Principal insider do verão em SC, Cacau Menezes mostra a evolução da temporada em Florianópolis e indica suas apostas para 2018

Verão - Foto Felipe Carneiro, Diário Catarinense

Foto Felipe Carneiro, Diário Catarinense

Convidamos o colunista do Diário Catarinense Cacau Menezes a voltar ao passado e falar sobre as mudanças no verão de Florianópolis e dar dicas sobre como curtir a estação mais quente do ano.

1. Lá vem chegando o verão…

Lembranças que tenho de dezembro, o último e melhor mês do ano, morando com os pais e irmãos, ainda criança, numa ampla casa de dois andares de frente para a Praia da Saudade, em Coqueiros, o melhor bairro da época em Florianópolis, para morar e veranear: a luz noturna dos vagalumes, o voo das andorinhas e das gaivotas e o boi de mamão que descia do morro para alegrar nossas ruas anunciavam a chegada de mais um verão e de muita gente para o nosso bairro, que se transformava com a elite de Floripa mudando de endereço. De Aderbal Ramos da Silva a Miguel Daux, a turma fechava suas mansões no Centro da cidade e ia para Coqueiros na alta temporada.

A chegada do verão na mesma semana do Natal deixava a pacata Florianópolis iluminada e mais alegre, já pronta para o Réveillon e as férias escolares. Dois meses de pés no chão, dormindo com o corpo salgado da água não poluída do nosso mar. Época de descobertas: festinhas americanas, os primeiros beijos na boca, as idas para o Dimas e Kizumba em Balneário Camboriú. Era em Coqueiros que o mundo girava: Praia Clube, Tritão, Capelinha, Bar das Pedras, Itaguaçu e Bom Abrigo.

Praia da Saudade, onde o comunicador viveu seus melhores verões – Foto Arquivo Pessoal

2. Hits, nomes e points

My Sweet Lord, de George Harrison, I don`t Come Easy, de Ringo Star, e Another Day, de Paul McCartney, eram os hits do verão. Os Beatles continuavam a reinar separados. No Brasil, Chico Buarque e Caetano Veloso no teatro Castro Alves em Salvador deu o que falar. Novos Baianos e Paulo Diniz queriam voltar para a Bahia e Kleiton e Kledir para a Porto Alegre da rádio Continental, tri-legal. Eu fiquei. Em Floripa. “Se quex, quex, se não quex dix”.

Bar do Chico na Joaca, Bar do Érico no Santinho, Bar Boné em Canasvieiras, Ironbar e Big Bravos na Othon Gama D’eça, Prato Feito no Bertoldo do Rio Tavares para matar a larica dos surfistas. Summer Jurerê no Clube Doze, Tubulão, Nino`s e Confeitaria Sinhá Chica na Beira-mar Norte, Sorveteria Cocota, De tudo um Pouco, Lanamodinha, Vagão, Dizzy, Aninha, Silvinha, Simone, Claudia Pop, Cinthia Moritz, Denise Richard, Marisa Ramos, Malu Luenberg, Rose Buendgens, LIC, Roberta Pereira, Roberto Lima, Big Bravos, Kioski, Paulinho Guinle, Toló, Agenor, Regina Bortolon, Jorge Bornhausen, Asa Delta, Iate Anita, Magali Heinze…

Natal, Carnaval, música na praia, Bloco do Lira, chá de cogumelo e desbutal, Lagoa da Conceição, The Saints, Noite do Terror, Paineiras, Bar Petit, Banda Mexe-Mexe. Sexo, drogas e rock and roll.

Vista da Joaquina em 1975 – Foto Arquivo Pessoal

3. O começo de tudo

Quem viveu a Floripa das décadas de 1960 e 70 não esquece os nomes que marcaram a melhor estação do ano numa ilha com 42 praias, mar de qualidade, paisagens de cinema, beautiful people, povo festivo, bem-humorado, clubes sociais ativos, grandes festas e um ano melhor do que o outro. Mirandinha cantava “Eu vou voltar pra minha terra de sol e mar…” Era quando já se deixava o terno em casa para ir à praia de sunga ou biquíni. Coqueiros (Praia da Saudade), Canasvieiras, Lagoa da Conceição e Joaquina largaram na frente. Coqueiros era o point principal. Esquiar de lancha, beber, comer, namorar, mergulhar do trampolim, passar o dia… Depois, foi moda Itaguaçú e a Prainha da AABB e, logo depois, o Continente acabou. Verão passou a ser em Canasvieiras. Bar Boné, festas particulares e no Country. Era onde estava veraneando a elite que deixou Coqueiros. Mas como nada é definitivo, Canasvieiras também ficou para trás. Surgem, quase que ao mesmo tempo, a Praia Brava, o Costão do Santinho e a Habitasul transformando Jurerê Internacional no melhor bairro de praia do Brasil e Floripa, numa cidade conhecida no mundo.

Do outro lado, bombando sem parar, com um povo descolado procurando casa para comprar, a Lagoa da Conceição. Entre eles o colunista Beto Stodieck, que morou na Osni Ortiga e depois na Joaquina Road. E na sua casa, costumava fazer as melhores festas da cidade, junto com os shows no LIC. Bob Marley e Peter Frampton tocando na vitrola sem parar, esperando Cazuza que estava para chegar. Época de bebedeira na praia, Chandon e Lee 88 depois. Todo mundo ia à praia e às boates. Por prazer ou por obrigação. Se não aparecesse, perdia o lugar na fila. E surgem os campeonatos de surf e skate, as feras, as grandes festas, a fama. Nacional e internacional. Rock, surfe, brotos e o Hang Loose Pro Contest para ficar na história.

4. A nova Floripa

Mês que vem, chegaremos a mais um verão. Sem gírias, sem musas, sem points novos, sem a turma de antes. Floripa já não é mais a mesma, cresceu, se transformou, apareceu e se conectou. Uber, WhatsApp, trap music.

A cidade é apontada como a melhor e a mais querida do Brasil. Young people malhando, bebendo menos, se cuidando mais. Somos a cidade do Ironman, a nova Ironcity. Corpos sarados, vida saudável, a que o jornal inglês The Sun considera a cidade com as mulheres mais bonitas do mundo. Temos tudo para o verão que procuram os 500 mil argentinos e 1 milhão de brasileiros que por aqui passarão e gastarão. Muito dinheiro. Alguns gostam tanto que acabam ficando. Para morar. Praia Mole, eleita no auge da Revista Playboy como a mais sexy do Brasil, os melhores e mais concorridos beach clubs da América Latina e festas que amanhecem todas as noites no melhor estilo Ibiza e Saint Tropez.

As causas do sucesso de Floripa estão nas filas por todos os lugares para chegar e sair das praias, para entrar em bares e restaurantes, para os mais de 100 shows com artistas consagrados programados para dezembro, janeiro e fevereiro de 2018. Fila é sinônimo de dinheiro: casas e aptos alugados, táxis e Uber pra lá e pra cá, movimento em bares, hotéis e restaurantes.
Mas tudo isso tem data marcada para acabar. Depois do Carnaval, cada um volta para a sua casa, a sua cidade, e nós, então, moradores do ano todo, ficamos com uma ilha só para nós para os últimos trinta dias do Verão. Um verão que não tem moda. A moda é a cidade.

Réveillon no P12 – Foto Marco Dutra, divulgação

CACAU RECOMENDA

RÉVEILLON
No P12 em Jurerê ou no Cabral na Costa da Lagoa.

PRAIAS
Mole, Costão, Campeche, Matadeiro, Lagoinha (do Leste e do Norte).

FRUTOS DO MAR
Ostras no Ribeirão da Ilha, lagostas do chef Narbal no Rita Maria, comida peruana no Sabor Peru, peixe frito do Paru.

NOITE
Posh, Milk, Donna e Second, em Jurerê; Casa na Praia, com DJ Anão no La Serena; sunsets de fim de ano no Cafe de La Musique e Acqua Plage, às vezes.

TRÂNSITO
De carro para a praia sempre antes das 8h. Volta: às 16h ou às 22h.

CENTRO
Mercado Público, Rua Bocaiúva, The Roof, Bar do Novotel, Noma Sushi, Toca da Garoupa e Cervejaria Devassa.

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