“Pequenas histórias com grandes temas são meus interesses narrativos”, diz diretor de “As Ineses”

A comédia é uma coprodução argentina/brasileira e a Versar entrevistou o diretor, Pablo José Meza

Cena de As Ineses (Foto: Okna Produções/Divulgação)

POR ANDREY LEHNEMANN/ESPECIAL

Dono de uma singela peculiaridade, As Ineses está em cartaz em Santa Catarina. O filme é uma sátira sobre a vida simples, movida por aparências e o relacionamento de duas amigas que ganham suas filhas no mesmo dia, no mesmo hospital, e possuem o mesmo sobrenome. As crianças são similares, igualmente. A comédia é uma coprodução argentina/brasileira e a Versar entrevistou o diretor, Pablo José Meza.

Seu filme trata sobre questões simples, mas raras. Um nome ser o responsável pela ambiguidade da trama, além do “mundo de aparências” ditar o argumento. É mais fácil ou mais difícil arrancar a comédia do banal? E como você chegou nesta história?

Citaria, antes de tudo, que são pequenas histórias com temas grandes. Porque você puxa na ambiguidade do nome, o tema da identidade. E na Argentina penso que seja a primeira vez que isso seja o argumento de uma narrativa cômica, a identidade. Nossa intenção era explorar a família e as tramas de uma família. A comédia pode deixar certos temas mais expostos, certas ideias mais evidentes. Isto foi o que mais interessou em realizar este filme.

As Ineses é uma coprodução Brasil e Argentina. Atualmente, como você enxerga o mercado dos dois países?

Acredito que a maioria dos países da América do Sul geralmente busca coproduções com países europeus, né, como se essa fosse a solução. Quando na realidade, nós temos mais em comuns entre nós, latino-americanos. Há muito recurso técnico e artístico aqui, para render grandes obras. Para mim, trabalhar com o Brasil foi um prazer. Pode tanto se trabalhar com ideias similares quanto se pode conseguir recursos financeiros. Nós não temos idiossincrasias tão distintas para pensarmos que temos públicos tão diferentes no Brasil e na Argentina, ainda mais numa história como As Ineses. E, como disse anteriormente, na capacidade técnica temos para algo que dialogue com todos.

Antes de se aventurar na comédia, você vem de dois dramas. Como é trabalhar com gêneros diferentes? Há uma diversão maior na comédia? E já pensa em projetos futuros?

É, foi minha primeira comédia e quis fazer esse filme, pois era um desafio para mim. Eu poderia continuar só fazendo dramas, histórias dramáticas, mas queria contar histórias distintas, crescer como realizador e aprender mais. A comédia me fez atravessar lugares que não estava acostumado a chegar. Acredito que foi um acréscimo muito grande. Tenho dois projetos para trabalhar agora. Dois bem distintos – um drama e um thriller. No caso do drama, eu estou tentando firmar uma parceria novamente com o Brasil. Também são histórias pequenas com temas grandes que podem culminar em diferentes lugares. E, outra vez, procuro nestes projetos falar mais sobre o interior do país do que a Capital.

As Ineses está em cartaz no Paradigma Cine Arte, em Florianópolis. O cinema oferece 50% de desconto para sócio do Clube NSC.

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