Entenda por que o herdeiro de uma das famílias mais ricas do Brasil decidiu recomeçar a vida no campo

Pedro Paulo Diniz andava de Ferrari, namorava modelos, era amigo do príncipe de Mônaco, e hoje se dedica à produção de orgânicos

pedro paulo diniz
Pedro Paulo Diniz na Fazenda da Toca Foto: Kiko Ferrite/Divulgação

Ele era conhecido por circular entre ricos e famosos. Piloto de Fórmula 1, Pedro Paulo Diniz andava de Ferrari, namorava modelos, era amigo do príncipe de Mônaco e herdeiro do grupo Pão de Açúcar. Em resumo: dono de uma das maiores fortunas do país. Até que um belo dia resolveu mudar para uma fazenda e se dedicar à produção de alimentos orgânicos.

À primeira vista pode parecer uma transformação radical, mas a mudança no estilo de vida foi acontecendo aos poucos. Também não dá para dizer que o jovem piloto tenha se transformado num “bicho-grilo”. Aos 48 anos, Pedro Paulo prefere se definir como um empreendedor do campo. Apesar de estar mais próximo da natureza ele nem de longe leva uma vida tranquila. Há 10 anos administra a Fazenda da Toca, uma grande empresa que produz orgânicos em larga escala.

Localizada a 200 quilômetros de São Paulo, a enorme propriedade de 2.300 hectares que já era de sua família foi transformada com o propósito de conectar e criar iniciativas que ajudem a preservar e regenerar o meio ambiente. Diniz investe em pesquisa e desenvolvimento de sistemas agroflorestais como forma de garantir a regeneração do solo, do clima e do ecossistema ao seu redor.

No início do mês ele esteve em Florianópolis a convite do 9ª Congresso Brasileiro de Conservação (CBUC), organizado pela Fundação Grupo Boticário. Falou sobre sua preocupação com a destruição da terra fértil e o desperdício de alimentos no planeta. Foi lá que ele me recebeu para um bate papo onde também falamos sobre estilo de vida, família, consciência ambiental e seus novos projetos.

 pedro paulo diniz

Foto Kiko Ferrite/Divulgação

A vida no campo remete à tranquilidade. Você conseguiu isso administrando um grande negócio?
Dizem que a vida na fazenda é tranquila, mas não numa fazenda produtiva. É tudo muito dinâmico, a natureza é dinâmica e tem muitas coisas que você não prevê, então é sempre um grande desafio.

Hoje você se considera mais empresário ou homem do campo?
Eu me considero um empreendedor focado em regeneração, em desenvolver uma agricultura que gere vida ao invés de destruir. Temos focado isso na Fazenda da Toca, isso é empreender para gerar um impacto positivo no planeta, na sociedade.

A sua mudança para a fazenda foi para empreender ou buscar qualidade de vida?
Foi tudo muito fluído. Comecei a planejar esse projeto dentro da fazenda da minha família e decidimos fazer algo  sustentável com a produção de orgânicos. O que começou com um projeto virou um negócio grande e eu comecei a passar muito tempo lá, então propus para minha família, na época eu tinha acabado de casar e estava com os dois filhos pequenos, de me mudar para a fazenda. Minha esposa super topou e moramos lá por 7 anos, foi muito legal. Agora voltamos para São Paulo, mas vamos muito à fazenda ainda.

Como você encarou essa mudança de estilo de vida?
Foi tranquila pra mim porque criei uma ligação muito grande com a natureza, viver lá é muito bom, passo bastante tempo próximo à natureza, e como eu não tinha um negócio monótono para tocar foi uma transição tranquila.

fazenda da toca
Foto Kiko Ferrite/Divulgação

Seus filhos cresceram no campo. Foi uma criação muito diferente da sua?
Acho que para eles foi muito importante esse contato com a natureza, vão levar isso pra vida toda. Agora que eles voltaram para São Paulo a adaptação foi desafiadora no início, mas já estão felizes também, apesar que todo fim de semana pedem para ir pra fazenda.

Como atleta você já levava uma vida saudável. Mudou algo na própria alimentação?

Sempre muda né? Estando próximo da natureza esse é o melhor jeito de se alimentar. Hoje o maior luxo para mim é poder produzir meus legumes e verduras no jardim, acho que esse é o maior luxo que a gente pode ter.

Você ainda pratica algum esporte?
Pedalo, faço ioga, continuo bastante ativo.

A Fazenda da Toca mudou de estratégia recentemente. Passou a focar na indústria em vez do consumidor. Por quê?
Isso foi um processo ao longo desses 10 anos. Primeiro pensamos em ter desde a produção de insumos até o processamento e criação de marca. Mas a gente viu que era muita coisa e o mais importante dentro do projeto era investir na produção agrícola e fazer essa produção orgânica. O único produto que a gente tem para o varejo hoje são os ovos orgânicos embalados na fazenda, todo o resto a gente processa e vende para outras empresas e exporta também.

Seu mais novo projeto é a Rizoma, uma fazenda dedicada à agricultura regenerativa. Fale mais sobre ela.
A gente viu essa grande oportunidade que foi desenvolvida na Fazenda da Toca e começou a investigar se daria pra escalar isso, uma agricultura que regenera, que trabalha junto com a natureza e que tem bons retornos financeiros. A gente chama de agricultura regenerativa e estamos extremamente convencidos que tem uma grande oportunidade de negócio, de fazer isso em larga escala. O desafio é chegar a 1 milhão de hectares de agricultura regenerativa, isso é bastante, mas quando a gente pensa que o Brasil tem cerca de 280 milhões de hectares de agricultura, 1 milhão é pouco. Vamos plantar a safra 2018/2019 para colher no primeiro semestre do ano que vem. Basicamente milho, soja e estruturando o sistema de pecuária em uma integração de pecuária e floresta. É uma fazenda demonstrativa que tem viabilidade econômica.

Onde você imagina estar daqui 10 anos?
Se Deus quiser com uma empresa de agricultura regenerativa de muito sucesso, que inspire muitos outros agricultores a estar regenerando nosso planeta.

Assista ao vídeo com a entrevista:

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