Receita manezinha homenageia Saint Exupery

Foto: Beto Barreiros

Engenheiro por formação e historiador por vocação, João Carlos Mosimann, escreveu vários livros sobre a Ilha de Santa Catarina e a história do povo catarinense. Depois de realizar ampla pesquisa sobre a presença dos aviadores franceses na América do Sul, e por extensão em Florianópolis, criou esta receita em homenagem a Saint Exupery, conhecido na praia do Campeche como Zé Perri pelas suas aterrizagens por lá quando fazia o correio aéreo, que ia até a Argentina.

Pampo ensopado à Zé Perri
Ingredientes
-1 kg de peixe pampo cortado em postas de 3 dedos de largura
– 2 limões
– óleo, sal e pimenta do reino
– 1 cebola
– 2 dentes de alho
– 2 tomates picados
– 15 folhinhas de alfavaca picadas
– 1 colher de sobremesa de cominho moído
– 2 colheres de chá de colorau
– farinha de mandioca
– 1 taça de vinho branco seco

Modo de preparo
Tempere as postas de peixe com sal e pimenta do reino, regue com o suco dos limões e reserve. Refogue o alho e cebola picada em óleo e depois frite as postas de peixe por um minuto de cada lado. Retire as postas e reserve. Acrescente os tomates picados, o cominho, o colorau e um litro de água. Após a fervura inicial, acrescente a alfavaca, as postas de peixe e o vinho branco. Deixe cozinhar por 10 minutos e corrija o sal. Você pode enriquecer o caldo acrescentando camarões médios com a casca.
Pirão: Separe parte do caldo e após nova fervura, escalde a farinha de
mandioca sem parar de mexer até ficar na consistência cremosa. Sirva junto com as postas.

Como dizia o rei dos Manés, Aldírio Simões, “de premero tome um caldinho de bebido” acompanhado de um dedal de cachaça.

 

Presunto cru 

Foto: Beto Barreiros

Além de mestre em cirurgia plástica, Rodrigo D´Eça Neves, é grande conhecedor da química da cozinha. Conhece em detalhes os seus ingredientes, o modo de preparo requintado e saboroso. Em seu sítio na serra catarinense, exerce seus conhecimentos preparando presunto cru, tipo serrano, para consumo com amigos, com a cura correta, e que me faz afirmar que é o melhor preparado aqui. No jantar do seu grupo do Clube dos Gourmets de Florianópolis, o presunto fez sucesso acompanhado de carré de cordeiro com molho de frutas vermelhas, robalo assado, polvo com ciabatta, camarão crocante e caldinho de garoupa. Os vinhos Chardonnay, sauvignon blanc, rosé, tinto e o espumante, todos da vinícola catarinense Thera fizeram a diferença.

 

Colorau: nosso tempero mais popular

É só chegar a estação das flores, que deixa o nosso mundo mais colorido, que por toda a ilha de Santa Catarina os urucunzeiros ficam repletos de flores rosas, que se transformam em cachos de frutos espinhosos que não machucam. Depois de secos, ao abri-los, encontramos as preciosas sementes que depois de moídas e algumas misturadas com fubá, se transformam no nosso colorau. Ele está presente diariamente na mesa dos manés, onde libera a sua cor vermelho alaranjado nos ensopados, molhos, refogados, assados e inclusive no arroz. Com ele, é possível transformar um pálido filé de frango, num dourado apetitoso. Na década de 1970, foi muito utilizado em forma de óleo, para bronzear a pele. A origem do seu nome é tupi. Urukun significa vermelho, que os índios utilizam para pintar a sua pele.

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