É possível prevenir a obesidade infantil? Veja dicas para garantir a saúde do seu filho

Obesidade na infância aumenta em 50% o risco de ser obeso na vida adulta

obesidade infantil
Foto: Divulgação.

Já houve um tempo em que criança gordinha era sinônimo de saúde. Décadas atrás, isso acontecia porque as mães e avós preocupavam-se pelo fato de as crianças desnutridas serem mais vulneráveis a infecções (muito comuns naqueles tempos). Mas hoje tudo mudou, as doenças infecciosas foram relativamente controladas e os avanços das tecnologias trouxeram um aumento enorme de opções de fast-foods, doces, guloseimas e um sem fim de alimentos industrializados.

A televisão, que antes tinha que ser dividida entre todos os membros da família, passou para um momento em que cada um tem a sua, além de celular, tablet e toda tecnologia que aparecer no mercado. Os parquinhos e ruas cheios de crianças brincando e queimando energia foram substituídos por horas a frente das telinhas, e as refeições feitas em família com todos à mesa foram substituídas pelo consumo de alimentos na frente das telas, reduzindo a atenção plena na alimentação e a manutenção de tradições culturais atreladas à ela. Todas essas mudanças têm levado a um aumento significativo nas taxas de excesso de peso e obesidade infantil.

Mais da metade da população brasileira está acima do peso

Segundo o mapa da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, na região Sul do Brasil, o excesso de peso atinge cerca de seis a cada 10 adultos; quase quatro a cada 10 crianças com idade entre cinco e nove anos; e cerca de três a cada 10 crianças com idade entre 10 e 19 anos. No que se refere à obesidade, pelo menos uma a cada 10 crianças já se encontra nesse estado no Brasil.

Porque que esses dados são alarmantes? Entenda as consequências da obesidade infantil

Uma criança obesa ou com excesso de peso tem 50% mais chance de ter obesidade na vida adulta quando comparada a uma criança com o peso adequado.

A obesidade infantil está relacionada com mais riscos de diversas doenças crônicas limitantes, tanto na infância quanto na vida adulta, como:

  • Hipertensão arterial
  • Diabetes tipo 2
  • Cardiopatias
  • Colesterol elevado
  • Problemas nas articulações
  • Redução da qualidade de vida

A responsabilidade de prevenir a obesidade infantil é dos pais, e existem alguns momentos-chave para prevenção desse mal:

Na gestação: Realizar um pré-natal adequado e ganhar peso dentro do recomendado ao longo da gestação são passos fundamentais para prevenção da obesidade infantil. Estudos comprovam que mães que engordam muito na gravidez apresentam um risco 80% maior de ter filhos com excesso de peso na infância.

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Foto: Marco Favero

Amamente seu bebê: A amamentação, além de trazer proteção imunológica e de nutrir o bebê, é responsável pela prevenção da obesidade infantil e na vida adulta. É realmente um líquido de ouro. Por isso, a Organização Mundial da Saúde recomenda que os bebês sejam amamentados até os dois anos de idade ou mais.

Na introdução alimentar: Introduzir alimentos antes dos seis meses do bebê e ofertar açúcar e ultraprocessados antes dos dois aninhos de vida aumentam significativamente o risco da criança se tornar obesa ou ter excesso de peso na infância. Por isso é tão importante realizar uma correta introdução alimentar e manter uma alimentação equilibrada e balanceada ao longo da infância.

Entre os cinco e seis anos:

  • Limite o tempo de telas e vídeo-games e incentive seu filho a brincar ao ar livre e praticar atividade física que ele goste de fazer.
  • Evite proibições alimentares, mas mantenha uma rotina alimentar saudável na sua casa, sem disponibilizar ultraprocessados na despensa.
  • Prepare refeições coloridas e mesmo que seu pequeno se recuse a comer, mantenha as cores no prato (cinco cores são o ideal), sem forçar ou obrigar a comer tudo. Respeite o apetite do seu pequeno.
  • Comer em família e de forma equilibrada é o melhor exemplo que os pais podem dar para os seus filhos. Crianças aprendem com os seus cuidadores.
  • Não faça seu filho entrar em uma dieta restritiva, porque não será saudável para ele. É importante procurar um nutricionista que possa guiá-los na modificação dos hábitos alimentares de uma forma equilibrada.

Pense em tudo o que você pode fazer hoje para garantir a saúde do seu filho ao longo da vida. No futuro ele agradecerá!

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