“Ruim é preconceito”: discussões sobre racismo e machismo pautaram a primeira semana do BBB 19

Conversas esclarecedoras e relatos de abuso sexual ocorreram entre os brothers

Foto: Reprodução/TV Globo

O Big Brother Brasil 19 está dando um banho de quebras de paradigmas. Temas como racismo e machismo estão protagonizando a edição do reality show com debates esclarecedores.

Já nos primeiros dias, a sister Gabriela deu uma aula sobre racismo. O assunto surgiu em uma conversa com Rízia e Isabella depois que Tereza declarou sofrer o que chamou de “racismo inverso” por ter olhos, pele e cabelos claros.

— Pra existir o “racismo inverso”, que não existe, seus antepassados teriam que passar 300 anos de escravização de brancos — explicou Gabriela.

Dois dias depois, Gabriela precisou discutir mais uma vez sobre preconceito racial, que voltou ao destaque com uma declaração polêmica de Paula. Enquanto Hana e Gabriela conversavam sobre shampoos, Gabriela disse que tinha emprestado o seu para Elana “porque ela também tem cabelo cacheado”. Ao ouvir a frase, Paula disparou:

— Eu também tenho cabelo ruim.

A sis, que já tinha ensinado sobre racismo, explicou:

— Não fala isso. Ruim é preconceito, cabelo não.

Ainda assim, Paula tentou se justificar:

— É mania, né? Mas quando tem uma dobrinha a gente já fala que não é liso.

E Gabriela encerrou o assunto:

— A gente precisa mudar isso.

O preconceito também protagonizou a brincadeira de adivinhação entre os brothers. Tudo começou quando eles tentavam adivinhar uma charada do catarinense Diego: “qual é o animal que existe dentro da casa e a gente vê todo dia?”. Depois de diversas tentativas sem sucesso, Gustavo arriscou: “índio”. Na mesma hora, Vanderson, que é professor e trabalha como coordenador educacional indígena, corrigiu: “Isso é crime, sabia?”.

— Essa figura do “índio” que foi feita pelas pessoas precisa ser descartada do universo, isso é crime. Eu sei que o Gustavo não falou na maldade, mas fiquei chateado. Animalizar um ser humano, um indivíduo que aliás é dono de tudo isso aqui e tem uma cultura absurda, não é aceitável. E isso acontece todo dia na rua para os caras — explicou didaticamente.

Abuso sexual na adolescência

Além dos papos sobre preconceito, revelações sobre abuso sexual geraram reflexão na casa mais vigiada do Brasil.

Isabella e Hana revelaram que já foram vítimas de abuso sexual quando mais novas. As declarações não foram exibidas na íntegra, já que a transmissão troca de câmera em certos momentos.

No entanto, trechos da conversa deixam claro que Isabella foi abusada quando tinha 10 anos:

— Minha mãe não escutou, ninguém tinha escutado. E ele disse: “se você gritar, eu vou te machucar. E se você falar pra alguém, eu vou te machucar e machucar a sua mãe”. E eu criança, acreditei, né? (…) Enfim, eu lembro muito bem do rosto dele, ele deve estar ouvindo essa história agora. E ele foi preso.

Hana contou que, aos 15 anos, foi abusada por um amigo.

— Eu tava numa festa, peguei um menino em uma festa, fui no quarto com ele e rolou. Ele foi tomar banho, entrou um outro amigo dele no quarto e eu fiquei assustada. Eu não conseguia fazer nada, ele era muito mais forte que eu. Dois babacas, espero nunca mais ver na vida — completou.

No final da conversa, a sister ainda aproveitou para fazer um alerta importante:

— Enquanto a gente continuar culpando a vítima, não tem jeito de melhorar. Se alguém ficar perguntando: “Por que você foi pegar o garoto?”, nada vai melhorar. Preciso abrir mão da minha liberdade sexual para não ser estuprada?

Hana revelou ter sofrido abuso na adolescência (Foto: Reprodução/TV Globo)

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