Comemorando 35 anos de Paralamas do Sucesso, João Barone afirma: “A nossa união é a nossa vida”

Paralamas do Sucesso
Paralamas do Sucesso. Foto Divulgação

Com 35 anos de sucesso, Paralamas do Sucesso dispensa apresentação. Consagrado no cenário musical, e principalmente na história do rock brasileiro, o trio formado por Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone tem uma trajetória de sucesso e acaba de renovar o repertório com o 13º álbum de inéditas da carreira, Sinais do Sim. O álbum lançado no final do ano passado dá nome a turnê que chegará a Florianópolis pela primeira vez no dia 1º de junho, no Rock Weekend – Costão do Santinho.

O festival acontece entre os dias 31 de maio a 03 de junho. Além da apresentação do Paralamas, estão confirmados os shows do Barão Vermelho, Raimundos, Malta e Dazaranha. Sócios do Clube NSC têm 20% de desconto no pacote para o evento.

Por telefone conversamos com João Barone, que contou um pouco do processo criativo do último álbum, da motivação para continuar na estrada depois de tantos anos e sobre o show do próximo sábado. Confere:

 

Após oito anos sem lançar um álbum de inéditas, Sinais do Sim é uma afirmação de que vale ‘Ver o nascer de um novo’? Como foi o processo criativo para esse novo trabalho, realizado logo após uma turnê comemorativa de 30 anos de carreira?

Estávamos bastante ocupados nesse período. Desde o último álbum, em 2009, nos envolvemos em outros projetos, como a turnê de 30 anos – que era para ser algo rápido, mas acabou se estendendo. Quando resolvemos separar um tempo nas nossas viagens de shows para se dedicar a um material novo, fomos fazendo isso sem uma meta ou prazo. Então quando a gente viu já tinha passado todo esse tempo. Na verdade, o novo álbum foi feito ao longo de dois ou três anos. Depois desse período de shows só tocando nossos sucessos, estávamos sentindo falta de tocar músicas novas. E foi aí que resolvemos acelerar um pouco esse processo de criação. Um disco novo sempre serve para você dar uma renovada geral.

 

Que referências vocês utilizaram para produção de Sinais do Sim?

Quando lançamos o disco, há alguns meses atrás, essa pergunta foi muito frequente e a reposta foi se modificando ao longo desse período. Agora que estamos conseguindo ver melhor o resultado do que produzimos. Na hora que saiu ainda estávamos com aquela coisa da novidade. Estávamos muito nesse processo de selecionar as músicas, ensaiar, preparar, arranjar e trazer novas referências. E aí, quando você grava você ainda está muito imerso nesse trabalho de feitura e quando o disco está pronto você leva um tempo para perceber tudo que você colocou naquele caldeirão (rsrs).  Agora que estamos conseguindo ter noção desses sabores, dessa cozinha que a gente usou para conceber esse álbum. Acho que é um disco – que com 35 anos de estrada – traz a essência do nosso trabalho, da nossa capacidade musical e da capacidade de composição do Hebert – o que ele tem conseguido fazer maravilhosamente bem com a visão de mundo dele, e que assinamos embaixo. Temos algumas surpresas como a música que o Nando Reis nos deu de presente, e gravamos também uma música de uma rapper portuguesa, uma canção que fala muito dos tempos atuais.

 

O que você destaca em Sinais do Sim em comparação aos outros 13 álbuns de inéditas da discografia do Paralamas?

Às vezes você é obrigado a reconhecer que depois de um tempo ele é a essa essência do que a gente é, e da sonoridade do Paralamas, do discurso do Hebert. E a gente consegue colocar isso num prisma diferente, num foco diferenciado do que a gente já fez, mas utilizando o nosso conceito, a nossa receita. Circulamos entre tudo que a gente já fez e no rock, principalmente.

 

A música que estão trabalhando agora é Teu Olhar, que tem uma pegada mais romântica. Como acontece essa mescla de ritmos?

Na verdade, não é uma pegada mais romântica, é uma balada típica do Paralamas. Onde exploramos esse formato de uma maneira bem original. É o grande atestado dessa música. Tem um lirismo que o Hebert já conseguiu expressar em outras baladas também. Acho que o Paralamas tem uma diversidade muito grande no discurso. Já abordamos de forma muito explicita as questões sociais e políticas do Brasil. A corrupção a gente abordou nos anos 80 e está valendo ainda hoje. O Teu Olhar é uma música que a gente adora e que pode ser perfeitamente uma nova Lanterna dos afogados, uma música que pega todo mundo pela singeleza e simplicidade. Traz uma história de amor bonita e uma sonoridade bacana, com cordas de verdade e violoncelos.

 

Com 35 anos de estrada qual a motivação de vocês para continuar rodando o país levando o trabalho do Paralamas?

Acima de tudo é a nossa entrega para o público. Temos o compromisso com esse agrado. A nossa união é a nossa vida, a gente preza muito pelo que faz e ainda temos essa disposição para viajar o país com a nossa música. Se dependesse do Hebert faríamos um show por dia. Porque a gente vê que ele tem essa chama, essa vontade de estar no palco, de estarmos tocando junto. É algo sagrado. Esse sentimento e essa vibração continuam os mesmos desde quando começamos. Gostamos muito de estar no palco, de criar e de tocar. E toda essa dinâmica tem obedecido a um ritmo muito natural. Temos falando muito isso em outras entrevistas, todos os artistas e bandas que possuem essa longevidade, vão encontrando formas de demonstrar o seu trabalho da maneira mais conveniente possível. Somos uma banda de estrada, gostamos de fazer show. E a gente conseguiu um equilíbrio nesse mecanismo todo.

 

Impossível não ligar a música do Paralamas a momentos históricos e a política brasileira. Como o grupo se posiciona nesse momento do país?

Nosso posicionamento político continua o mesmo. Sempre apostamos nas grandes possibilidades que o nosso país possui. Igualdade é uma coisa que a gente sempre esperou, mas que não aconteceu. Nos últimos vinte anos, vivemos uma ilusão de que estávamos construindo essa trajetória, e recentemente a gente está com uma sensação muito desagradável de que era tudo uma grande ilusão, foi tudo uma grande armação para que meia dúzia ficasse milionária. E curiosamente é um sentimento global.

Passamos aquele momento no final dos anos 90 com a sensação de que o dinheiro estava valendo mais e que estava todo mundo comprando mais. Não é porque fulano ou beltrano é presidente, mas é que todo mundo quer um telefone celular – e no Brasil tem três celulares para cada habitante. Então existe uma tendência muito forte de politizar essa necessidade que as pessoas têm de bem-estar. O bem-estar é um negócio que precisa existir independente de quem esteja no poder. Isso deveria ser uma meta de todo mundo, mas acabou que mais uma vez virou um oportunismo político, e a gente continua vivendo no Brasil. É uma pena que estejamos vivendo esse retrocesso em todo o nosso planeta, e de uma forma muito mais brutal aqui. É uma tristeza ver que a educação continua a ser deixada em segundo plano.

A gente vê que países do tamanho de um município brasileiro lá na Ásia, são países que não tem nem onde plantar arroz e os caras viraram potência.

Mas a gente não necessariamente precisa colocar isso embutido no nosso discurso atual, o Paralamas tem um posicionamento político inequívoco há muito tempo. Mesmo assim, ainda colocamos a canção Medo do Medo – em parceria com rapper portuguesa Capicua – no álbum novo. A canção fala desse sentimento oportunista de muitos políticos. A população vive um ambiente de medo e isso é utilizado pelos políticos em seus discursos reacionários, em que violência tem que ser tratada com violência – o que é um grande equívoco. Enfim, é isso, a gente também tem um posicionamento e não é de hoje.

 

 

O show do Rock Wekeend será da turnê Sinais do Sim? Essa será a primeira vez que vocês trazem esse show para Florianópolis?

Sim. Começamos a turnê em outubro do ano passado e essa será a primeira vez que vamos levar o show para Florianópolis. É um show voltado ao nosso novo trabalho, mas o grande desafio quando você sai com uma turnê referente a um disco novo, é conseguir equilibrar o repertório, também com o repertório que todo mundo conhece. Agora já estamos com essa percepção, depois de alguns meses na estrada, de que a gente conseguiu equilibrar essa ordem de músicas para o show.

 

 

ROCK WEEKEND – COSTÃO DO SANTINHO

De 31/05 a 03/06

O Costão do Santinho promove mais uma edição do festival Rock Weekend entre 31 de maio e 3 de junho. A preparação inclui recepção com o show da banda Dazaranha e welcome drink regado a chopp. Na programação estão previstos torneios de caipirinha, de game Guitar Hero e o Costão Disco com setlist digno de uma noite “rockstar”. Também haverá uma equipe de recreação e espaços voltados ao público infantil. A alta gastronomia do Costão reanima os fãs com comida e bebida à vontade.

Desconto de 20%. Compra direto pelo 0800 645 0929 informando que é sócio do ClubeNSC ou pelo site com código DCROCK.

Onde: Costão do Santinho Resort (Estrada Vereador Onildo Lemos, 2.505, Ingleses do Rio Vermelho, Florianópolis).