“Merece todos os aplausos que ela está recebendo pelo Brasil inteiro”, diz Paulo Gustavo

“O Filho da Mãe” será apresentado neste sábado, na Arena Petry, na Grande Florianópolis. Sócio e acompanhante do Clube NSC tem desconto de 50% na compra antecipada no site da Blueticket

paulo gustavo
Foto: Divulgação

O humorista Paulo Gustavo volta para Santa Catarina para apresentar seu mais novo espetáculo ao lado da mãe Déa Lucia. No musical “O Filho da Mãe” os dois cantam canções que fazem parte da história de Déa na noite como crooner. Noel Rosa, Vinícius de Moraes, Pixinguinha entram no espetáculo na voz da dupla. Dividida em blocos, a apresentação traz vários ritmos musicais, e, em um dos blocos, Paulo desafia a mãe com canções da nova geração. Músicas de Anitta, Ludmilla e Preta Gil são cantadas pelo humorista, que aborda também no espetáculo assuntos como feminismo e homofobia.

— Acho que o humor também tem muito essa característica de você tocar num assunto delicado e sério de uma forma leve e divertida — comenta o artista em entrevista para a Revista Versar.

A apresentação será no dia 29 de junho, próximo sábado, na Arena Petry. Sócio e acompanhante do Clube NSC têm 50% de desconto na compra do ingresso antecipado, no site da Blueticket.

Confira a entrevista completa:

 

A necessidade de cuidar dos filhos afastou o desejo de sua mãe de ser cantora. Esse espetáculo é uma forma de retribuir esse gesto dela?

O desejo de ser cantora nunca saiu da minha mãe, na verdade ela tinha urgência de levar dinheiro para casa e sustentar a gente. Minha mãe sempre foi assim, ela não só trabalhou na noite cantando, mas ela trabalhava como porteira do prédio, vendendo quentinha, era corretora de imóveis, ela fazia painel de festa infantil. Nossa, minha mãe é exemplo de mulher trabalhadora, empoderada, que se vira nos 30. Isso é até uma coisa que eu comento no espetáculo, porque sei que feminismo é assunto que está em pauta, mas isso na minha casa sempre foi muita prática. Minha mãe sempre sustentou a gente, claro que com alguma ajuda do meu pai, mas eu sei que ela é a grande guerreira. Sem querer falar do meu pai porque ele é maravilhoso — e eu quero vir filho dele em todas as próximas encarnações —, mas minha mãe é o máximo. Então é, com certeza, uma forma de retribuir essa luta dela com a gente, essa minha história com ela. Se não fosse ela, eu não estaria aqui hoje. Minha mãe é lutadora, uma guerreira. Merece todos os aplausos que ela está recebendo pelo Brasil inteiro, com esses palcos grandes e com essas milhares de pessoas.

 

Quando e como a música entrou na sua vida?

A música entrou na minha vida de forma muito natural. Quando eu era criança, como minha mãe não tinha babá – porque babá era coisa pra rico – minha mãe coitada, trabalhando em dez empregos diferentes para poder sustentar a gente, trabalhava e levava a gente no ombro, literalmente. Eu e minha irmã muitas vezes dormimos em coxias e cantinhos de bares para minha mãe cantar três horinhas e levar dinheiro para casa. Então, acaba que eu fui criado na música, eu fui escutando e ficando com o ouvido mais criterioso. Eu escutei muita música boa. Noel Rosa, Ary Barroso, Vinícius de Moraes. Ganhei essa experiência por conta da minha mãe e dessa luta dela. E essas músicas são muito familiares para mim. Pixinguinha, Noel Rosa, Vinicius de Moraes e Chico Boarque, sou fã de todos esses artistas da música brasileira. Modéstia a parte, eu estou fazendo bonitinho no show. E devo isso a ela.

 

Como foi a escolha do repertório deste espetáculo? Rolou algum desentendimento com a mãe na hora das escolhas?

Não, jamais rolaria algum desentediamento com ela, até porque eu estou montando pra ela. Eu deixei ela escolher todo o repertório, e foi feito a partir do que ela cantava antigamente. Só que ela cantava de 3h a 4h, e agora no espetáculo temos 1h30min, então precisamos escolher as músicas que ela mais gostava de cantar, e, claro, que a gente escolheu coisas atuais também. O espetáculo é todo costurado por histórias, por músicas e por temas. Entre um bloco e outro – tem o bloco de Bossa Nova, tem bloco de Samba, tem o bloco de batalha, que ela canta coisas da época dela e eu canto da minha, então ela canta Erasmo Carlos e Rita Lee e eu canto Anitta, Ludmilla, Preta Gil, então é um bloco divertido. Tem um bloco que ela canta música internacional, porque ela fala que quem canta na noite tem que se virar nos 30 e cantar tudo que é tipo de música e em tudo que é tipo de língua. Ela canta em francês, La Vie en rose, canta New York, New York, Solamente una vez, Volare, e canta outras músicas. É muito legal e divertido. Mas foi ela que escolheu o repertório e foi selecionado a partir do repertório dela.

É um espetáculo musical, mas também humorístico, além do repertório pré-definido, existe um roteiro, como é a dinâmica dessa apresentação?

A gente colocou essa coisa do humor entrelaçando, na verdade não existe uma costura de começo, meio e fim, entre um bloco e outro existe um bate papo com a plateia, que claro, sendo comigo e com minha mãe, não poderia ser diferente senão engraçado. Mas, enfim, para te dar um exemplo, ela canta cinco músicas gringas, onde ela fala que na noite tem que cantar de tudo. Começa com New York, New York e eu perguntando para ela como ela gostaria de começar o show, e ela fala: ‘Meu sonho era começar esse show descendo uma escadaria cantando New York, New York igual a Laize Minelli’. Daí eu brinco: ‘Mas a Laize Minelli não tem artrose’. E aí começa uma brincadeira, poque ela já fala: ‘Vai pra merda Paulo Gustavo, se eu tivesse com dor era só encher a cara de corticoide. E quem te garante que a Laize Minelli não tem artrose?’. Então é isso, começa um bate papo gostoso, que eu falo: ‘Mãe, você nem gosta de Nova York, eu fui para lá com você no Central Park e você disse que era uma merda. Que foi criada em Itaipu e Itacoatiara que tinha um monte de árvore, que NY não tinha graça nenhuma. Na 5th Avenue você não quis andar.’ E ela responde: ‘Claro só tem loja para magro, eu vou fazer o que?’. Então é quase que um stand up eu e minha mãe, entre um bloco e outro.

 

Em entrevista você comentou que ‘O Filho da Mãe’ também traz algumas questões bem importantes como o feminismo e homofobia. Como é tratar desses temas tão densos dentro de um projeto com uma proposta tão leve?

Eu acho que é exatamente essa a proposta, é tornar, conversar e introduzir um assunto sério de uma forma leve e usando esse viés do humor, porque eu acho que o humor também tem muito essa característica de você tocar num assunto delicado e sério de uma forma leve e divertida. Isso desce gostoso nas pessoas. Entramos no assunto homofobia contando que a minha mãe fazia painel de festa infantil e ela fez uma festa do Sítio do Pica Pau Amarelo e tava tudo certo para eu ir de Visconde de Sabugosa, mas eu quis ir de Emília. Vamos entrando de uma forma engraçada. Eu conto que a minha mãe nunca me proibiu de ser a Emília, Beyonce, Madonna, Dona Hermínia. Ela fala: ‘sua personagem mais famosa é a Dona Hermínia’. E eu falo: ‘sei que esse assunto para muitas famílias não é tão fácil, não é a realidade para todo mundo, mas na minha casa eu tive uma família maravilhosa que me aceitou do jeito que eu sou’. Nesse momento a minha mãe se levanta e faz um discurso, mas tudo é emocionante, tudo leve, sutil, e acho que a gente fala de uma forma tão leve que a gente toca e tenta transformar até o mais preconceituoso da plateia. Essa é a nossa intenção.

 

A relação familiar de vocês é muito forte, tanto que em seus trabalhos sua mãe e sua irmã estão sempre envolvidas de alguma forma. Como fazem para separar o trabalho da vida pessoal, vocês fazem esse esforço ou não sentem essa necessidade?

Sim, temos uma relação bem forte na família toda. Tudo vira personagem, dá pano para manga, viram histórias engraçadas e divertidas. Na peça 220 Volts eu coloquei coisa da minha família, no Minha mãe é uma peça, nem se fala, é um espetáculo completamente para a família, o Hiperativo também tinha essa coisa. Mas o autor tem isso de colocar a vida pessoal, de colocar no papel o que a gente vive, e eu sou um cara muito observador. Acho que isso é uma das minhas qualidades. E onde é que eu acho meus personagens? Na rua, no supermercado, no ponto de ônibus, nas viagens que eu faço, na padaria, no táxi e na minha casa. A minha família mega se diverte com isso. Eu já brinquei com todo mundo da minha família em todos os espetáculos, e é sempre muito bem recebido por eles. A minha mãe ama a Dona Hermínia. E se sente muito orgulhosa e agradecida pela homenagem.

 

Falando em família, você e Thales continuam com o projeto de aumentar a família? Quando chegam os filhos?

Sim, temos muita vontade de aumentar a família e isso vai acontecer no momento certo. A gente é muito feliz, sou muito feliz por ter encontrado o Thales e já vamos fazer seis anos juntos. Somos muito parceiros e cúmplices um do outro. A gente tem uma relação muito forte, realmente foi um presente de Deus. Ele é totalmente diferente de mim e isso é maravilhoso. Eu sou totalmente agitado e ele calmo, eu sou artista e ele médico, ele é mais caseiro e eu sou mais da rua. Isso é o mais legal na nossa relação, o quão a gente é diferente um do outro. Eu aprendo muito com ele e ele aprende muito comigo. Tão diferentes em tantos sentidos, mas a gente encontra o equilíbrio, que é o mais difícil. E a gente ama um ao outro. A família vai aumentar na hora certa.

 

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Serviço

O quê: Espetáculo Filho da Mãe de Paulo Gustavo e Déa Lúcia Quando: 29 de junho, às 21h30
Onde: Arena Petry, SC-281, 4000, Sertão do Maruim, São José, Tel: (48) 3954-2400
Quanto: Ingressos a partir de R$ 40
Ingressos online: www.blueticket.com.br. Sócio e acompanhante do Clube NSC tem 50% de desconto na compra do ingresso antecipado, no site da Blueticket.

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