Projeto fotográfico feito em Florianópolis provoca reflexão sobre aceitação do corpo

A fotógrafa propôs que, durante o ensaio, as mulheres dividissem suas histórias

Fotos: Natalia Brasil/Divulgação

Dez mulheres, de diferentes idades e tipos físicos, juntas em um ensaio fotográfico. Essa foi a proposta da fotógrafa Natalia Brasil, de Florianópolis. Responsável pela Cura Fotografia Feminina, Natalia levou em consideração as discussões que estão acontecendo pelo mundo a respeito do body positive, amor próprio e aceitação do corpo para criar um projeto que incentivasse não apenas um olhar sobre si mesma e sobre o quanto cada mulher é única em sua beleza natural, mas que alimenta a sororidade.

Segundo Natalia, o objetivo do ensaio em grupo foi fazer com que as mulheres pudessem se conectar e se identificar umas com as outras e com suas histórias.

— A energia de estar em um grupo aberto a se olhar e se apoiar pode ser revigorante _ resume.

Mais do que posar, Natalia propôs que, durante o ensaio, as mulheres dividissem suas histórias.

— A ideia foi que todas falassem sobre seu corpo, sua imagem. Vejo que todas as mulheres têm uma questão com o corpo, porque a gente é muito massacrada sobre perfeição.

Para o projeto, Natalia convidou mulheres que já haviam posado para ela e, no dia 2 de fevereiro, elas se encontraram na praia dos Açores, no sul da Ilha, para o ensaio. O resultado surpreendeu a própria fotógrafa, que passou o dia recebendo mensagens das participantes em que agradeciam pela chance de se verem de outra maneira e se fortalecerem juntas.

— Vou querer fazer muito mais. As mulheres estavam muito abertas a se conectar umas com as outras. Todas saíram dali com a energia recarregada. Recebi mensagens delas agradecendo pela oportunidade — conta.

Sem Photoshop

Natalia tirou inspiração da própria história para criar a proposta. Ela mesma já teve problemas em aceitar seu corpo e, por meio da fotografia, conseguiu mudar o olhar sobre si mesma.

— Hoje eu me acho maravilhosa, mas nem sempre foi assim. Quero fazer parte de um processo de evolução de autoestima — projeta.

E para que essa evolução aconteça, Natalia aposta na naturalidade. Por isso, não usa Photoshop ao tratar as fotos.

— Elas gostam do resultado e agradecem e eu digo “isso é o que vocês são”.

A proposta, no entanto, recebeu algumas críticas nas redes sociais pela falta de diversidade por não haver mulheres negras entre as fotografadas, por exemplo. Ela se manifestou pelo Instagram:

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

[Alerta para textão com um desabafo do fundo do meu coração.] As fotos que fiz do ensaio de um grupo de mulheres está ganhando uma repercussão que eu nem imaginava que poderia chegar a ter. Gostaria de esclarecer alguns pontos. O objetivo principal do meu trabalho é que essas fotos ajudem no processo da mulher em sua busca pela cura interior e amor próprio. A maioria das mulheres que fotografei estão fora dos padrões impostos pela sociedade e eu sou grata por isso, pois quero mostrar com o meu trabalho que não existe padrão e que todas somos diferentes e únicas. Todas somos belas do nosso jeito. Eu tento fazer com que o meu portfolio seja o mais variado possível, pois somos muitas. Porém ainda estou no começo. Nesse começo de ano completei a quantidade de 34 mulheres fotografadas. Nessas 34 mulheres duas estão acima dos 50, mas me pediram para que eu não divulgasse suas fotos. E repeitar a sua vontade de não ser divulgada é mais importante do que o meu portfolio. Nessas 34 mulheres duas que fotografei são negras. Sim, apenas duas. Dessas 34 mulheres que fotografei, nenhuma pesava mais de 100kg. Eu sei o que é olhar para uma foto e não se sentir representada. Agora te peço para olhar com carinho essa foto do post. Não tem nenhuma mulher acima de 50 ali, não tem negra, e nem outro muitos tipos que existem no mundo. Ali são 10 mulheres a quem serei eternamente grata por terem aceitado o meu convite. São 10 mulheres que vieram abertas a compartilhar suas questões com o corpo, traumas e crenças. São 10 mulheres que tiveram uma manhã de olhar carinhoso com elas mesmas e com suas companheiras de ensaio. Esse foi meu primeiro ensaio em grupo. Te peço empatia. Conheça a minha busca por algo melhor para nós mulheres. Veja que sou apenas uma mulher branca gorda tentando fazer com que tenhamos cada vez mais referências de outras mulheres em nossas vidas. Se você conhece mulheres fora do padrão que se amam e estão no caminho de evolução do amor próprio, indique o meu trabalho a ela. Indique mulheres diferentes para mim. Eu vou amar a sua ajuda.

Uma publicação compartilhada por Cura Fotografia Feminina (@curafotografiafeminina) em

A proposta da fotógrafa, além de continuar clicando mulheres em grupos, é transformar o projeto em uma exposição. Até lá, você pode acompanhar o trabalho pelo Instagram @curafotografiafeminina.

Leia também:

Conheça a história de cinco mulheres em Santa Catarina que aplicam a sororidade no dia a dia