Trago uma atitude-paradoxo criticadíssima na internet: reclamar de quem reclama

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Foto: Pexels

Por Marina Martini Lopes, jornalista da Itapema

Vou fazer aqui uma atitude-paradoxo que é criticadíssima na internet: reclamar de quem reclama.

Mas é sério: eu detesto gente que só reclama. De tudo. O tempo todo.

Pensei nisso esses dias, quando um grupo de conhecidos voltou de um programa de intercâmbio. Entre eles, estava uma menina que… Bem, só reclamou. Na volta e, aparentemente, durante a viagem: que as colegas de quarto eram insuportáveis, que o trabalho era pesado demais, que as festas não eram tão legais quanto os outros diziam.

O resto do grupo voltou tão animado e cheio de elogios que eles nem pareciam ter ido para o mesmo lugar – mas depois, conversando com eles, um a um, eu percebi que havia, sim, reclamações entre eles também: houve quem teve problemas com os colegas de quarto, “mas, ah, eu passava tão pouco tempo em casa, né? Nem fiquei focando nisso”; houve quem achou o trabalho pesadíssimo, “mas eu sabia que ia ser assim, né? Descansava o quanto podia e focava no fato de que estava ganhando uma grana legal”; houve quem não curtiu tanto assim as festas, “mas, poxa, tinha tanta coisa pra fazer na cidade além das festas! Eu consegui me divertir um monte.” Ou seja: o que fez a viagem ser ruim ou boa foi muito menos a viagem em si e muito mais o, digamos assim, mindset de cada um – o quanto cada um soube lidar com os perrengues e se concentrar nas partes boas.

E tem gente que parece que reclama o tempo todo: existe uma nuvem negra acima das cabeças delas, fazendo-as aumentar o tempo todo a importância das coisas ruins e diminuir a das coisas boas. “E aí, tudo bem?” “É, indo.” “Por quê? Aconteceu alguma coisa?” “Não… Sei lá. Bem por isso.” Como se algo extraordinário precisasse acontecer para se ficar feliz – como se não bastasse estar vivo, ter saúde, um emprego, amigos, seja lá o que houver de bom na sua vida (porque alguma coisa com certeza há). Algumas pessoas parecem achar que reclamar de tudo, achar tudo ruim, ser ranzinza, odiar todo mundo é algo cool – te faz meio blasé, meio mais legal que esses iludidos que se empolgam com qualquer coisa na vida, coitados. Mas quer saber? A vida deles provavelmente é muito mais legal que a sua.

E não porque a vida deles é, em si, puramente, de fato mais legal que a sua – mas porque eles fazem com que seja assim: focando no que há de bom e relevando o que há de ruim, optando por não sofrer e (perdão pelo clichê) sendo gratos por coisas positivas que eles vivem, têm ou presenciam (quantas pessoas será que dariam tudo para ter alguma coisa que já é normal no seu dia a dia?). Eu não acho que seja uma coisa mística – não acredito literalmente em O Segredo, olho-gordo ou “quando você quer muito alguma coisa, o universo todo conspira a seu favor”. É mais uma questão de atitude. Quem consegue focar no lado bom da vida sempre vai ter motivos para sorrir e histórias divertidas para contar – enquanto quem prefere se concentrar no que é ruim e escrever textões e mais textões de reclamações no Facebook pode acabar se esquecendo de que a vida é curta, e que o que devemos fazer é tirar o melhor de cada situação e aproveitar as experiências o melhor que pudermos. Seja no intercâmbio ou na rotina de sempre.

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