Fugindo dos clichês germânicos: publicitário faz da aventura uma forma de negócio

Juliano Sant’Ana - Fotos Marco Favero
Juliano Sant’Ana – Fotos Marco Favero, Diário Catarinense

Em uma série de reportagens, contamos histórias de empreendedores do Vale do Itajaí que fugiram dos clichês e, com isso, estão renovando uma das regiões que mais cresce em Santa Catarina.

Alto e avante

Certas histórias ganham brilho extra quando o roteiro muda de uma hora pra outra. Juliano Sant’Ana tinha sido jogador de handebol na juventude, mas o esporte, há uns cinco anos, quando ele estava com 32, fazia parte do passado. Sedentário, o publicitário chegou aos 94kg até que o corpo mandou aquele recado em forma de dores e visitas ao hospital.

— O médico me falou: “nesse ritmo você vai reduzir cada vez mais sua expectativa de vida. E esse é um diagnóstico comum: é estresse” — conta o blumenauense que nesta época comandava uma agência e não parava um minuto para dar atenção ao corpo e à mente.

Para emagrecer fez dietas malucas, secou, mas não durou muito tempo. Até que em uma viagem em família, com a mulher e as duas filhas, Juliano se viu em Vale Nevado, aos pés do Aconcágua. Ficou observando, extasiado, o cume da montanha mais alta fora da Ásia. Tentou subir uns 200 metros e não conseguiu, sentiu na pele um milésimo dos desafios de um montanhista. Ali, nasceu um sonho, uma vida nova.

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Juliano Sant’Ana – Fotos Marco Favero

— Voltei e comecei a pesquisar sobre o assunto, comecei a falar para todo mundo que ia subir o Aconcágua. Claro, as pessoas riam, ninguém acreditava. Devagar, comecei a motivar os amigos e, de repente, éramos cinco nessa aventura, treinando, vendo os resultados dia após dia. Montei um projeto comercial, conseguimos um pouco de dinheiro — relembra, enquanto enumera os treinamentos em morros e montanhas do Estado.

— Primeiro você não entende como vai aguentar, depois de um tempo começa a entrar em êxtase. Sem contar que você ganha um pôr do sol que nenhum turistão tem. Eu posso dizer que hoje conheço Santa Catarina por outros ângulos — comemora.

17 dias de viagem

Da aventura de 17 dias sem banho com uma mochila de 20kg nas costas, restaram boas histórias. Nem todos conseguiram subir o planejado, Juliano mesmo acabou voltando poucos metros antes de chegar. Mas não sentiu-se derrotado, encontrou outras versões para o esporte, abriu a mente. Entendeu que não é o topo, é o caminho até lá que interessa.

De volta a Blumenau, o negócio tomou mais forma, a vontade de outra experiência ganhou corpo. E o patrocínio de um shopping da cidade realizou a ida até o Kilimanjaro, na África. O gerente de marketing gostou do projeto, mas deu uma semana para que, em contrapartida, o publicitário criasse uma série de ações, como trekking corporativo e palestra motivacional. Foi um sucesso. Criou uma empresa para levar gente comum a testar seus limites, seja dentro do campo empresarial, seja do pessoal.

— Eu tive muitas descobertas neste caminho, me transformei mesmo. Mudei como pessoa, fora e dentro de casa. E hoje posso dizer que sei como gerenciar uma crise, tema tão comum nas empresas — encerra, mostrando no braço a tatuagem que resume sua paixão.