Pressão alta na gravidez significa cuidado redobrado

Gravidez
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Segundo a Organização Mundial de Saúde, todos os dias aproximadamente 830 mulheres morrem por causas evitáveis relacionadas à gestação e ao parto no mundo. Os países pobres, em desenvolvimento e as áreas com pouco recurso conferem o aumento considerável dessa estatística.

Chamamos de mortalidade materna a frequência de óbitos femininos atribuídos à causas ligadas à gravidez, ao parto e ao puerpério, em relação ao total de nascidos vivos. No Brasil, as síndromes hipertensivas, destacando-se a pré-eclampsia, a eclâmpsia e a síndrome de HELLP, são as principais causas de mortalidade materna.

Sinais de hipertensão

O principal sinal de hipertensão na gestação é, logicamente, a elevação da pressão arterial medida após a 20ª semana gestacional. Isso porque é nessa fase que ocorrem as adaptações do organismo materno às mudanças gravídicas e uma má adaptação pode ser o fator desencadeante da doença.

Após a aferição alterada da pressão arterial, outros exames confirmam o diagnóstico, sendo o principal a proteinúria, um exame realizado a partir da coleta da urina. Inchaço importante, aumento de peso relevante, dor no estômago e dor de cabeça merecem destaque na suspeição do quadro, mas não confirmam diagnóstico.

Eclâmpsia e síndrome HELLP

A eclâmpsia é caracterizada com uma ou mais crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas (tipo de convulsão que envolve perda de consciência e contrações musculares violentas) associadas a pressão alta. E a síndrome HELLP, caracterizada por alterações laboratoriais preocupantes incluindo anemia, diminuição das plaquetas e aumento das enzimas hepáticas é a forma mais grave da pré-eclampsia. De uma maneira geral, as alterações causadas pelas síndromes hipertensivas específicas da gravidez são encerradas após o parto com a retirada da placenta, porém, é necessário o acompanhamento especializado da parturiente no pós-parto.

A causa exata dessas alterações ainda são uma grande discussão na literatura e permanece desconhecida. Parece que a placenta e os novos vasos sanguíneos provenientes dela configuram o início do processo.

Fatores de risco

Mais importante do que sabermos a causa é estarmos atentos aos fatores de risco de cada mulher, como a história de pré-eclampsia na família, o fato de estar grávida pela primeira vez ou de estar gestando a primeira vez daquele marido, a idade maior que 35 anos, as gestações gemelares e intervalos gestacionais maiores que 10 anos.

Além disso a presença de obesidade, hipertensão arterial prévia, diabetes, doença renal, doenças autoimunes e trombofilias aumenta o risco do desenvolvimento de pressão alta na gestação.

A pressão arterial acima de 140/90 mmHg é anormal durante a gravidez e indica controle e seguimento com médico especialista. Durante o seguimento, além da aferição da pressão arterial, exames laboratoriais específicos também são feitos com frequência, bem como a avaliação do bem-estar fetal com ultrassonografia, verificação dos batimentos cardíacos fetais e menor intervalo entre as consultas de pré-natal.

Tratamento

O tratamento passa pela mudança do estilo de vida destacando a alimentação saudável e a prática de atividade física e também medicamentoso com uso de anti-hipertensivos permitidos na gestação. Além disso, pelo risco de interrupção precoce da gestação e prematuridade pode ser necessário o uso de corticoide afim de promover uma aceleração do amadurecimento pulmonar fetal.

A persistência da pressão arterial alta mesmo após a instituição do tratamento pode ser determinante para a interrupção da gestação independente da idade gestacional já que aumenta o risco de morte materna e fetal.

Essa patologia merece acompanhamento adequado com médico especialista e apto a conduzir gestações de alto risco, mostrando a importância das consultas de pré-natal, realização dos exames solicitados pelo médico e cuidados antes, durante e após o parto já que, desta forma, podemos salvar a vida de mulheres e recém-nascidos.

 

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Dra. Luisa Aguiar
Luísa Aguiar da Silva Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela AMB Especialista em Uroginecologia pela Unifesp Professora da disciplina Materno Infantil da Universidade do Sul de Santa Catarina Proprietária junto com a Dra Raquel Aguiar – minha mãe – da Clínica Urogine