O lado B do diretor geral da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil

pavel kazarian
Foto Fernando Barros/Divulgação

Desde 2007 ele é a voz firme por trás da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Nascido em Moscou, Pavel Kazarian veio para Joinville em 2001 com a proposta de ser professor residente por três meses. Começou ministrando aulas de piano e acompanhando as aulas de dança, mas como teve facilidade de aprender o português acabou ficando.

O que nem todo mundo sabe é que além de um excelente gestor, Pavel é também um músico excepcional, que começou a tocar piano aos quatro anos de idade, foi diplomado pelo Instituto Tchaikovsky e aos 18 foi contratado pelo Teatro Bolshoi de Moscou. A paixão pela música nunca ficou de lado, mas recentemente foi resgatada de forma mais intensa, especialmente depois do nascimento do filho Vincent, de dois anos. Além de ter lançado dois CDs autorais ao lado do violinista Gabriel Vieira, Pavel toca numa banda de rock, a Máfia Bardini. Foi sobre esse lado artístico que ele falou na entrevista especial à Versar:

De onde veio o interesse pela música?
Aos quatros anos comecei a fazer aulas de piano num projeto social em Moscou. Foi por acaso, meus pais não são músicos, mas desde o começo gostei muito. Toda minha formação foi na música. Fiz concurso público para o Teatro Bolshoi na Rússia, passei e acho que fui o músico mais novo da companhia. Comecei a trabalhar com balé, fiz turnês como pianista e quando abriu a escola no Brasil, em 2001, fui encaminhando para passar três meses. Não imaginei que ficaria tanto tempo, mas gostei e fui ficando. Até um tempo atrás ainda tinha dúvida se meu futuro seria aqui, mas agora tenho família, esposa, filho, tudo no Brasil.

Como um pianista clássico vai parar numa banda de rock?
Quando eu assumi a função administrativa na escola do Bolshoi comecei a sentir falta de uma realização artística, então comecei a tocar teclado numa banda de rock nas horas vagas.  Agora tenho também um projeto com um violinista, lancei dois CDs autorais, fomos premiados como melhor álbum de 2018 no Prêmio da Música Catarinense. A música que antes era profissão agora é hobby, 95% do meu tempo ainda é para o Bolshoi.

pavel kazarian
Foto Fernando Barros/Divulgação

Você toca todos os dias?
Tento tocar nem que seja um pouco. Acho que o nascimento do meu filho, há dois anos, aguçou essa vontade. O primeiro CD foi feito na gravidez e o segundo depois do nascimento. Antes eu tinha muita vergonha de dividir com as pessoas, mas o nascimento de um filho te faz pouco se importar com a opinião alheia, então de certa forma isso me fez me libertar mais.

Você ensina russo para o seu filho?
Ele sabe contar em russo, sabe o nome de animais, temos livros em russo em casa, ele já foi para a Rússia, mas eu sei que é complicado. Normalmente a criança pega a língua materna e eu prefiro que ele fale bem português do que fale mal russo.

Como foi sua adaptação em Joinville?
Foi bem tranquila, o brasileiro gosta de falar com estrangeiros, as pessoas têm muita curiosidade e isso facilita muito o processo de adaptação. Diferentemente da Europa, tive outras experiências por lá, e as pessoas ficam com pé atrás pela língua, costumes, mas aqui as pessoas são muito receptivas.

Qual o segredo para se manter por tanto anos à frente de uma instituição como o Bolshoi?
Nunca imaginei isso, mas vejo que no Bolshoi tudo é muito descentralizado, tem vários coordenadores, muitas pessoas envolvidas com a escola, temos muitos alunos que viraram professores e eu vejo que quando tu envolve mais pessoas o resultado sempre é melhor. Desde o começo existe esse processo de mutirão.

Onde se imagina daqui 10 ou 15 anos?
Eu não faço planos de longo prazo, mas acredito que fazendo certo todo dia você vai chegar onde você imagina e não conta para os outros (risos).

pavel kazarian
Foto Fernando Barros/Divulgação

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