Fala, galera! Paulo Jubilut virou fenômeno na web e está ajudando a revolucionar o modo de ensino

"Ninguém aguenta o Jubilut, daquele jeito espalhafatoso, o dia inteiro", diz o professor e empreendedor

Jubilut em seu escritório, na Capital. Foto: Leo Munhoz

Paulo Jubilut dava aulas de biologia em cursinhos pré-vestibulares quando foi demitido e decidiu gravar algumas aulas para disponibilizá-las na internet. Com o sucesso dos vídeos, teve a ideia de criar a plataforma Biologia Total que, além das videoaulas, propõe uma nova maneira de estudar. Popular na web, com mais de 1,3 milhões de inscritos no Youtube e 3,3 milhões de curtidas no Facebook, ele vem trabalhando para fortalecer o ensino híbrido, tendência na educação que mescla o ensino online e o presencial. Dia desses, batemos um papo na sede da Biologia Total, em Florianópolis. Confira:

Você é um cara sério. Nos vídeos das aulas, parece que se transforma. É um personagem que você assume? É onde se sente à vontade?

Eu amo o que eu faço. Quando entro num lugar ou ligo a câmera, é uma coisa que me deixa muito feliz. E a felicidade transparece. Mas sou uma pessoa tímida, no meu dia a dia sou fechado e falo pouco. Quando é a hora de ensinar, de me apresentar, eu me transformo. Digo que sou o Paulo Jubilut – geralmente sou o Paulo e quando vou dar aula viro o Jubilut. Então, poderia dizer que sim, é um personagem que eu criei para ensinar Biologia para as pessoas. Ninguém aguenta o Jubilut, daquele jeito espalhafatoso, o dia inteiro.

Qual foi a coisa mais legal que aconteceu desde que você ficou famoso?

Várias coisas. A situação financeira melhorou, e como professor presencial eu nunca ia ter a condição que eu tenho hoje. As pessoas dizem que dinheiro não traz felicidade, mas pelo menos ameniza a tristeza (risos). Mas quando eu fui convidado para ir no Encontro com Fátima Bernardes, pensei: “nossa, meu trabalho me proporcionou estar aqui com uma pessoa que era inatingível”. E aí comecei a conhecer pessoas de quem eu era muito fã: músicos, bandas. E às vezes elas falam que assistiram às minhas aulas. Conhecer pessoas que são bem-sucedidas é muito legal, porque você aprende muito com quem também está fazendo acontecer.

E tem as viagens. Hoje consigo pegar minhas férias quando eu quero e aproveitei para começar a gravar aulas nesses lugares. Tenho aulas mergulhando com tubarão-branco, no deserto da Arábia com camelos, sobre branqueamento de corais na Ásia. Isso é muito mais poderoso para o aluno. Foi a maneira que eu encontrei de inovar na educação para
sair da mesmice do ensino presencial.

Assista à entrevista completa:

 

Você acha que essa revolução no ensino está perto ou longe de ocorrer?

Ela já está acontecendo, mas de uma maneira vagarosa. A utilização de tecnologia para potencializar o aprendizado dos alunos já ocorre. Mas uma coisa legal do meu trabalho foi que ele possibilitou que eu conhecesse muito do Brasil. Recentemente fui para o Oiapoque e visitei uma escola indígena. Pedi para olhar a sala de informática e só tinham dois computadores velhos e quebrados. Então, por mais que a gente faça acontecer na internet, tem que lembrar que 50% do Brasil ainda não tem acesso a ela. Primeiro temos que democratizar o acesso para que ela possa causar uma mudança significativa nessas pessoas.

A educação no Brasil é precária, mas como a gente mora em Florianópolis às vezes existe o efeito bolha. Você pensa que o Brasil é assim, e não é. Quem grava vídeo aula hoje fala que está ajudando a democratizar a educação. Mais ou menos. A internet proporciona autonomia de aprendizagem. Mas, volto a repetir, para pessoas que têm acesso, que geralmente é a elite, que vive em grandes centros. Hoje as pessoas que mais precisam ainda não estão tendo acesso a essa potencialidade dentro da educação. Mas vai acontecer. Isso é muito transformador. Uma sociedade bem educada muda o país. Que é o que a gente não tem hoje.

O que jovens professores podem fazer?

Muita gente usa meu exemplo como inspiração. Quando eu falei que ia ser professor, primeira coisa que escutei é que é ia morrer de fome. Os pais falam isso. Existe uma rejeição. Quando eles conseguem ver um professor que deu certo, que conseguiu realizar os sonhos, eles pensam: “peraí”. Muita gente me escreve dizendo que quer ser professor. Tem gente pensando em vir de uma nova forma, não esse professor tradicional que tem hoje, mas um mais antenado e conectado. Hoje vejo que o professor tem muita resistência ao novo. Ele fica repetindo o velho modelo, mas os alunos mudaram. Eles nasceram com a internet. O cérebro é outro, diferente do aluno de 20 anos atrás. Aí fica o professor infeliz reclamando dos alunos, “no meu tempo era diferente”. Como assim no seu tempo, você está vivo ainda! Seu tempo é agora. Temos professores analógicos para alunos digitais, e aí que está o embate. Um professor bem preparado se vira e encanta até com giz na mão.

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