Crochê, tricô, pintura em tecido, patchwork: técnicas viram projeto de inclusão para mulheres em Lages

Toninho Vieira, divulgação

Devolver o brilho no olhar, incentivar o empreendedorismo, a geração de renda e melhorar as condições de vida de centenas de mulheres espalhadas por todos os bairros de Lages, região serrana de Santa Catarina. Tudo isso através de um projeto que ensina técnicas de crochê, tricô, pintura em tecido, patchwork, entre outras.

Os cursos acontecem sempre no período vespertino, a cada 15 dias em um bairro diferente, onde estão sediados os núcleos com a participação de até 25 mulheres cada.

– Nosso principal objetivo é melhorar a renda de mulheres em vulnerabilidade, por meio de ações de inclusão social e cidadania. Ajudá-las a ter uma qualificação para se tornarem artesãs e quem sabe até abrirem seu próprio negócio. Já é nato delas ter independência financeira e espírito empreendedor, o que fazemos é incentivar – destaca a coordenadora Rita Muniz.

Toninho Vieira, divulgação

 

Laços de amizade sendo reforçados

Além do aprendizado, os cursos servem também como momentos de lazer. Enquanto tecem, ponto a ponto, lindos trabalhos artesanais, elas conversam e dão risadas em rodas de chimarrão. No final a confraternização é com lanches que elas mesmas levam de casa.

– É uma terapia pra gente. Não iria conseguir ficar em casa, e poderia até ficar doente, com depressão, depois que me aposentei. Aqui ensinamos umas as outras e iniciamos novas amizades, muito bom mesmo – comenta Leonir Alves Pereira, de 65 anos, que frequenta o grupo do bairro Santa Catarina pela primeira vez.

– Estou adorando. Antes fazia meu crochê em casa, mas em grupo é muito melhor – diz.

Os cursos são frequentados por mulheres de todas as idades, formando um verdadeiro encontro de gerações, onde a experiência se junta à vontade de aprender das jovens iniciantes. Helen Vitória Rodrigues da Silva tem 12 anos e foi incentivada pela tia a se inscrever no grupo. Ainda está dando os primeiros passos no aprendizado do crochê.

– Precisa ter paciência, mas não é difícil. Quero fazer toalhas para colocar no meu quarto – conta.

Incremento da renda familiar

A maioria das mulheres que frequentam os cursos vão em busca de aumentar a renda e ajudar no orçamento em casa. Este é o caso da dona Maria Jacira de Souza Santos. Aos 71 anos de idade ainda não conseguiu se aposentar e a venda dos panos de pratos e outros artesanatos como o patchwork, produzidos por ela, ajuda a pagar as contas.

– Aprendi com minha mãe e hoje participo do grupo para ficar mais fácil vender depois – afirma.

Os produtos confeccionados são expostos em feiras de artesanatos e também em um espaço reservado para elas, que precisam passar por uma seleção. Provisoriamente estão expondo e comercializando na Casa do Artesão, que fica ao lado da Fundação Cultural de Lages (FCL) e o Museu Thiago de Castro. Antes elas estavam sediadas na rua Nereu Ramos, próximo ao Teatro Marajoara, mas precisaram sair pois o espaço era locado.

– Além de aprender a confeccionar os produtos, elas aprendem também noções de empreendedorismo, a gerenciar e organizar a comercialização, que também é muito importante –  diz a coordenadora Rita.

Por Aline Tives

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