Toda mulher precisa ser feminista? E os homens podem ser? Veja como foi o debate sobre o tema no Petit Convida

Fotos: Mariana Smania/Divulgação

Na noite gelada de quinta-feira, em Florianópolis, o assunto foi feminismo no Petit Convida, evento assinado pela comunicadora da Atlântida Nady Petit no shopping Iguatemi. Aberto apenas para mulheres, o encontro reuniu um público de diversas idades e estilos. O evento teve um debate com participação da professora de pole dance e empresária Priscila Ferreira; da médica ginecologista e obstetra Luísa Aguiar, que também é colunista da Versar; e da escritora e palestrante Ana Cardoso, autora de livros como A Mamãe é Rock e A Mamãe é Punk. As leitores da Versar e ouvintes da Atlântida enviaram perguntas previamente, que foram respondidas pelas participantes durante o bate papo.

Ana Cardoso, Dra. Luísa Aguiar e Priscila Ferreira
Confira alguns momentos:

Toda mulher precisa ser feminista? 

Foi com essa questão que o debate foi iniciado. Para Priscila, ainda é preciso falar e se posicionar sobre o assunto.

— A nossa geração hoje é mais confortável dentro desse espaço do feminismo e acha que não precisa mais falar. Mas gente não está com tudo ganho. Com a mídia e as redes sociais a gente se torna uma bolha mas, quando olha para fora dela, vê que precisa estar nesses espaços pegando no braço e falando com as pessoas — opinou a empresária.

A ginecologista Luísa Aguiar concordou e acha que isso vai interferir muito nas relações que teremos com o nosso corpo e com nossa sexualidade no futuro:

— Vai melhorar tabus. Quando a pessoa veste essa camisa ela consegue se mostrar mais, se empoderar, e isso vai mexer muito na parte da sexualidade.

Empoderamento

Sobre o empoderamento, a palavra da vez, Priscila acredita que se empoderar é enaltecer o feminino. Já a Dra Luísa defende que o empoderamento passa por inúmeras áreas, e é muito mais do que só a palavra diz.

— Hoje se liga o empoderar ao aparecer, ao ser dona do mundo. Acho que é tomar autonomia – faço porque gosto e quero, e me sinto realizada a partir do momento em que me empodero nas várias áreas que escolhi — comenta a médica.

Para a jornalista Ana Cardoso, é preciso falar também de empoderamento econômico, já que a independência financeira é essencial para a mulher – assim como conhecer o próprio corpo e o prazer ajuda a evitar situações abusivas.

— Se você não conhece seu corpo e não sabe o que te dá prazer, nunca vai estar empoderada e a chance de entrar em relações abusivas é muito maior.

Homem feminista

Também houve perguntas polêmicas. É possível um homem ser feminista? Ana Cardoso, que é esposa de Piangers, acha que é um caminho muito longo.

— Quanto mais a gente conversar com eles, falar que é importante, eles vão desenvolver empatia e passar a entender. Mas eles foram educados para tratar a gente como alguém que está ali para eles. Se você não manda um homem lavar a louça, ele não vai — pontuou a escritora.

— Não sei se o homem pode ser feminista, acho que ele pode ser pró-feminismo — resumiu Luísa Aguiar.

Aborto 

A questão polêmica sobre a legalização do aborto foi debatida pelas participantes.

— O aborto é contra a lei no Brasil. É complicado dar minha opinião pelo papel que eu exerço, mas antes de falar de aborto, que tem que falar, tem que ter educação de planejamento familiar — opinou Dra. Luísa.

Para Ana Cardoso, enquanto as leis forem criadas por quem não vive essa realidade, nada vai mudar.

— Quem vota e decide sobre isso são homens, que não engravidam — finalizou.

 

O bate-papo ainda passou por temas como autoestima, empoderamento, saúde feminina, maternidade e relacionamento. Depois, houve uma demonstração de strip tease e dança burlesca – uma modalidade das artes cênicas que mistura e, como o nome já diz, burla técnicas – com mulheres “reais”.

— O burlesco é a dança que me libertou de muitos padrões. A questão é desapegar dos medos, amar seu corpo. Não é um strip tease em que você se vende para o público. Inclusive, a referência do burlesco no Ocidente passava na Sessão da Tarde. A Elvira. Ela fazia aquela dança com os peitos, que é uma prática do burlesco — explica a dançarina Anita Malcher.