“É muito raso se falar em inadequações psicológicas como causas do câncer”, diz presidente da Amucc

Leoni Margarida Simm é a primeira entrevistada da série sobre Outubro Rosa

Leoni Margarida Simm
Foto: Adriel Douglas/Divulgação

Outubro é rosa. E para chamar atenção para a prevenção ao câncer de mama, a Versar faz uma série de entrevistas ao longo do mês com mulheres que são exemplo de luta e contam histórias inspiradoras de como é possível vencer a doença. A primeira entrevistada é Leoni Margarida Simm, presidente da entidade Amor e União Contra o Câncer (Amucc).

Leoni contou sua história na entidade, falou da importância da prevenção, de acesso aos serviços de saúde e de conscientização. A entrevista ocorreu quando Leoni estava à caminho da Malásia, onde representou a Amucc, selecionada pela União Internacional de Controle do Câncer (UICC) para apresentação de uma capacitação para agentes comunitários de saúde dentro do tema Educação Para a Prevenção.

Por que a senhora se envolveu com essa causa?

Me comprometi em 2001, quando recebi meu primeiro diagnóstico de câncer. Me juntei ao grupo que estava formando uma associação, liderado pela Dra. Cacilda Furtado, oncologista do Cepon. O que me motivou foi que havia muita discriminação, estigmas em relação ao câncer, na época uma doença inominável. As pessoas achavam que quem tinha câncer era porque tinha feito algo inaceitável, não conseguia perdoar ou tinha alguma inquietude reprimida. A doença faz parte da vida. Mostramos que o câncer acomete as pessoas em todas as idades, todos os sexos, todas as raças e todas as classes sociais. Então acho que é muito raso se falar em inadequações psicológicas. Outra motivação foi garantir direitos aos pacientes.

O que mais contribui para a recuperação de pacientes?

A detecção precoce e tratamentos mais eficazes. Também as campanhas têm levado informações à população, que fica mais atenta a sinais e sintomas.

É um tabu falar sobre isso?

Ainda existe o tabu, mas está diminuindo graças ao empoderamento de pacientes. As organizações como a Amucc fazem capacitações neste sentido.

Entre as mulheres com câncer de mama, quais são os maiores desafios?

Diminuir o tempo para o diagnóstico, acesso a tratamentos atualizados e de qualidade, reconstrução mamária e cuidados integrados de seguimento.

A Amucc atende pacientes de diversos tipos da doença, trabalha com prevenção, capacitação de agentes comunitários de saúde, oficinas, educação, orientação jurídica e apoio às famílias. Como é este trabalho?

Nosso trabalho é idealizado e construído por uma equipe multiprofissional. Fazemos parcerias com as Secretarias de Saúde, temos advogados voluntários que atendem os pacientes no escritório da Amucc. Pacientes participam das oficinas, aprendem e ensinam.

Mutirão de cirurgias, oferta de exames com o projeto Fila Zero e Mutirão de Reconstrução Mamária também fazem parte das ações da Amucc. Como isso é feito?

O programa Fila Zero trabalha com um dos princípios da Amucc, que é o acesso público e transparente aos procedimentos do SUS. Então celebramos com as Secretarias de Saúde dos municípios um Termo de Cooperação Técnica e elas, pelo setor de regulação, encaminham os pacientes que esperam há mais tempo por um diagnóstico de câncer às clínicas contratadas pela Amucc. Os recursos são doações de organizações de pacientes como a associação Amigos da Cleia Beduschi, entre outras. Este programa sempre está aberto a doações, seja de pessoas ou empresas. Agora, em outubro, a Sonitec doou 100 mamografias que serão destinadas a pacientes do Cepon, que a RFCC de Florianópolis irá nos encaminhar, já que o mamografia do Cepon não está operando. Essas iniciativas devem inspirar outras clínicas e hospitais a também se juntarem a essas ações do bem. Temos o exemplo do Hospital São Sebastião, Sianest e do cirurgião plástico Henrique Müller, que reconstrói as mamas de mulheres desde 2012. A cada ano vemos mais cirurgiões fazendo esse trabalho, sensibilizados com a situação das mulheres que não conseguem concluir o tratamento. Elas se sentem mutiladas, o que afeta sua autoestima, as deixa deprimidas e com uma vida sexual mais pobre. E o mais grave: esse sofrimento moral afeta sua imunidade, podendo impactar no avanço da doença.

Por que uma campanha como o Outubro Rosa ainda é tão importante?

É importante pois a mortalidade por câncer de mama em nosso país ainda é muito elevada. Temos um índice alto de pacientes que chegam ao diagnóstico já com um câncer em estágio avançado. A campanha também trata dos fatores de riscos evitáveis como tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, alimentação inadequada, ausência de exercícios físicos.

Como buscar atendimento na Amucc

Endereço: Avenida Hercílio Luz, 639, Edifício Alpha Centauri, sala 1.111
Centro – Florianópolis
E-mail: amucc@amucc.org.br