Passar óleo no umbigo não cura ressecamento de pele

Nem é capaz de combater dores na articulação. Se você receber uma mensagem com essas informações, não repasse

Foto: Pixabay

É comum que pessoas enfrentem problemas como pele e cabelos ressecados, dor nas articulações ou boca e calcanhares rachados. As causas desses tipos de problemas são várias, mas seria ótimo ter uma única solução para acabar com todos eles de uma vez só, não é? Uma mensagem que tem circulado pela internet afirma que sim, essa solução milagrosa existe. Consiste apenas em aplicar óleo no umbigo. Será que isso é verdade?

Assim como outros boatos que circulam pelas redes, este também não tem sua origem no Brasil. Vem de um local bem distante, a Índia. Ao que tudo indica, surgiu a partir da tradução de um texto publicado em 2016, em um blog de piadas indiano.

Ou seja, uma mensagem que não passava de uma simples brincadeira foi traduzida e agora é compartilhada como se fosse algo verdadeiro.

O texto traz afirmações curiosas, como: “o nosso umbigo é um presente incrível dado pelo nosso criador” e “depois que uma pessoa falece, o umbigo continua morno por três horas”. Além disso, o texto cita a existência de um ponto atrás do umbigo, chamado de “pechoti”, que é ligado a mais de 72 mil veias.

O umbigo é realmente muito importante para os seres humanos, mas apenas durante a gestação, quando ele permite a conexão do embrião com a placenta por meio do cordão umbilical – constituído por duas artérias e uma veia –, responsável por fornecer nutrição e oxigênio ao feto. Após o nascimento, esse processo não é mais necessário, e o cordão umbilical é cortado. Sendo assim, o umbigo torna-se apenas uma cicatriz.

– Depois da gestação, o umbigo não tem mais nenhuma função para o ser humano – afirma o clínico-geral José Fossari, do Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Porto Alegre.

De acordo com Roberto Umpierre, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o trecho da mensagem sobre a região chamada pechoti traz uma informação completamente falsa.

– Isso não existe, é totalmente mentira. Não há nenhum sentido fisiológico nessas afirmações. No momento em que nascemos, a veia e as duas artérias secam, e o umbigo perde toda a função – acrescenta o médico.

As informações de que o umbigo é a primeira parte do ser humano a ser formada durante a gestação e a de que ele continua aquecido por três horas após a morte são tão falsas como as outras. Umpierre destaca que, no início da gestação, somos apenas um aglomerado de células e que é na sexta semana – quando o coração já está formado – que o cordão umbilical começa a fornecer nutrientes para o feto.

A respeito da ideia de que ele continua aquecido após a morte, Umpierre observa que isto até pode ter sido observado, mas que nada tem a ver com a conexão de alguma veia:

– As extremidades do corpo são as primeiras a esfriar após a morte, e a região do centro demora um pouco mais. A única coisa que poderia explicar essa ideia é a localização do umbigo.

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