Priscila Fantin e Silvia Pfeifer falam sobre preconceito, tema de peça que chega a Floripa

Temas complexos como homofobia, preconceito, bullying e racismo geralmente são abordados com uma alta carga de tensão, seja na literatura, no cinema, na TV e em outros canais de comunicação, arte e entretenimento. Jogar luz sobre esses assuntos de forma mais leve  explorando uma divertida configuração familiar é a proposta do espetáculo Além do Que Nossos Olhos Registram, que trazem Priscila Fantin, Silvia Pfeifer e Olívia Torres no elenco.

Na trama, elas vivem avó, filha e neta que precisam vencer diferenças e preconceitos para terem uma relação mais harmônica e amorosa. À frente do seu tempo, a personagem de Silvia (a avó) foi excluída da família por assumir seu amor por um homem negro. Sua filha (Priscila Fantin), é o oposto da mãe: uma mulher preconceituosa que prioriza o status e vive de aparência. Já a filha (Olívia) está prestes a se casar com um rapaz, mas precisa confessar a mãe que, na verdade, é homossexual. Para falar sobre os dramas que permeiam o espetáculo, Priscila e Silvia bateram um papo com a gente. Confira:      

O que o público pode esperar deste espetáculo?
Priscila – O público vai se divertir, se identificar com alguma das histórias e personagens, acompanhar uma discussão em tempo real onde avó, mãe e filha curam suas dores de relacionamento com muito amor. Ao mesmo tempo poderão refletir sobre algumas questões comportamentais da nossa sociedade que envolvem racismo e homofobia.
Silvia – Acho que o público pode esperar um espetáculo suave, divertido e ao mesmo tempo tocante no que diz respeito a valores da vida, preconceitos e questionamento sobre questões afetivas. Sobretudo entre mães e filhas.

 

Priscila Fantin. TV Globo, Divulgação

A peça tem o objetivo de entreter e levantar questões tão atuais ao mesmo tempo?
Priscila Esse é o papel do teatro! Vida que imita arte e arte que imita cada vez mais a vida.
SilviaCuriosamente, a peça fala da vida de três mulheres próximas, mas diferentes, cada qual na sua filosofia sobre as temáticas abordadas no espetáculo.

Na opinião de vocês, qual é o principal reflexo do diálogo em família, sobretudo entre gerações espaçadas?
Priscila O diálogo é o que se tem de mais saudável na relação humana. Entre mãe e filha é primordial, fundamental e essencial. O reflexo é compreensão e respeito.
SilviaNão são gerações tão espaçadas assim. São próximas, em média uma diferença de 18 anos entre uma e outra. A principal discussão é saber o que se deve valorizar na vida. Na peça (e na vida também ) principalmente o amor. Se você tem amor pelo próximo, não importa se desentendimentos acontecem, o que importa é encontrar uma maneira de resolvê-los, perdoar e conviver.

No espetáculo, uma das personagens foi uma mulher à frente do seu tempo durante a juventude. A outra dá muita importância às aparências e carrega uma carga de preconceitos.  Por último, há uma jovem que se identifica mais com a avó do que com a mãe e, a certa altura da vida, se assume gay. Acreditam que esta configuração seja o espelho de muitas famílias hoje em dia?
Priscila Não exatamente essa configuração, mas os medos e conflitos dentro da configuração que for, sim.
SilviaMuitas questões discutidas, não só a da homossexualidade mas também as corriqueiras, são comuns numa família. O autor, Fernando Duarte, entrevistou várias meninas entre 15 e 20 anos de classes sociais diferentes e suas mães também. Tudo que se passa na peça foi citado nessas entrevistas e ele colocou, ainda, questões da vida dele, da sua vivência em família. Nossas discussões na peça são faladas de forma muito simples, não rebuscada, como uma conversa íntima entre três mulheres. A proximidade da neta com a avó acontece porque as duas valorizam mais o amor, ao contrário da personagem Violeta (Priscila Fantin) que prioriza o conforto e o status. O personagem da avó busca essa comunhão entre as três.

Silvia Pfeifer. Foto TV Globo, divulgação

Onde vocês buscaram referências para ajudar a montar seus respectivos personagens?
Priscila A sociedade está cheia de exemplos. Como atriz, estudo o comportamento humano e suas diferenças e possibilidades. Como a peça mostra os porquês de as pessoas serem como são, as referências não são limitadas à personalidade de cada personagem, mas sim ao mecanismo de funcionamento psicológico e emocional das pessoas.
Silvia Eu fui pega no susto, pois tive três dias de ensaio com o diretor, então não tive muito onde buscar. Me inspirei na minha mãe e na relação que tenho com minha filha.

É notório que quanto mais as discussões sociais relacionadas à direitos e representatividade avançam, mais as posições conservadoras ficam evidentes. A que atribuem este momento de retrocesso do diálogo?
PriscilaNão acho q seja específico a esse momento. Em todos os momentos da história a configuração foi essa, mesmo que em pequenos grupos. A dificuldade é a mesma: aceitar a diferença do outro, em qualquer âmbito.
Silvia Eu acho que é o retrato de uma evolução. Quanto mais as discussões são colocadas, acirradas, mais o contraponto se manifesta. E eu vejo isso com muito bons olhos. Dá oportunidade das pessoas serem diferentes, terem sua liberdade de expressão. É importante aceitar que o outro seja diferente.

De que forma abordam temas como preconceito e bullying com seus filhos?
PriscilaCom diálogo. Meu filho sabe que as pessoas são diferentes e que se alguém aponta algum aspecto dele que não aceita, o problema está em quem aponta, não nele.
SilviaEu e meu marido (o empresário Nelson Chamma Filho) sempre procuramos falar de tudo e sobre qualquer coisa com nossos filhos. Sobre opção sexual, gênero, drogas, como respeitar as pessoas, enfim… Os estimulamos a pensarem sobre os reais valores da vida. O que o dinheiro nos traz, o que ele nos leva se for usado de uma maneira errada… Tudo de maneira muito simples e direta. Quanto mais abertura e maior o diálogo, menos criarmos margem para preconceito e discriminação.


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Além do que Nossos Olhos Registram
26/05, à 21h
Quanto: R$ 50. Desconto de 50% para sócio e acompanhante do Clube NSC na compra do ingresso antecipado no site Blueticket.
Onde: Teatro Ademir Rosa – CIC (Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica).