Qual o motivo de empresas estarem perdendo tantos talentos após eles se tornarem pais e mães

Foto: Pixabay

Não faz muito tempo, uma empresa grande me pediu uma consultoria. É uma empresa multinacional, com milhares de funcionários, que estava tentando entender o motivo de estarem perdendo muitos talentos – pais e mães. Depois que os funcionários tinham filhos, muitos decidiam pedir demissão.

Tentei explicar para o pessoal do RH que, depois de ter filhos, sua perspectiva muda. Você quer trabalhar em algo que tenha significado. Você quer passar mais tempo perto dos filhos. Você quer empreender. Nasce um filho, nasce um blog de mãe. Nasce uma empresa de brinquedos de madeira. Nasce uma loja de papinhas orgânicas. Nasce um home office.
“E o que podemos fazer para segurar esses pais talentosos na empresa?”, me perguntaram.

Leia também: O amor de família é uma força irracional

Em primeiro lugar, ter algum senso de significado naquilo que a empresa faz. Senso de propósito. Senso de que um colaborador faz algo além do serviço diário. Algo que é maior do que cada um, algo que torna o mundo melhor.

Resume-se naquela história: JF Kennedy visitando os escritórios da Nasa e perguntou para a faxineira o que ela fazia todos os dias. “Ajudo a colocar o homem na lua, senhor”, ela respondeu.

“Ok, mas nós temos o propósito escrito nas paredes. A missão, a visão, os valores. Mas eles continuam pedindo demissão”, declaram. Achei o tom até um pouco desesperado. “Querem algo prático? Então lá vai: façam uma creche aqui dentro da empresa, para os filhos de funcionários em idade pré-escolar”. Todos me olharam sem entender.

“Quando voltamos ao trabalho, tudo o que queremos é estar perto dos filhos. Estamos com a cabeça na criança. Ficamos aflitos com reuniões perto da hora de pegar nossos filhos na creche. Façam uma creche no escritório e terão mães e pais felizes que poderão ver seus filhos durante todo o dia”, sugeri.

Leia também: Os filhos olham para os pais como se fossem tiranossauros, obsoletos e desatualizados

Imagina que delícia poder dar um cheiro no filho entre uma reunião estressante e outra. Poder amamentar tranquila, sem precisar sair do escritório. Não pegar trânsito até a escolinha pra depois ir pra casa.

Sei que algumas empresas já oferecem creches no local de trabalho e sei que essas empresas retêm seus talentos em maior número, depois que viram pais. Um pai e uma mãe tranquilos são mais produtivos. Um bebê no escritório deixa todo mundo mais feliz. Espero um dia ver empresas com mais creches e menos fumódromos.