Paulão do vôlei: com um pé na areia e outro na quadra

Campeão olímpico fala sobre o estilo de vida morando em Florianópolis e os novos projetos envolvendo crianças e esporte

paulão
Foto: Betina Humeres/DC

Há pouco mais de um ano o craque do vôlei Paulão decidiu unir desafio profissional e qualidade de vida. Queria, entre outras coisas, sair para trabalhar de bicicleta, ensinar vôlei para crianças, ajudar a desenvolver um time de alta performance e caminhar na beira da praia com a esposa. O local escolhido foi Florianópolis, mais precisamente o famoso balneário de Jurerê Internacional, conhecido pelas mansões, segurança, belezas naturais e por atrair gente do mundo inteiro na temporada de verão.

A mudança do Rio Grande do Sul, de onde é natural e estava atuando como técnico de vôlei, para Santa Catarina foi motivada por um convite feito para que se tornasse diretor esportivo do Jurerê Sports Center, um grande clube local que fomenta a prática de diversas modalidades esportivas entre crianças e adolescentes. Era o que faltava no currículo do campeão olímpico que participou de três olimpíadas como atleta e trabalhou em outras três. Depois que se aposentou das quadras, Paulão ainda gerenciou clubes de vôlei, foi diretor no Ministério dos Esportes, atuou em diversas entidades esportivas e na Copa do Mundo de 2014. Viajou o Brasil fazendo palestras falando principalmente sobre a importância do trabalho em equipe. Mas foi aqui que viu a oportunidade de colocar em prática um sonho antigo. “A ideia é transformar o clube numa espécie de vila olímpica”, brinca. “Vamos incentivar o esporte com toda a estrutura para formação completa das crianças”.

Um de seus projetos acaba de sair do papel. Começou neste sábado e vai até o próximo domingo o Winter Camp, uma espécie de acampamento de férias nos moldes do que já acontece em países como Estados Unidos e Canadá. Adolescentes de 8 a 14 anos estão sendo estimulados a experimentar diversas modalidades esportivas com profissionais de alta performance,  todos amigos de Paulão e que toparam na hora o convite para vir participar. “O legal é que a criança acredita que vai dar certo, isso é fundamental para o sucesso”, diz. “Eu sempre incentivo todos a participarem de todas as atividades, mesmo achando que não vão conseguir”.

paulao
Foto Betina Humeres/DC

Do alto dos seus 2,01m de altura e 55 anos de idade, Paulão conta que ele mesmo tem experimentado outros esportes, como o tiro com arco e o beach tênis, que pratica com frequência. “Agora quero começar o muay thai, quanto mais esportes eu puder fazer melhor, nunca é tarde pra começar”, fala empolgado. Entre os próximos desafios está o de viabilizar a construção de um ginásio capaz de receber jogos profissionais no local e ainda ajudar a montar um time de alta performance, como ele conta nesta entrevista especial à Revista Versar.

A sua chegada ao JUSC foi bastante comemorada no ano passado. O que te motivou a assumir esse desafio em Florianópolis?
Acho que é o sonho de todo mundo vir morar em Florianópolis, em Jurerê, isso aqui é o paraíso. Eu vinha periodicamente para cá e agora morando há 1 ano descobri os cantinhos, os detalhes, o quanto tem de verde, de qualidade, de planejamento. Olha que eu viajei o mundo inteiro pelo voleibol, mas aqui realmente vale à pena. E eu me criei com essa questão do fomento esportivo, então trabalhar num clube faz parte da realização de um sonho.

Como é a sua vida aqui?
Gosto de correr, ando muito de bike, de vez em quando venho pela areia da praia sentindo a brisa, então eu estou curtindo coisas que nunca tinha curtido. É muita energia positiva que a gente absorve.

Você estava treinando um time de vôlei antes de vir para cá? Como é trabalhar com crianças?
Eu joguei voleibol 30 anos, foram 15 anos de seleção brasileira, 3 olimpíadas jogando e mais 3 trabalhando, então eu convivi muito com alta performance, vilas olímpicas, ginásios e centros esportivos de performance e educativo. Eu sou apaixonado por esporte educativo, de oportunizar às crianças a gostarem do esporte, e eu precisava de um clube para isso, aí surgiu o JUSC. A ideia é colocar pra fora esse sentimento, essa gratidão do que o esporte me deu. 

Qual a importância para as crianças do contato desde cedo com o esporte? Como foi a sua iniciação?
Na escola eu pratiquei handebol, atletismo, futebol e casualmente faltou gente no voleibol e me levaram junto e engrenei. Meus filhos também praticaram várias modalidades e acabaram escolhendo o voleibol. Eu acredito muito nesse processo de experimentar e a criança  tem o brilho no olho, confia, o adulto já tem seus vícios, suas desconfianças, a criança acredita que vai dar certo, eles vão e fazem, isso é fundamental para o sucesso.

Almeja formar um time competitivo?
Nós estamos fechando parceria com a Acate, que é a Associação Catarinense de Tecnologia, e com a ACIF para trazer uma série de tecnoclogias pra cá, desde árbitro de vídeo até controle pelo DNA, que mostra suas intolerâncias, alergia, qual a mehor alimentação para te deixar mais forte, mais condicionado. Nós queremos que o praticante venha pra cá e quem almejar o sonho de ser profissional vamos dar suporte, trabalhar com neurolinguística, coachs. Estamos conversando com várias empresas para tentar resgatar o voleibol em Florianópolis. A gente quer construir um ginásio aqui, é um compromisso que eu estou assumindo, é fundamental para o norte da ilha termos uma estrutura dessas capaz de receber jogos, treinamento. A criança assistindo alta performance ela se motiva.

paulao
Foto Betina Humeres/DC

Como vai funcionar o projeto do Winter Camp, que começa neste fim de semana?
A ideia do camp é passar para as crianças o quanto vale à pena você arriscar, praticar, escolher e ver coisas novas. Foi uma ideia da gente colocar em prática uma experiencia muito positiva e estamos trazendo muita gente de qualidade, companheiros e parceiros que jogaram comigo e outros tantos atletas que tive o prazer de trabalhar, mostrando o quanto a história de cada um é importante. E pra escrever história a gente tem que vivenciar, experimentar, só depende da gente.

Que atividades vão ser desenvolvidas?
Vôlei, futebol, circo com toda a parte do equilíbrio e brincadeiras, tiro com arco que trabalha precisão, foco, concentração, tem ginástica, flow barre dance que é dança com alongamento e pilates, o beach tennis que é o esporte do momento, tênis, boxe, muay thai, judô, danças, contação de história, pintura. É importante passar por tudo, experimentar, mesmo quem acha que não sabe. Eu vou dar as aulas de voleibol, tô muito empolgado e motivado em compartilhar isso com as pessoas.

Você ainda joga vôlei?
Competitivamente eu fui brincar depois que parei de jogar e as pessoas cobravam muito, o sangue começou a subir pra cabeça e eu parei, então agora só me divirto, brinco na areia, aos sábados de manhã dou aula e me satisfaz entregar o que aprendi. Gosto muito de ensinar, de trabalhar com a molecada. Hoje eu estou praticando muito o beach tenis e tiro com arco. Quero fazer muay thaui ou boxe, algo diferente, quanto mais puder fazer melhor, nunca é tarde para começar.

SERVIÇO WINTER CAMP:
Idade: 8 a 14 anos (aberto ao público)
Período: 14 a 22/07 das 9h às 17h
Valor: R$ 160 por dia ou R$ 1.120 por semana
Informações: (48) 3282-2530 ou recepcao.jusc@jurere.com.br

Assista ao vídeo com a entrevista:

Leia mais:

Marcos Piangers e o estilo de vida da família mais pop do Brasil

Diário de mãe: a importância e as dificuldades da amamentação

Experiência gastronômica de Santa Catarina para o mundo