia, então decidi ir em busca logo que meu filho nascesse. Resolvi colocar o melhor de mim e como não existiam muitos profissionais fazendo esse trabalho no Brasil logo fui chamada para dar cursos e palestras. Esse ano especialmente foi muito importante pois foram 5 convites para palestrar lá fora ano que vem.
Você também foi empreendedora, lançando uma linha de suportes circulares desmontáveis que hoje é exportada para mais de 50 países. Como foi isso?

Todo fotógrafo de newborn tinha uma necessidade e uma dificuldade. Junto com meu marido busquei resolver o meu problema e quando o produto ficou pronto vimos uma possibilidade de atingir o mundo todo porque era uma necessidade em comum e isso realmente aconteceu. Esse suporte tem dentro um pufe, que é onde a gente coloca o bebê pra fotografar. Com ele conseguimos manter as mantas bem esticadinhas e dar segurança para o bebê.

Algumas poses deixam as pessoas intrigadas. Como você consegue?
Uma delas é a que a gente chama de pose do sapinho, quando o bebê coloca as mãos embaixo do queixo. Na verdade é uma fusão de imagens, o bebê não fica daquela forma sozinho. Pela segurança dele e pela beleza a gente faz 2 fotos e depois une no photoshop.
Quais são os cuidados e recomendações para um ensaio como esse?

O ideal é que seja feito entre 6 e 12 dias de vida do bebê, mas também pode ser feito até 15, 20 dias. Quanto mais novinho ele tem mais flexibilidade, dorme mais profundamente. Nós usamos posições fetais, então quanto mais cedo melhor a memória dele para as poses. Nós temos um estúdio todo preparado para eles, com controle de temperatura, de umidade para que nada tenha mofo, cuidado extra com a higienização desde o ambiente aos acessórios, e conforto também para os pais porque é uma sessão demorada, que pode levar 4 a 5 horas.

Quem dá mais trabalho, os pais ou os bebês?

Às vezes os pais! (risos) Eles ficam muito ansiosos.

Existe algum truque para deixar o bebê quietinho?

Nós utilizamos todos os estímulos para que o bebê lembre a vida dele dentro do útero, a temperatura, o som, a vibração, tudo é feito pra fazer o bebe relaxar. A gente costuma usar um aparelhinho que treme, que simula os movimentos da mãe, o bebê fica super relaxado.

Quantos acessórios você tem hoje entre cestas, mantas e enfeites?
Na última contagem eram 1600, mas isso já faz 2 anos, hoje temos muito mais.

E como é lidar com tanta emoção no dia a dia?
É demais. Dia desses eu recebi uma família que tinha perdido o primeiro filho, que eu tinha fotografado inclusive mas que faleceu por uma fatalidade. E eles tiveram um segundo filho e quiseram fazer tudo novamente. Isso acaba mexendo com a gente, porque você vê o irmãozinho naquele bebê.

Você tem dois filhos, de 10 e 3 anos. Eles são muito fotografados ou como diz o ditado “casa de ferreiro espeto de pau”?

Bem como o ditado (risos). Todo mundo acha que é todo dia, mas não é bem assim, uma vez por ano nós fotografamos a família.

Assista ao vídeo com a entrevista:

 

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