“Renda-se à moda” fortalece o artesanato referência cultural de Florianópolis

Foto divulgação
A campanha do Agosto Lilás promove ações de combate, sensibilização, conscientização e prevenção da violência conjugal, doméstica e familiar contra as mulheres bem como a visibilidade à lei Maria da Penha. Dentro da programação desta campanha, na próxima sexta-feira, dia 9 de agosto, acontece o Renda-se à moda.

O projeto tem o objetivo fortalecer o artesanato de referência cultural do município de Florianópolis, como a renda de bilro e o fuxico, bem como o protagonismo de rendeiras e fuxiqueiras na promoção da autoestima, empoderamento e autonomia financeira dessas mulheres.

“Renda-se à moda já é considerado um evento tradicional dentro da programação cultural do município, ocorrendo sempre na segunda sexta-feira de cada mês. A edição do dia 9,  acontece na Avenida Paulo Fontes, em frente ao TICEN, das 10h às 16h. As demais datas para o evento acontecerá no entorno do Mercado Público, como de costume.

Um pouco da história da Renda de Bilro:

Foto divulgação

Florianópolis tem inúmeros encantos com sua natureza e cultura. O artesanato
muito rico e variado traz as características do jeito e do modo de vida de sua gente.
A renda de bilro faz parte do artesanato local como cultura secular trazida pelos
açorianos que aqui chegaram há mais de 200 anos. O bilro artefato em madeira

roliça onde se enrola o fio é o instrumento que as rendeiras usam, para entremear a
linha e preencher os desenhos no papel (papelão) com o formato que farão a renda. Os bilros podem variar quanto a sua grossura, o tamanho pouco muda e a escolha para usá-lo na renda vai ao gosto da rendeira. A renda pode receber nomes diferentes conforme o seu desenho e o tipo de ponto em que é feita.

Mulheres de comunidades espalhadas pela Ilha fazem a renda de bilro, costume passado de mãe para filha ou de avó para neta. Ao fazer este lindo artesanato, quando formada uma roda de rendeiras canta-se a ratoeira, que são versinhos com rimas onde se conta histórias de amor, se fala da natureza e acontecimentos do cotidiano com um tom de nostalgia. A renda desde muito tempo serviu de sustento para muitas famílias, e hoje pode ser vista como arte e também como economia criativa para quem quiser trabalhar com a renda.

O ofício da renda aproxima as mulheres ao convívio social, a troca de saberes e a valorização das peças que produzem. Tanto é que essa arte vai muito além de peças comuns como toalhinhas, trilhos de mesa, bandejas mas se expande com criatividade em confecções de peças de vestuário até lindas peças de decoração.

Um pouco da história do Fuxico:

Foto divulgação
O fuxico é uma técnica artesanal que teve início na senzala com as mulheres negras escravas, que recolhiam as sobras de pano de suas sinhás para fazer o fuxico, cortando e franzindo os tecidos coloridos formando flores, peças de decoração e vestuário. A arte de fazer o fuxico não ficou esquecida lá no passado.

Hoje artesãs de diversas comunidades de Florianópolis valorizam essa cultura, mudando a visão do fuxico ser associado à classe social de baixa renda, introduzindo e utilizando a customização de novas técnicas na moda e decoração. Há fuxicos de diversos tipos, pequenos, grandes, simples ou sofisticados onde destaca-se o tecido e as cores, dentro de um universo amplo e diverso. Passa assim a ser mais valorizado e encontrado em peças de cama, mesa e banho em todas as classes sociais.

Em Florianópolis temos várias associações que trabalham com o fuxico e a cultura negra. Uma delas é a Associação de Mulheres Negras Antonieta de Barros, no Morro do Céu. Esta associação assim como outras, desenvolveram o protagonismo feminino inserindo o artesanato, neste caso o fuxico, como uma forma de salvaguardar a cultura, bem como a sobrevivência feminina das famílias destas mulheres. No momento em que as mulheres se encontram para fazer o fuxico, há uma troca de conhecimentos e saberes para a valorização dessa cultura oriunda de nossos ancestrais.

Foto divulgação
Leia mais:
Somos todos geeks: vem aí o Circuito Catarinense de Quadrinhos 2019

Conheça um dos embaixadores catarinenses da cultura cervejeira