Qual a idade limite para engravidar?

A medicina baseada em evidência tenta tornar essa resposta mais suave e, por que não, mais plausível dentro da realidade de cada mulher ou de cada família

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Foto: Ricardo Duarte / Agência RBS

Uma das perguntas mais comuns do meu dia a dia no consultório é: até quando eu posso engravidar? No meio dessa pergunta-chave, muitos outros questionamentos aparecem: não tenho parceiro, minha mãe entrou na menopausa cedo, preciso concluir meu doutorado, quero viajar antes disso, primeiro quero casar, e por aí inúmeros sonhos e desejos adiando a maternidade.

Me sinto desconfortável de responder até quando engravidar. Afinal, querer nem sempre é poder, e isso é ainda mais verdadeiro se tratando de fertilidade.

Mas, vamos lá. A medicina baseada em evidência tenta tornar essa resposta mais suave e, por que não, mais plausível dentro da realidade de cada mulher ou de cada família.
É importante ter referências de que não existe nenhuma definição universal para idade materna avançada. Todavia, uma idade superior ou igual a 35 anos constitui o referencial etário mais usual.

A verdade é que realmente os óvulos não só diminuem como envelhecem. Existe uma redução numérica dependente da idade associada ao prejuízo na qualidade dos folículos disponíveis. Ainda assim, os folículos que persistem necessitam de um estímulo hormonal ainda maior para completarem o seu desenvolvimento e conseguirem ser fecundados.
O ciclo menstrual encontra uma dinâmica diferente, alterando as respostas hormonais necessárias para a concepção.

Associado a isso, com o aumento da idade, ainda teremos uma chance de engravidar já com alguma doença de base: diabetes, hipertensão, doenças da tireoide, ou aumentamos o risco de tê-las na gravidez.

Patologias ginecológicas ou urológicas também não são tão incomuns assim e podem ser diagnosticadas apenas com as tentativas frustradas de gestação como, por exemplo, a endometriose, a obstrução tubárea, a reserva ovariana diminuída, a síndrome dos ovários policísticos. E, nos homens, até porque eles são responsáveis pela metade das causas de infertilidade, podemos citar a varicocele e outras patologias que causarão um espermograma alterado. E aí, o tempo para o tratamento desses problemas descobertos durante a investigação da possível infertilidade vai aumentar a sua idade e entraremos no começo de todo o ciclo citado anteriormente.

Teremos ainda os casais que investigarão e não descobrirão a causa de uma não gestação. A literatura cita que em aproximadamente 10% dos casais não é possível estabelecer a causa do insucesso nas tentativas de gravidez.

Sendo assim, tanto as mulheres que sonham em gestar e as famílias que desejam muito ter filhos devem sim manter em dia as avaliações médicas.

O congelamento de óvulos ou de embriões já é uma realidade e deve ser pensado por quem gostaria de postergar a maternidade, por necessidade ou por opção, e ele deve ser proposto e discutido com o seu ginecologista.

Manter sua saúde em dia, através do estilo de vida e também das consultas e exames, poderá evitar frustrações futuras e garantir um dos seus maiores sonhos.

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