Peças descartadas pela natureza ganham vida nova nas mãos de designer catarinense

Juliano Guidi. Foto divulgação

Um dom muitas vezes vem de onde menos se imagina. Quem diria que a infância em Campo Murão (PR), onde cresceu rodeado por objetos de madeira, faria do blumenauense Juliano Guidi um artista como poucos, capaz de transformar resíduos encontrados na natureza em verdadeiras obras de arte.

Há 10 anos, Juliano fixou residência em Balneário Camboriú, onde assumiu sua paixão pelo design e deixou aflorar seu dom artístico com a madeira. Foi em BC que passou a atuar na sua área de formação, o Designer, e transformou o trabalho de reaproveitamento em madeira em profissão.

Juliano é fundador da Residual Arte & Design, localizada na zona rural de Itajaí. As peças assinadas por ele e sua equipe ganham um tratamento especial, respeitando a forma e o movimento orgânico natural da madeira, cuja matéria-prima é reaproveitada do descarte da natureza, sem extração e sem agredir o meio ambiente, principalmente troncos, raízes e galhos.

No futuro, o objetivo é transformar o local numa espécie de Inhotim, museu a céu aberto em Minas Gerais, onde pretende expor suas peças e de outros artistas.

– Nossa equipe desenvolve peças variadas, como bancos escultóricos, aparadores, mesas de jantar, entre outros. Minha paixão são as raízes invertidas, uma mais linda que a outra. Acho maravilhoso o design da natureza, que dá movimento, forma e beleza as peças. Nosso objetivo é respeitar esse desenho natural e nosso olho tem que respeitar isso, sem impor nosso trabalho. Essa sutileza faz do nosso trabalho o diferencial – explica o designer.

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Gosto que vem de família

Juliano vem de família de colonizadores, que sempre estiveram ligados a madeireiras. Sua casa em Campo Mourão era de madeira e haviam muitas esculturas pelo jardim, todas em madeira também. O artista lembra que na casa de seus pais havia muita coisa feita com o material, uma estante em madeira bruta, uma bancada no banheiro, várias esculturas no jardim e um lindo tabuleiro de xadrez, que costumava jogar com seu pai.

– Todo esse trabalho era feito por nós, mas só me dei conta disso mais tarde, quando minha mãe relembrou dos objetos de madeira da minha infância e todo o amor por essas peças.

Seu talento como designer tem conquistado cada vez mais admiradores e suas criações já percorreram mostras mundo afora. Suas peças já estiveram na CASACOR Paraná, sua primeira mostra há 10 anos, Rio de Janeiro, em parceria com a Artefacto e Rio Grande do Sul. Esteve também em todas as edições da CASACOR Santa Catarina na última década, além de participar três vezes da Feira de Móveis de Milão, na Itália e de uma exposição na Suíça.

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