Primeira livraria feminista de Santa Catarina propõe ampliar o debate sobre temas polêmicos

Chamada de Livras - Mulheres e Livros, a livraria reúne obras que retratam o feminino, crianças, questões raciais e LGBT

Mari Pelli (D) e Ligia Moreiras fazem a curadoria das obras buscando escritas do perfil da Livras (Fotos: Tiago Ghizoni)

As paredes coloridas, com quadros e bancos lúdicos, criam o ambiente convidativo da iniciativa inédita em Santa Catarina. O nome Livras ressalta o feminino que as curadoras querem trazer para o mercado, inaugurando a primeira livraria feminista do estado, em Florianópolis.

As obras são selecionadas por Mari Pelli e Ligia Moreiras, que buscam conteúdos que retratam mulheres, crianças, questões raciais e temas LGBT. Um dos destaques nas prateleiras, o livro de Malala Yousafzai está disponível para as crianças folhearem a história da garota paquistanesa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, que inspira uma nova geração a quebrar o silêncio para transformar o mundo em um lugar melhor.

— As pessoas estão entendendo a leitura crítica, estão procurando e acreditamos que não é apenas uma questão de moda ou impulso de consumo. Não pensamos nisso ao abrir a livraria, e sim em ser uma presença no mercado – afirmou Ligia.

A atitude delas vai na contramão deste mercado, com livrarias tradicionais fechando as portas. Para não ir no mesmo caminho, o objetivo da Livras é ir além da venda de livros. O projeto inclui rodas de leituras, sarau, debates sobre as obras e lançamentos, principalmente de livros independentes.

— Tudo ainda é experimentação – comentou Mari – Mas queremos dar destaque principalmente para obras independentes, que são as que têm mais dificuldade de distribuição, por não ter uma editora por trás. Queremos ser esse canal.

Além da programação especial de leituras, a Livras conta com outros atrativos. Localizada no segundo andar de um bar e dividindo espaço com uma cervejaria artesanal, a Livras também tem um dos visuais mais bonitos de Florianópolis. O espaço fica na Rua Quinze de Novembro, no distrito histórico de Santo Antônio de Lisboa.

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